1994, A GRANDE EXPLOSÃO
Depois que o Sistema Plantio Direto recomeçou sua caminhada ascendente, no início da década de 80, visto de uma forma geral, talvez nenhum ano tenha sido tão importante para o seu desenvolvimento como 1994.
Embora uma grande parcela de produtores ainda usem os métodos agressivos e degradantes para preparar o solo, com grades e arados que uniformizam a falta de vida, mesmo que a grande área das lavouras brasileiras e sul-americanas ainda sejam conduzidas da forma tradicional, 1994 foi o ano da grande explosão do Plantio Direto, quando um número significativo de produtores e técnicos começaram a participar, não mais para saber se dava certo, mas para buscar os caminhos adequados à sua realidade.
É difícil catalogar tudo o que aconteceu de importante nesse fértil período. Porém, o momento maior foi, sem dúvida, o IV Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto e executado pelo CAT — Clube Amigos da Terra de Cruz Alta, com apoio de todos os demais Clubes do Rio Grande do Sul, empresas e diversas outras entidades. Mais de 12.000 pessoas passaram pelo campo demonstrativo, plantado com eficiência de primeiro mundo nas coxilhas de Cruz Alta, para mostrar os avanços do sistema. O IV Encontro foi um referencial, um ponto de partida, uma onda que se esparramou uniformemente, gerando novos impulsos ou ajudando aqueles que já possuíam movimentos próprios. Dezenas de encontros, seminários, cursos e dias de campo explodiram em todas as latitudes, sempre com um comparecimento acima das expectativas.
Uma grande vertente que se firmou foi a do plantio direto na pequena propriedade. 1994 foi um ano importante na direção de provar que o sistema também é possível para os pequenos e que o alcance nessa faixa de produtores pode gerar uma revolução no campo brasileiro e latino-americano, pelas possibilidades que abre. Ibirubá, no Rio Grande do Sul, reuniu quase 3.000 pequenos produtores num dia só, durante o XII ENCAT. O IAPAR, com apoio da Federação Brasileira, está sendo o grande pólo para o desenvolvimento de tecnologias destinadas à pequena propriedade rural. Numa mudança física e psicológica, os agricultores redescobrem que trabalhar a terra pode dar maiores alegrias.
Finalmente, há de se notar a explosão da Siembra Directa nos vizinhos do Mercosul, principalmente na Argentina e no Paraguai, onde existe uma área mais extensiva de lavouras. No III Congreso de Siembra Directa, em Córdoba, na Argentina, ficou demonstrado que nossos hermanos estão adiantados no assunto e já dominam o sistema. Igualmente numa fase de expansão se encontram nossos vizinhos paraguaios, que realizaram o II Encuentro de Productores de Siembra Directa com enorme sucesso, em Colonias Unidas, em setembro, com a presença de mais de 600 produtores e técnicos.
Tudo isso nos leva a crer que o ano de 1995 deverá multiplicar os acontecimentos relativos ao desenvolvimento do plantio direto, dando um impulso cada vez maior a uma nova agricultura, que poderá suportar a demanda de alimentos para a humanidade do próximo milênio.
EXPORTAÇÃO FLUVIAL — Apesar de tudo, continuamos exportando a riqueza de nosso solo através dos rios. Foto Dirceu Gassen.
matéria de capa balanço de 1994 como 'ano da grande explosão do PD'. Momento maior: IV Encontro Nacional PD na Palha (FBPDP+CAT Cruz Alta), +12.000 pessoas. PD pequena propriedade: Ibirubá XII ENCAT ~3.000 pequenos produtores. Explosão Siembra Directa Mercosul: III Congresso Argentina Córdoba + II Encuentro Paraguai Colonias Unidas set/1994 +600 produtores. Foto Dirceu Gassen 'Exportação fluvial'. Projeção: 1995 multiplicará acontecimentos.