Paraná: Preocupação com Nematóide da Soja (CNPSo/Embrapa)


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Publicado em: 30/08/1994

PARANÁ: PREOCUPAÇÃO COM NEMATÓIDE DA SOJA

Especialistas do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSo/Embrapa) estão preocupados com a possibilidade de incidência do nematóide de cisto nas lavouras de soja do Estado do Paraná. Uma das mais sérias doenças que apareceu nos últimos anos, o nematóide já causou prejuízos superiores a 24 milhões de dólares. Na safra 93/94 a estimativa de área afetada foi de 1 milhão de hectares só na região dos cerrados.

Causado por um verme microscópico que vive no solo e suga as raízes das plantas, a doença vem tirando o sono e os lucros de produtores dos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, que viram a produção de suas lavouras seriamente comprometida. Plantas nanicas e com folhas amareladas são os principais sintomas que identificam a presença do verme, alerta o pesquisador José Tadashi Yorinori, quem mais entende de doenças de soja no Brasil.

E por conhecer muito bem o poder de destruição do verme — cientificamente conhecido por Heterodera glycines — é que Tadashi está fazendo uma verdadeira campanha de esclarecimento aos produtores para que não facilitem a entrada do nematóide no estado. Uma vez instalado no solo, o verme passa a ser parte integrante da terra e o que é pior, um “sócio” na produção das lavouras.

“Uma das prioridades das pesquisas desenvolvidas no CNPSo é a busca de alternativas de controle e convivência com a doença”, diz Aureo Lantmann, chefe técnico da instituição. “Os pesquisadores em melhoramento genético de variedades de soja trabalham a todo vapor e já têm, inclusive, plantas resistentes à ação do verme.” Segundo o melhorista Romeu Kiihl, um dos trabalhos prioritários dos melhoristas do CNPSo daqui por diante é embutir em cada uma das plantas que estão sendo desenvolvidas nos laboratórios e casas de vegetação, o que eles chamam de boas características agronômicas. Ou melhor, criar plantas que além de resistência genética ao nematóide tenham qualidades que os agricultores não dispensam: bom potencial produtivo, bom teor de proteína e óleo, porte adequado para a colheita, dentre outras.

MEDIDAS SANITÁRIAS — Pela velocidade com que o nematóide vem se espalhando pelo Brasil, uma das primeiras medidas que os pesquisadores do CNPSo recomendam aos produtores paranaenses são as preventivas. Segundo Tadashi, o verme pode ser trazido através do tráfego de máquinas e implementos agrícolas nas áreas afetadas. Outro meio de transporte do nematóide pode ser o próprio produtor ou pessoas que trabalham ou transitam nas plantações, que podem se tornar importantes agentes disseminadores, através de seus sapatos impregnados de terra. As sementes são outros importantes meios de transporte do patógeno. Não se pode esquecer que as sementes, quando colhidas, podem ter partículas de solo aderidas a elas. O vento, a água das chuvas e de irrigação e até pássaros podem ser agentes disseminadores do nematóide de cisto.

Yorinori alerta também para a necessidade de vistoriar periodicamente a plantação de soja, quando esta já estiver no campo. Plantas nanicas com folhas amareladas podem indicar que o verme está atacando as raízes. Produtores que costumam dedicar-se à exploração da monocultura da soja estão mais sujeitos a terem suas lavouras infestadas pelo nematóide. Uma das medidas indicadas segundo recomendações do CNPSo é a adoção imediata da rotação de culturas com espécies não preferidas pelo nematóide, como milho, sorgo, cana-de-açúcar, arroz, algodão e outras gramíneas.

Cuidados permanentes que o agricultor deve ter é o de vistoriar periodicamente a lavoura para detectar a tempo qualquer irregularidade; ele deve evitar o máximo de perda na colheita e eliminar as plantas guaxas para não multiplicarem o nematóide na entressafra e movimentarem o solo o mínimo possível.

matéria sobre nematóide de cisto (Heterodera glycines) — prejuízos +US$ 24 milhões; safra 93/94 1 milhão ha afetada cerrados (MG, MT, MS, GO, SP). Sintomas: plantas nanicas, folhas amareladas. Citações: José Tadashi Yorinori (CNPSo, máximo conhecedor doenças soja BR); Aureo Lantmann (chefe técnico CNPSo); Romeu Kiihl (melhorista, variedades resistentes). Medidas preventivas: evitar tráfego de máquinas/sapatos/animais de regiões afetadas, cuidado com sementes, vento+chuva+irrigação+pássaros. Recomendação: rotação com milho, sorgo, cana-de-açúcar, arroz, algodão, gramíneas. Eliminar plantas guaxas.