ENCONTRO DE MINEIROS — PLANTIO DIRETO SE DESENVOLVE NO SUDOESTE DE GOIÁS
Os organizadores do Encontro de Plantio Direto de Mineiros-GO, realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio, ficaram surpresos com a fluência de quase 400 pessoas, agricultores e técnicos de várias regiões do Sudoeste goiano e Mato Grosso, que lá estiveram.
Domingos Pazinatto, gaúcho, proprietário da fazenda onde foram feitas as demonstrações, está muito feliz com o plantio direto em sua área, embora ainda tenha itens por equacionar. “Quando comecei o plantio direto, em 30 ha, no ano de 1988, meus vizinhos e os empregados me chamavam de louco”, disse ele, no intervalo do churrasco, ao Jornal do Plantio Direto. “Era um macegal com um metro de altura, mas acabei colhendo uma média de 60 s/ha nesses 30 ha. No segundo ano, passei para 170 ha e hoje o sistema ocupa cerca de 60% da área total de 700 ha.”
Pazinatto disse que a produtividade tem aumentado com o plantio direto. “Nesta última safra de soja, plantei só variedades precoces, para dar tempo de semear a safrinha (700 ha!), prevendo uma média de 40 s/ha na soja. Acabei colhendo 48 s/ha, limpo e seco.” Apesar de feliz com o sistema, que é mais econômico (são 1.400 ha de planta/ano com dois tratores, duas colhedoras, duas plantadeiras e 3 peões fixos), existem alguns problemas por solucionar, como o aparecimento do capim do brejo e os tatus e cupins, que obrigaram a dar uma gradeada numa área que já estava com 3 anos sem mexer. “Graças a Deus que não teve erosão, havia uma boa palhada.” Nos chapadões maiores ele já desmanchou os terraços porque é muito mais prático, não dá arremates, o serviço rende mais e a palha não deixa dar erosão.
FAEDO — “Se tivesse um fator bom, até que eu ficava satisfeito, mas não vejo nenhum.” Quem assim se manifestou, de forma enfática, foi Flávio Faedo, um produtor de Rio Verde, Presidente do Clube Amigos da Terra daquele município goiano, que fez uma das palestras do Encontro de Mineiros. Mineiros reuniu, em poucas horas, palestras de algumas das pessoas mais importantes na batalha pelo desenvolvimento do plantio direto no Cerrado e no Brasil, como Manoel Henrique Pereira, Márcio Scaléa, Américo Meinicke, Luiz Albino Bonamigo, entre outros. Faedo é gaúcho da região de Passo Fundo, formado em Administração Rural.
“Não adianta fazer curva de nível bem feita se caem chuvas de 120 mm em menos de uma hora”, disse ele durante sua exposição. “Sem cobertura, o solo vai se desagregando, não existe vida biológica nem microorganismo que resista a tudo isso. Se você passar de uma temperatura de 40-50 graus de dia para 15 graus à noite, não existe corpo que agüente. Imagine então os microorganismos, que são mais sensíveis. Além de tudo, a compactação que as passagens de grade e arado proporcionam. Não é o plantio direto que deixa o solo compactado, ao contrário.” “O pessoal já está cheio de tantos slides de erosão. Mas se trata de uma realidade. O plantio convencional causa erosão, contaminação, ocorrem perdas de fertilizantes, de calcário, sementes, umidade, temperatura, perde vida, desagrega; só vejo alinhar-se fatores contra o preparo com arado e grade.”
POOL DE EMPRESAS — Para Henry Schneider, da Monsanto, um dos coordenadores do Pool de Empresas que realizou o evento de Mineiros e Tangará da Serra (MT), “há 10 anos que se fala em plantio direto nos Cerrados mas somente há três anos que a adoção do sistema disparou e está difícil de segurar, de fazer um acompanhamento. Por isso o objetivo do Pool é formar pessoas, engenheiros agrônomos, técnicos, dar suporte às cooperativas, escritórios de planejamento, enfim, atender a essa demanda de tecnologia que o boom de plantio direto no Cerrado está gerando.”
Schneider afirma que o PD ocupa atualmente algo em torno de 10% de toda a área do Cerrado, concentrando-se em regiões como Jataí, Rio Verde, Mineiros, São Gabriel, Primavera do Leste, etc. Uma das causas do crescimento é que muitos produtores e técnicos atualmente no Cerrado já faziam plantio direto no Sul, o que tem facilitado a evolução do sistema, apesar das diferenças de solo e clima.
“O encontro atingiu plenamente seus objetivos”, disse o Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Mineiros, César Augusto Sandri. “Esperávamos um máximo de 300 pessoas. O evento foi proposto e realizado porque a região começou a despertar para o plantio direto e, para responder as dúvidas existentes, os promotores resolveram reunir palestrantes que trouxessem mais informações para os produtores e técnicos locais. Nós acreditamos na evolução do plantio direto porque o sistema alia baixos custos com preservação do solo. Os solos da região de Mineiros são todos sujeitos a erosão, e o que mais influencia são as chuvas torrenciais que caem como verdadeiras bombas por aqui.”
DIA DE CAMPO — No último dia do Encontro, foi realizado um dia de campo na fazenda de Domingos Pazinatto, a 20 km da cidade. Foram feitas demonstrações de máquinas semeadoras SLC, Baldan, Semeato e Jumil, além do pulverizador especial de Jacto e do escarificador da Stara. A Semeadora da Semeato foi demonstrada no plantio direto sobre braquiária, com uma excelente semeadura. O uso dessa pastagem como cobertura abre uma fronteira de milhões de hectares no Cerrado para o plantio direto.
A Associação dos Agrônomos de Mineiros, que apoiou a realização do evento promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e pelo Pool de Empresas de Pós-Emergentes (BASF, DowElanco, Cyanamid, Hoechst, Monsanto, Manah, Zeneca Agrícola e Sementes), além das empresas de equipamentos Baldan, SLC, Jumil, Jacto, Semeato e Stara, deverá continuar a divulgar o sistema, porque se trata do futuro da agricultura.
Encontro PD Mineiros-GO, 24-26/maio/1994, ~400 pessoas. Fazenda Domingos Pazinatto (700 ha, 60% PD desde 1988, soja 48 s/ha última safra com variedades precoces, 1.400 ha planta/ano com 2 tratores/colhedoras/plantadeiras + 3 peões fixos). Citações: Pazinatto, Flávio Faedo (CAT Rio Verde, gaúcho de PF), César Augusto Sandri (Pres. Assoc. Eng. Agrônomos Mineiros), Henry Schneider (Monsanto, coord. Pool Empresas — PD no Cerrado ~10% área). Pool: BASF, DowElanco, Cyanamid, Hoechst, Monsanto, Manah, Zeneca; equipamentos: Baldan, SLC, Jumil, Jacto, Semeato, Stara. Palestras Manoel Pereira, Márcio Scaléa, Américo Meinicke, Luiz Albino Bonamigo. Dia campo: Semeato sobre braquiária.