PEQUENA PROPRIEDADE — PLANTIO DIRETO E CULTURAS ALTERNATIVAS PARA O PEQUENO PRODUTOR
PROJETO HISTÓRICO — Tendo iniciado os trabalhos em plantio direto no ano de 1985, quando desenvolveu pesquisas em tecnologias para o pequeno produtor, o IAPAR instalou unidades de testes de validação em algumas propriedades do Estado do Paraná, em diferentes tipos de solos para a verificação das condições de adaptação a nível de pesquisa e estação experimental junto a alguns agricultores que trabalharam com os equipamentos testando conjuntamente várias tecnologias envolvidas com o plantio direto.
Adotando a metodologia de Sistema de Produção, que está sendo aplicada no mundo inteiro e que tem como finalidade integrar pesquisa, extensão rural, agricultor e indústria, o IAPAR realizou com sucesso a difusão de seus trabalhos. Dentro desse projeto foram selecionados 31 municípios do estado, onde foram treinados tanto agricultores como técnicos da Emater. Contando com o apoio da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha através de Manoel Henrique Pereira e da Secretaria da Agricultura, foi possível levar a tecnologia que vinha sendo [estudada por] anos para ser testada junto aos pequenos. Numa primeira avaliação, o número de propriedades havia crescido dez vezes chegando a trezentas. Hoje, baseando-se na quantidade de máquinas entregues, pode-se dizer que foram atingidos 1.500 ha para o plantio direto na pequena e média propriedade, expondo máquinas a tração animal e de baixa potência.
Segundo o pesquisador do IAPAR Moacir Darolt, o pequeno produtor precisa ter elementos fortes para decidir qual o sistema deve ser adotado em sua propriedade, por isso são aconselhados a iniciar em uma área pequena. “Sempre aconselhamos o agricultor a começar em uma área pequena, com alguns pré-requisitos que devem ser observados, principalmente pela questão das ervas daninhas, porque o pequeno não está acostumado a usar agrotóxicos nem mesmo ao equipamento de segurança. Nós do IAPAR temos feito o controle somente com o rolo-faca, não deixando a planta ressemear; não descartamos o uso da capina; o pequeno agricultor não precisa ser radical, achando que não precisa mais mexer no solo.”
No “Dia de Campo Sobre Plantio Direto em Culturas Alternativas” promovido pelo IAPAR, foram demonstradas máquinas de plantio direto a tração animal, todo o kit de plantio direto (manejo com grade, rolo-faca, plantadeiras), o controle de plantas daninhas para feijão, milho e soja, variedades de trigo, adubos verdes (tremoço, ervilha, consórcios, nabo forrageiro), alternativas de inverno (canola, ervilha forrageira e comum, plantas medicinais) e o plantio direto em fumo, alho e cebola.
FUMO + FIXAR O HOMEM NO CAMPO — Itavor Numer Filho (Supervisor Agrícola Souza Cruz) relata: “O plantio direto dentro da Souza Cruz iniciou há alguns anos, principalmente na Região Sul, no estado de Santa Catarina, [e] se espalhando principalmente para o Paraná, onde as condições de solo eram mais favoráveis e onde também se opta mais pelo plantio direto. A melhor cobertura para preceder o plantio direto em fumo é sempre a aveia preta, em função do elevado banco de [palhada]. A Souza Cruz tem uma cartela de mil parceiros em todo o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, abrangendo em torno de 15.000 ha de sistema de cultivo mínimo e plantio direto, e a tendência é aumentar.”
“O plantio direto não pode ser uma ‘febre’ ou ‘moda’ e nem mesmo ser dedicado exclusivamente ao fumo. O que acontece muito é que o pequeno produtor acha que ele precisa ser igual ao grande, ser um monocultor, e é exatamente o contrário: a viabilidade da propriedade está em cima da diversificação. Enquanto que no sistema convencional para se fazer 2 ha de plantio de milho, soja ou fumo gasta-se 120 horas, no plantio direto esse número passa para no máximo 22 horas, e isso possibilita a diversificação da propriedade, feita com suinocultura, apicultura ou mesmo com outras culturas. Isso para nós é uma forma de fixar o homem no campo, tornando viável e rentável a pequena propriedade.”
“O plantio direto reduz a infestação de vaquinhas e pulgões em 70%, diminuindo assim o uso da pulverização. E por serem áreas pequenas se consegue fazer um manejo de palhada que elimina a utilização de dessecante, dando ainda mais economia ao produtor.”
SIMULADOR DE CHUVA COMPROVA IMPORTÂNCIA DA COBERTURA — Dentro da programação desenvolvida pelo IAPAR no evento, foi demonstrado o Simulador de Chuva, aparelho que tem ajudado muito os técnicos na demonstração do processo erosivo. Despertando o interesse dos presentes, o Simulador foi demonstrado sobre duas parcelas de plantio: uma convencional e outra plantio direto. O agricultor pôde constatar através da [caixa coletora de sedimentos] as perdas obtidas em uma situação e outra, sendo comprovado o papel da cobertura de palha na contenção do processo. Cita o Pesquisador do IAPAR Gustavo Merten: “O simulador funciona como um elemento muito forte para o agricultor entender o processo erosivo e se convencer que há diferença no solo com a cobertura de palha na contenção do processo. Aqui no Paraná mais de 200 cidades são [acidentadas]. O sistema ideal para que isso aconteça é o plantio direto.”
Dia de Campo IAPAR sobre PD em Culturas Alternativas. Cobre p8+p9. Moacir Darolt (IAPAR pesquisador): IAPAR desde 1985, 31 municípios, ~1.500 ha pequena propriedade. Itavor Numer Filho (Supervisor Agrícola Souza Cruz): PD em fumo iniciou SC; Souza Cruz tem +mil parceiros PR/SC/RS = 15.000 ha; aveia preta cobertura ideal. PD reduz vaquinhas+pulgões 70%; 120h→22h por 2 ha milho. Fixar homem no campo. Gustavo Merten (IAPAR): Simulador de Chuva mostra erosão; PR tem +200 cidades acidentadas.