ZUCHETTO, UM PIONEIRO + PD NA PEQUENA PROPRIEDADE COOPERA-CARAZINHO
Participando do Seminário de Passo Fundo estava o produtor Aladir Zuchetto, de Campo Novo, um dos pioneiros de plantio direto na sua região. “Iniciei o plantio direto em 1982. Em 1988 quase desisti, por causa do sistema de discos e da guanxuma. Estava selecionando guanxuma mas, com a modificação do tipo de herbicida que usava e do sulcador, resolvi o problema. Cheguei a virar o solo e aplicar calcáreo mas, depois de 88, quando estive num Encontro em Cruz Alta, participei mais e firmei a cabeça.”
“O grande impecilho que não me deixou entrar no plantio direto foram os custos dos herbicidas, com as dosagens ainda hoje apregoadas. Pelo desenvolvimento das tecnologias de aplicação de defensivos foi possível reduzir as dosagens, às vezes até 1/3 do recomendado, desde que bem aplicado. Mesmo considerando apenas os custos, o plantio direto é mais barato hoje em dia, sem considerar as inúmeras vantagens que todos conhecem.”
“A palha é a roda que gira o sistema, é o combustível que alimenta o processo. O principal resultado é um aumento na vida do solo. Quando me perguntam, eu digo que na minha propriedade faço 110% de plantio direto, tal convicção que fui adquirindo, também em função do aumento de rendimentos. Estou arrendando áreas vizinhas, mesmo degradadas, porque, com as novas tecnologias, geradas por entidades como Fundacep, Fundação ABC, CNPT e outras, é possível ter resultados a curto prazo. No ano passado, em áreas degradadas, apesar do verânico que ocorreu, colhemos 2.700 kg/ha.”
COOPERA — PEQUENOS E MÉDIOS
“O plantio direto deve crescer numa escala de 10% ao ano, principalmente entre pequenos e médios”, disse o engenheiro-agrônomo Énio Napp, da Coopera durante a realização do I Seminário de Plantio Direto na Palha do Planalto Gaúcho, no Auditório do CNPT-Embrapa, em Passo Fundo. Segundo Napp, os pequenos e médios têm comparecido aos encontros promovidos pela Coopera, Emater e Clube Amigos da Terra, com um direcionamento do que deverá acontecer nas próximas safras.
Nos cálculos do CAT de Carazinho, o percentual de plantio direto nas lavouras da região está em torno de 10%, nas culturas de verão. No inverno planta-se muitas culturas para cobrir o solo, em função do desestímulo para a cultura do trigo. “A área de cultivo da Coopera — Cooperativa de Carazinho é de 65.000 ha de soja e 15.000 ha de milho”, informou Énio Napp. “A cultura do milho tende a crescer em termos de área plantada, por causa de dois fatores: a boa produtividade e preço conseguido na safra anterior e também os resultados na lavoura de soja que se usou milho na rotação.”
Napp também falou sobre algumas experiências de semeadura direta em campo nativo. “Numa área de Rudi Knopp, um dos pioneiros do sistema na região, foram plantados 5 ha de soja sobre campo bruto, após duas dessecações com 1,5 l/ha de Roundup. Foi impressionante a facilidade com que plantamos, e o resultado foi ótimo: 2.800 kg/ha.” Outras experiências numa lavoura da região chegaram a render 3.000 kg/ha. “São apenas experiências, mas elas direcionam para o fato de que talvez seja mais fácil fazer plantio direto no campo nativo do que em lavoura cultivada com preparo convencional.”
2 perfis Seminário PF: 1) Aladir Zuchetto (Campo Novo-RS, PD desde 1982) — '110% de plantio direto', arrenda áreas degradadas, 2.700 kg/ha mesmo em ano de veranico; redução 1/3 dosagem herbicida com aplicação correta. 2) Coopera Carazinho: 65.000 ha soja + 15.000 ha milho. Énio Napp (DT) — PD deve crescer 10% ao ano pequenos/médios, ~10% lavouras região. Experiência PD em campo nativo Rudi Knopp (5 ha soja, 2 dessecações Roundup 1,5 l/ha → 2.800 kg/ha). Outra área 3.000 kg/ha. PD em campo nativo mais fácil que em lavoura convencional.