A modernização da agricultura e o pequeno produtor (Dirceu Neri Gassen, EMBRAPA-CNPT)


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Publicado em: 28/02/1995

A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E O PEQUENO PRODUTOR

Dirceu Neri Gassen — EMBRAPA-CNPT

As possíveis vantagens que o Brasil poderia auferir do processo de globalização da economia e de queda do subsídio à produção agrícola nos países desenvolvidos está recebendo cada vez maior atenção da imprensa e da sociedade e foi discutido nas edições recentes do Jornal do Plantio Direto. Nesse contexto, os países cuja economia é baseada na agricultura tendem a ter melhor desempenho global, desde que se adaptem às exigências do mercado internacional. Isso significa adotar novas tecnologias que resultem na produção de alimentos de melhor qualidade e menor preço.

Considerando a evolução do Mercosul em relação ao mercado, o cenário mais previsível para a produção de grãos, especialidade da maioria dos agricultores do sul do Brasil, é a sobrevivência das lavouras extensivas e mecanizadas, e a inviabilidade econômica dos pequenos produtores. Com o advento do Mercosul, as lavouras extensivas das planícies da Argentina devem fazer parte da análise do futuro da agricultura do RS. A produção argentina não ameaça os grandes produtores brasileiros, mas dificulta a competição do pequeno produtor nacional em termos de qualidade e custo de produção de grãos.

É importante destacar que a redução de subsídios, ocorrida durante o final da década de 70, impede os pequenos agricultores de renovarem as máquinas e implementos necessários na propriedade. Se analisarmos a evolução recente da agricultura, onde o sistema plantio direto é indicado como a melhor alternativa técnica, [o pequeno] produtor, outra vez, poderá ser [excluído], pois ser-lhe-á exigido [elevado custo social], com mudanças enfrentará dificuldades de assistência técnica, [para a aplica]ção de tecnologia avançada e [para a] obtenção de crédito vinculado à aquisição de máquinas e insumos.

Na região do Vale do Uruguai, o tamanho médio das propriedades produtoras de trigo, de milho e de [soja é] inferior a 15 ha. Na região do Planalto, o tamanho das propriedades fica em torno de 20 ha. Isso evidencia que a maioria dos produtores corre à margem do desenvolvimento.

Definição do perfil atualizado do produtor de grãos: os pequenos proprietários terão de, rapidamente, adaptar-se às mudanças e buscar alternativas mais rentáveis, como a produção de [hortifrutigranjeiros ou agroindústria]. É imprescindível, portanto, que todos os segmentos da sociedade comprometidos com o setor agrícola pensem-se em buscar alternativas a esta situação. Se nada for feito, [poderemos atravessar um] período com favelados rurais e [problemas sérios de êxodo].

Dirceu Neri Gassen (CNPT). Globalização+queda subsídios em países desenvolvidos. Mercosul: cenário de sobrevivência das lavouras extensivas+mecanizadas vs inviabilidade econômica dos pequenos. Argentina não ameaça grandes BR mas dificulta competição do pequeno em qualidade+custo grãos. Vale do Uruguai média <15 ha; Planalto ~20 ha. Pequenos precisarão buscar alternativas mais rentáveis (hortifrutigranjeiros, agroindústria). Caso nada feito: favelados rurais e êxodo.