TAMANDUÁ-DA-SOJA AMEAÇA LAVOURAS
D.N. Gassen — EMBRAPA - CNPT — Passo Fundo - RS
O tamanduá-da-soja, conhecido cientificamente como Sternechus subsignatus (Col., Curculionidae), é um inseto nativo, citado em soja desde a década de 60. Nos últimos anos tornou-se praga e grande preocupação em lavouras sob sistema plantio direto.
O ciclo biológico do inseto completa-se em um ano, perfeitamente adaptado à soja. Os adultos emergem do solo a partir do final do mês de novembro e durante o mês de dezembro. A maior parte deles emerge na primeira quinzena de dezembro (Figura 1) com longevidade de dois meses. Até uma semana após a emergência, os adultos são incapazes de voar. Eles necessitam alimentar-se de soja ou de feijão durante alguns dias, para desenvolvimento dos músculos de vôo. Então, sendo capazes de voar, podem disseminar-se nas lavouras por vários quilômetros.
Por causa da forma de alimentação dos adultos, raspando e anelando o caule ou as hastes, podem matar as plantas desde a fase da emergência. As fêmeas realizam a postura num orifício sob a raspagem. A larva desenvolve-se no interior do caule, provocando um engrossamento (calosidade) típico, algumas vezes com crescimento de raízes. Em geral as hastes atacadas quebram e morrem a partir do local atacado pela larva. Esta fase completa-se no mês de março, quando as larvas descem ao solo, constroem uma câmara e entram em diapausa. Nesta fase de diapausa, as larvas não se alimentam nem se deslocam, permanecendo quase imóveis até o mês de outubro, quando passam à fase de pupa. A ausência de preparo de solo pode beneficiar a sobrevivência das larvas no solo. A fase de pupa completa-se em 3 a 4 semanas.
O controle da praga é viável apenas para os adultos, pois os ovos, as larvas e as pupas encontram-se em locais dificilmente atingidos com inseticidas, mesmo os sistêmicos. Considerando que os adultos emergirão do solo durante um período de até cinco semanas, poderá haver a necessidade de várias aplicações de inseticidas, tornando o controle econômica e ecologicamente inadequado. Por isso, a alternativa de controle passa pela rotação de culturas, destacando-se o milho. Recomenda-se a semeadura de milho nas áreas infestadas com tamanduá-da-soja no ano anterior, mantendo uma bordadura de soja ou feijão (no mínimo 10 fileiras) como cultura armadilha, para os adultos que ao nascerem, não atacando o milho, deslocam-se caminhando em busca de alimento adequado nas bordas da lavoura. Nestas bordas (cultura armadilha) a praga deve ser controlada antes da disseminação pelo vôo. Recomenda-se controlar os adultos quando atingir o nível de dois insetos/m². Poderão ser necessárias até cinco aplicações para o controle dos adultos, nas faixas com as culturas armadilhas.
Dos inseticidas sugeridos para o tamanduá-da-soja pela XXIII Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, 1994 (RPSRS) (Tabela 1), apenas o metamidofós encontra-se registrado para esta praga na cultura soja.
Tabela 1. Inseticidas e doses sugeridos para o controle de adultos do tamanduá-da-soja, Sternechus subsignatus (RPSRS, 1994) — Inseticida / g i.a./ha: Clorpirifós 480; Deltametrina 7,5; Fenitrotiom 1000; Fosfamidom 600; Metamidofós 480; Monocrotofós 200; Permetrina 50; Profenofós 500.
A evolução da cultura do milho, no sul do Brasil, em grande parte, pode ser atribuída aos danos e à ameaça que representava a praga para a cultura da soja. Talvez, no futuro, ainda faremos uma homenagem ao tamanduá-da-soja como agente introdutor da cultura do milho no sistema de rotação de culturas, prática fundamental para a sustentabilidade da produção agrícola.
D.N. Gassen (CNPT-Embrapa PF). Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus, Col. Curculionidae) inseto nativo, praga em PD. Ciclo anual: adultos emergem nov-dez, voam após 1 semana; larvas no caule até março, diapausa no solo até outubro. Controle viável só para adultos. Solução: rotação culturas com milho + bordadura armadilha soja/feijão (10 fileiras). Tabela 1 inseticidas RPSRS 1994: Clorpirifós 480, Deltametrina 7,5, Fenitrotiom 1000, Fosfamidom 600, Metamidofós 480 (único registrado), Monocrotofós 200, Permetrina 50, Profenofós 500 (g i.a./ha).