O Norte do Paraná merece mais Plantio Direto (Editorial Márcio Scaléa, Monsanto)


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Publicado em: 28/02/1995

O NORTE DO PARANÁ MERECE MAIS PLANTIO DIRETO

Márcio Scaléa - Monsanto do Brasil

Recentemente, tivemos a oportunidade de frequentar, em Castro, um dos cursos que a Fundação ABC oferece, onde a tônica é a conservação do solo propiciada pela técnica do Plantio Direto. Foram 5 dias de imersão total nos conceitos conservacionistas tão bem explorados pela equipe de instrutores da Fundação, além das vantagens econômicas e empresariais que o Plantio Direto pode oferecer a seus praticantes.

Para nossa surpresa, porém, durante a viagem de volta, ao cruzar uma nesga do Norte do Paraná, poucos quilômetros após Arapoti, ao passar por Wenceslau Braz, Jacarezinho e Cambará, nos defrontamos com cenas de erosão como há muito não víamos. As chuvas torrenciais caídas sobre solos desprotegidos, revolvidos por operações de gradagem, esperando pelo plantio, tiveram efeitos catastróficos. E um pensamento nos ocorreu: o Norte do Paraná merece mais Plantio Direto. E merece não por causa de um conservacionismo utópico e estéril, mas por questão de gratidão e respeito. Sim, porque um estado que já forneceu ao país tanta coisa de bom, merece respeito e gratidão.

Quem já viu, como nós, as toras de peroba e as peças de palmito que o Paraná produziu durante o período de sua abertura e colonização; quem pode ver a onda verde dos cafezais e sentir o perfume das floradas de setembro, que transformavam o Paraná num imenso jardim; quem acompanhou a transição para a hortelã, o rami, o algodão, a soja, o trigo e o milho, que fizeram da agricultura paranaense a fonte de inúmeras riquezas; quem presenciou a expansão do nelore e dos recentes cruzamentos industriais; e quem finalmente, conheceu a safra de cérebros que o Paraná produziu ou condicionou durante as últimas décadas: um Luiz de Souza Lima, Pioneiro do Norte do Paraná e precursor de Cerrado em Brasília; um Telmo Roos, pioneiro do Plantio Direto e colonizador do Cerrado em Maracajú; um Francisco Honaiser, paranaense pioneiro no Cerrado Maranhense; um Áressio Paquer, pioneiro no norte matogrossense, e muitos outros, que estão na Bahia, em Goiás, em toda parte, enfim. Quem presenciou tudo o que o Paraná já produziu de bom e de valioso, fica chocado ao ver o desprezo com que a fonte de tudo isso é tratada: o latossolo roxo sendo brutalizado e desgastado.

E só pode realmente pensar que o Paraná, em especial a região Norte, merece mais Plantio Direto, para conservar seu latossolo tão produtivo como sempre esteve. Se não for por respeito e gratidão, que seja pelo menos por preocupação pela sobrevivência, que está seriamente ameaçada!

editorial Márcio Scaléa (Monsanto). Após curso F.ABC em Castro, na volta cruzou Wenceslau Braz/Jacarezinho/Cambará e viu erosão catastrófica. Lista pioneiros do PR: Luiz de Souza Lima (Cerrado Brasília); Telmo Roos (Cerrado Maracaju-MS); Francisco Honaiser (Cerrado Maranhense); Áressio Paquer (Norte MT). Defende mais PD para conservar latossolo roxo Norte PR.