X SEMINÁRIO DO PLANTIO DIRETO DE ARROZ FOI O MELHOR
A décima edição do Seminário do Plantio Direto de Arroz, promovido pelo Clube do Plantio Direto de Arroz com Cultivo Mínimo de Arroz Irrigado sob o patrocínio da Monsanto e da Semeato, recebeu participantes de diversas regiões do país, confirmando a sua importância ao desenvolvimento do setor. Produtores, técnicos, pesquisadores, entidades, líderes de opinião, deputados das bancadas ruralistas, debateram durante três dias na cidade de Gramado a técnica do plantio direto.
Segundo dados do IRGA, 27% dos quase um milhão de hectares cultivados de arroz irrigado são de plantio direto e cultivo mínimo. A produtividade alcançou 4.500 kg/hectare na última safra. Esta queda em relação à safra anterior deve-se principalmente às condições climáticas desfavoráveis. Secas e chuvas fora de época ocasionam pouca luminosidade e alongamento do ciclo do arroz e consequentemente doenças e queda de produtividade. Com o plantio direto o aumento do número de pragas pode ser evitado pelos produtores. Um maior cuidado com o solo e a ecologia são características básicas de programas agrícolas com a utilização do plantio direto.
Na abertura do X Seminário do Plantio Direto de Arroz, Manuel Henrique Pereira, produtor do Paraná e presidente da Federação Nacional de Plantio Direto na Palha, salientou a importância desta técnica no contexto da agricultura nacional. Existem propriedades no Paraná que há vinte anos praticam o plantio direto com notável sucesso. “O Rio Grande do Sul dispõe de um ótimo banco de informações e um expressivo desenvolvimento na área científica. É necessário que trabalhos como o do Clube do Plantio Direto com o apoio das empresas ligadas ao setor divulguem a tecnologia, pioneira no Brasil em termos de arroz irrigado. As estimativas otimistas são de que para o ano agrícola de 94/95, quatro milhões de hectares sejam de plantio direto em todo o país”, afirmou Pereira.
10 ANOS DE VANGUARDA — Eurico Faria Dorneles, presidente do Clube do Plantio Direto com Cultivo Mínimo de Arroz Irrigado, salientou a grande procura por eventos técnicos como o X Seminário e a importância desta edição que comemora os 10 anos da entidade. “O Rio Grande do Sul oferece inúmeras condições e as melhores tecnologias estão sendo exportadas pelas propriedades rurais daqui. O Plantio Direto preocupa-se com a estabilidade do solo, o controle da erosão e o aumento da fertilidade. Consequentemente busca regular os custos da lavoura, objetivo de todo produtor”, afirmou Dorneles.
“O Rio Grande do Sul tem condições de ser o celeiro do Brasil e o Brasil tem condições de ser o celeiro do mundo”, disse o Presidente do Clube do Plantio Direto, durante a realização do X Seminário, em Gramado. Para ele, muitos assuntos técnicos foram debatidos pela categoria mas o setor passa por um período difícil e o momento é para usar a criatividade e encontrar saídas para a crise. “Cremos que, quando fecha uma porta, outras são abertas”, enfatizou Eurico Dornelles. “O 10º Seminário comprovou que nós temos a melhor tecnologia do mundo mas, para completar, precisamos fazer esse ciclo chegar ao consumidor. Não adianta nós fazermos um esforço para produzir bem e barato.”
Para o presidente do CPDAI, depois que sai da porteira da fazenda, o arroz recebe 36% de taxas. Além disso, o transporte é caro, porque não existem opções ferroviárias ou fluviais. O arroz entregue no Norte do País é mais caro do que aquele que vem pelo oceano, do outro lado do mundo. “O Governo acha mais fácil importar arroz”, enfatizou Dornelles. “Isso significa dar trabalho para os países de origem. Se nós não tivéssemos terra nem tecnologia, tudo bem. Além disso, competimos com produtos subsidiados, como o norte-americano, cujo preço de produção é de US$ 12,00 e é vendido para outros países, como o Brasil, a US$ 6,00.”
X Seminário PD de Arroz, Gramado-RS, junho/1994. Promoção Clube do PD com Cultivo Mínimo de Arroz Irrigado, patrocínio Monsanto e Semeato. Comemoração 10 anos da entidade. Dados IRGA: 27% dos ~1 milhão ha de arroz irrigado em PD/cultivo mínimo. Produtividade 4.500 kg/ha (queda condições climáticas). Citações: Manoel Henrique Pereira (FBPDP, na abertura — estimativa otimista 4 milhões ha PD em 94/95 BR); Eurico Faria Dorneles (presidente CPDAI). Crítica governo importar arroz — taxação 36% após porteira, transporte caro, arroz norte-americano subsidiado (custo US$ 12, vendido US$ 6).