A NOVA ECONOMIA E A NOSSA AGRICULTURA II — BRASIL PODERÁ SER BENEFICIADO
Eng° Agr° Ilênio Schonhorst
Na edição do Jornal do Plantio Direto de julho/agosto, comentamos os possíveis efeitos do Mercosul e da Rodada Uruguai no Grupo GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), no setor agropecuário do hemisfério sul, principalmente América do Sul, mas também Austrália e África.
Em síntese, com a redução dos subsídios à agropecuária nos próximos 6 anos aos agricultores dos principais países exportadores como Canadá, USA e Europa, temos que produzir toda a nossa própria comida e poderemos exportar alimentos básicos a preços competitivos para os países ricos do Norte.
A princípio isso parece impossível, mas já é uma realidade. Os subsídios à agropecuária nos países ricos representam hoje US$ 190 bilhões, que ao invés de serem jogados fora via auxílio governamental nos preços de exportação, transporte ou armazenamento, retornarão em benefícios sociais à população, e investimentos maiores, à pesquisa de tecnologia de ponta.
Com esta nova arquitetura dos fatos, os preços das principais commodities agropecuárias crescerão em torno de 10% no mercado mundial. Como no total das exportações brasileiras 40% é oriundo do Agribusiness, sem aumentar nossa produção, haverá um acréscimo no valor de entrada de divisas. Mas, na realidade, o incremento será maior pois produziremos e exportaremos mais.
Voltamos a escrever sobre este assunto, porque as idéias e opiniões daquela ocasião, hoje são uma realidade com evidentes sinais no mundo do Agribusiness. A principal notícia da Gazeta Mercantil do dia 17.11.94, diz que a Bunge y Born, uma das maiores comerciantes e transformadoras de produtos agropecuários no mundo, decidiu em função dos desdobramentos das decisões do GATT, encerrar suas atividades na França e concentrar todo o seu esforço tecnológico e financeiro na América Latina.
Este acontecimento é o início prático das novas tendências de inversão do fluxo dos alimentos no futuro próximo. A rota Norte-Sul está prestes a se inverter.
Nós não podemos perder a velocidade nas decisões de apoio à agricultura brasileira de exportação, para não perder a oportunidade de ouro do final do milênio. Podemos e temos condições de nos transformarmos no grande celeiro do mundo.
editorial sequência da Ed.22 por Ilênio Schonhorst. Mercosul + Rodada Uruguai GATT: subsídios países ricos = US$ 190 bilhões reduzirão em 6 anos. Commodities subirão ~10%, BR 40% exportações = Agribusiness. Rota Norte-Sul prestes a se inverter. Notícia Gazeta Mercantil 17/11/94: Bunge y Born encerra atividades França para concentrar América Latina. BR pode ser o grande celeiro do mundo se decidir velocidade no apoio.