Dinâmica de Micronutrientes no Sistema PD (Antônio Carlos Vargas Motta, UFPR — cobre p13+p14)


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Publicado em: 30/10/1994

TRABALHO DE PESQUISA — DINÂMICA DE MICRONUTRIENTES NO SISTEMA PLANTIO DIRETO

Antônio Carlos Vargas Motta — Prof. Msc. Universidade Federal do Paraná - Depto de Solos — Curitiba - Paraná. Trabalho apresentado no IV Encontro Nacional de Plantio Direto de Cruz Alta — Março/94.

O Plantio Direto (PD) é hoje uma realidade no Brasil, sendo um sistema racional de uso do solo, permitindo a produção sem degradação. Mas, devido ao curto período de instalação das primeiras lavouras com PD, muitas dúvidas em relação à recomendação de adubação e calagem ainda persistem, principalmente em se tratando dos micronutrientes face ao pequeno número de trabalhos.

O estudo da dinâmica dos micronutrientes no solo no PD passa pelo conhecimento das diferenças que ocorrem nos parâmetros químicos, físicos e biológicos, quando da adoção deste sistema. Estas diferenças surgem devido ao não revolvimento do solo, formação de cobertura morta, atuação da reciclagem, permitindo com isso o surgimento de camadas diferenciadas, aproximando-se das condições encontradas na natureza.

Os resultados de análise química de 06 solos sob PD demonstraram grande diferença nos parâmetros da acidez e no teor total e disponível dos nutrientes. As diferenças de ordem biológica foram demonstradas em trabalho realizado na UFPR, a partir das amostras de solo com 17 anos sob PD, onde constatou-se que o número de bactérias, fungos e actinomicetos por grama de solo na camada de 0 a 2,5 cm foram 15, 10 e 4 vezes maiores em relação à camada de 20 a 40 cm, respectivamente. Os parâmetros físicos também são afetados, havendo diferença na estruturação, infiltração de água, temperatura e disponibilidade de água.

No PD as plantas exploram camadas diferenciadas quanto aos aspectos físicos, químicos e biológicos. Essa exploração é desuniforme visto o maior crescimento das raízes nas camadas superficiais, o que poderá influir na nutrição das plantas, facilitando ou dificultando a absorção dos nutrientes. A diferença na nutrição das plantas parece ocorrer com decréscimo na absorção de Zn, B e Mo no PD em relação ao plantio convencional (PC) em trabalho realizado com cultura do milho, embora não tenha ocorrido decréscimo na produção.

O teor de micronutrientes catiônicos (MC) no solo pode sofrer influência do sistema de cultivo, visto que estudos realizados constataram decréscimo nos teores de Fe e Cu nos primeiros 2 cm, havendo a mesma tendência para o Mn. O sistema de cultivo também afeta a forma em que os MC encontram-se no solo, podendo ocorrer acréscimo da forma de Mn e Fe ligados a matéria orgânica e decréscimo na forma trocável e como compostos amorfos de Fe no PD.

A rotação de culturas e a mudança de pH são fatores que interferem na forma do micronutriente no solo. O aumento do pH e o uso de certas rotações de culturas [interferem nas] diferentes [quantidades] de nutrientes absorvidos, a quantidade e qualidade dos compostos orgânicos formados e a velocidade de liberação dos nutrientes absorvidos.

A disponibilidade dos MC para as plantas também sofre [influências]. Tem-se observado comportamento semelhante entre o PD e o Cultivo Mínimo, devido provavelmente ao não revolvimento do solo nos dois sistemas. O PC determinou a homogeneidade das camadas quanto à aração do solo. O Zn e Mn extraídos por HCl 0,1N são maiores nas camadas superiores no PD, concordando com os resultados de estudos realizados em outras condições. Tal fato pode ser justificado pela reciclagem do nutriente, ou ainda o acúmulo do Mn nas frações orgânicas. O comportamento do Zn e Mn extraído foi inversamente [proporcional ao pH como] fator no controle dos elementos extraídos com HCl 0,1N.

Porém pode ocorrer uma compensação, visto que em valores de pH mais elevados, as plantas necessitam maiores quantidades de Mn e Zn extraídos. Outro fato a ser considerado foram os valores maiores de Zn na camada superficial, acompanhada com valores altos de P, que pode propiciar menor disponibilidade de Zn nesta camada. Embora os resultados apresentados anteriormente comprovem maiores teores de Zn nas camadas superficiais e em valores considerados altos, tem sido comum o surgimento de sintomas de deficiência na fase inicial do crescimento do milho, com posterior desaparecimento dos sintomas. Tais fatos têm como possíveis causas o alto teor de P nas camadas superficiais, o uso de altas doses de P no sulco e o pH mais elevado. Sendo recomendado o uso de [formulados] com Zn para estes casos, havendo em alguns casos acréscimo na produção.

O aumento do Cu em profundidade foi também encontrado por outros autores na condição de PD, tal fato deve-se possivelmente ao menor teor do mesmo na planta, influenciando na reciclagem e ao maior poder de absorção das camadas superficiais devido ao maior valor de pH e MO. O menor teor de Fe, geralmente encontrado nas camadas superiores de PD, [não foi confirmado totalmente]: [houve] tendência de acréscimo nas primeiras camadas e posterior decréscimo.

Diversos estudos indicam rápida liberação dos MC contidos em resíduos de leguminosa, que podem vir a contribuir para o crescimento das plantas subsequentes. Algumas culturas causam o surgimento de deficiência de certos MC na cultura posterior, [com queda de] produção, embora a análise do solo não constate decréscimo do MC deficiente no solo. As informações a respeito da rotação de cultura na deficiência de MC são escassas, requerendo mais estudos.

Os teores de MC disponíveis são sujeitos a variação quanto ao processo de secagem da amostra, tempo em que a amostra permanece úmida, aeração, tempo de secagem, época de coleta e outros. Indicando a importância de padronização da amostragem dos mesmos para fins de avaliação da fertilidade, a análise química do solo não deve ser o único instrumento na determinação da disponibilidade, sendo necessário a análise de outros parâmetros do solo e planta. O uso da análise foliar também apresenta limitações, visto que em alguns casos é mais fácil verificar a deficiência de um MC pelo balanço entre os mesmos do que o teor foliar analisando individualmente.

Os MC no PD são ainda pouco estudados e vão exigir maiores atenções dos órgãos de pesquisa. Devido às grandes diferenças neste sistema é necessário um melhor entendimento de alguns conceitos básicos, tais como: amostragem no PD, reciclagem, crescimento de raiz nas diferentes camadas e a concentração de nutrientes em profundidade, para permitir fazer recomendações mais seguras quanto a estes nutrientes, através de calibrações específicas para este sistema.

trabalho científico de Antônio Carlos Vargas Motta (Prof. Msc. UFPR Depto Solos Curitiba). Apresentado no IV Encontro Nacional PD Cruz Alta março/1994. Cobre p13+p14. Análise química 6 solos PD com diferenças acidez+nutrientes. Microbiota UFPR amostra 17 anos PD: 0-2,5 cm tem 15/10/4× mais bactérias/fungos/actinomicetos que 20-40 cm. Decréscimo absorção Zn/B/Mo no PD vs PC milho (sem queda produção). Decréscimo Fe/Cu/Mn nos primeiros 2 cm. PD e CM com comportamento semelhante; PC homogeneíza. Acúmulo Mn frações orgânicas. Recomenda formulados com Zn quando alto P+pH. MC ainda pouco estudados em PD.