Plantio Direto em Solos Arenosos — Depressão Central RS (Prof. Dalvan Reinert, UFSM)


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Publicado em: 28/02/1995

DEPRESSÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL — PLANTIO DIRETO EM SOLOS ARENOSOS

Prof. Dalvan Reinert — Universidade Federal de Santa Maria

A difusão e a adoção do sistema de plantio direto em culturas de milho e soja tem tido aumento substancial, principalmente na região do Planalto do RS. A redução da erosão, custos, tempo de trabalho e energia, a manutenção ou incremento da produtividade, associado ao plantio direto, tem alavancado tal fenômeno. Estima-se que a área de plantio direto, no Planalto, para a safra 1994/95 atinja 1.000.000 ha. No entanto, na Depressão Central a área de plantio direto é muito pequena, porém, há grande potencial para a adoção; o ganho na recuperação e conservação dos solos deve ser superior ao dos latossolos do Planalto. Na Depressão Central do RS há mais de 1.500.000 ha de solos podzólicos, com relevo suave a ondulado e com elevado gradiente textural. São solos com textura sub-superficial argilosa ou média e textura superficial apresentando conteúdo de argila que variam de 30% a valores menores do que 10%. Na superfície, geralmente, são solos arenosos e com alta susceptibilidade à erosão.

A área experimental do departamento de solos da Universidade Federal de Santa Maria apresenta, na coxilha, solo classificado como podzólico vermelho-amarelo, com textura superficial arenosa e sub-superficial argilosa semelhante à unidade de mapeamento São Pedro.

Nos últimos anos, muitos trabalhos de pesquisa envolvendo plantio direto têm sido realizados. Albuquerque, J.A. (1993) estudou variabilidade espacial de textura, espessura de horizontes, altura de plantas e produtividade de milho em um trabalho iniciado em 1989 envolvendo plantas de cobertura de solo no inverno e plantio direto de milho. Desde aquela época, a área vem sendo usada com aveia + ervilhaca no inverno e milho em plantio direto, como cultura de verão, e envolve 4 ha com 5 faixas entre terraços. A espessura do horizonte A variou de 20 cm até 110 cm, apresentando grande associação da produtividade do milho em função da variação da espessura do horizonte A. Considerando que a tecnologia do plantio direto foi a mesma, podemos imaginar que há redução de potencial de produção de aproximadamente 50 kg de milho para cada centímetro do decréscimo de espessura de horizonte A.

Esse trabalho relatou alta variabilidade espacial de características do solo, de produtividade do milho e apresentou um mapa de variação de espessura do horizonte A. Em ano anterior, observações de campo conduziam à hipótese de que neste solo podzólico, com alta relação textural, havia restrição de crescimento radicular no horizonte B por fatores físicos, químicos ou biológicos. Se tal hipótese se confirmasse, o crescimento radicular ficaria restringido à espessura do horizonte A. Os dados de Albuquerque (1993) confirmaram tal hipótese.

Após essa confirmação, foi realizado trabalho de tese de Fiorin, J.E. (1993) com objetivo de avaliar o efeito do armazenamento de água no solo, representado por diferentes condições de espessura de horizonte A, no crescimento e produção da cultura do milho em plantio direto. A partir do mapeamento da espessura de horizonte A foram selecionadas 8 parcelas dentro da área total: 4 parcelas com horizonte A espesso (70 a 90 cm) e 4 com horizonte A raso (30 a 50 cm). A umidade do solo foi monitorada semanalmente com o uso de sonda de neutrons a profundidades que permitiram o cálculo do armazenamento de água até 100 cm de profundidade.

Os dados de crescimento e desenvolvimento do milho tiveram relação direta com o armazenamento de água no horizonte A, indicando que a restrição de crescimento radicular no horizonte B limitou o uso da água disponível ao volume do horizonte A. A figura 1 (armazenamento acumulado de água no horizonte A e produção de milho para os anos agrícolas 1991/92 e 1992/93) mostra que durante o ciclo do milho o horizonte A profundo tem mais água armazenada devido à espessura do horizonte e a produtividade do milho foi significativamente maior. A produção média superior em mais de 1.000 kg/ha nesse solo, com horizonte A espesso, evidencia a importância da adoção de práticas efetivas de conservação dos solos para a sustentação da produção.

Extraído do Informativo do Departamento de Solos da UFSM.

Prof. Dalvan Reinert (UFSM). Depressão Central RS: +1.5 milhão ha podzólicos com gradiente textural (superficial arenoso, sub-superficial argiloso). Área experimental Depto Solos UFSM podzólico vermelho-amarelo. Albuquerque J.A. (1993): variabilidade espacial horizonte A (20-110 cm), regressão Y=2.578+48,9*X (R²=0,56), redução ~50 kg milho/cm horizonte A. Fiorin J.E. (1993): 8 parcelas (4 horizonte A espesso 70-90 vs 4 raso 30-50 cm), sonda neutrons. Produção média superior +1.000 kg/ha em horizonte A espesso. Extraído Informativo Depto Solos UFSM.