PESQUISA DE PLANTIO DIRETO EVOLUI NO PARANÁ
10 dos 15 trabalhos de tese que estão sendo desenvolvidos pelos estudantes de Pós-Graduação em Ciências do Solo na área do plantio direto foram mostrados e debatidos durante o I Encontro de Pesquisa em Plantio Direto, realizado em Curitiba nos dias 16 e 17 de junho. No sábado, dia 18, os participantes estiveram no Campo Experimental da Cooperativa Batavo, em Carambeí, e na Fazenda de Nonô Pereira, em Palmeira.
“O evento permitiu uma troca de experiências, ao mesmo tempo que os professores vêem o reflexo dos seus estudos. A utilização dos resultados a campo trazem a experiência dos produtores e pontos que ainda devem ser pesquisados. Isso é muito importante: saber que pontos devem ser atacados na continuação, a linha de pesquisa.” As declarações foram da Professora Beatriz Montserrat Prevedelo, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Agronomia, área de Ciências do Solo, que trabalhou na organização do Encontro. Para ela, “esse evento foi importante porque valoriza a pesquisa e o debate de plantio direto, que é uma forma de reverter o que está se fazendo ao nível de campo.”
Os trabalhos de pesquisa são feitos em convênio com a Fundação ABC, de Castro, há cerca de 10 anos. “Inicialmente começamos com trabalhos de meso e macro fauna do solo”, informou o Professor Antonio Carlos Motta, da UFP. “Depois, partimos para as áreas de física e manejo do solo. Hoje, desenvolvemos também trabalhos em microbiologia e fertilidade do solo.”
João Motta realiza seu trabalho sobre o uso de plantio direto na recuperação de áreas degradadas pela mineração, no caso com forrageiras. O estudo, iniciado pelos professores Luiz Luchese e Anibal de Moraes, do Departamento de Fitotecnia, possibilita a reincorporação de áreas degradadas ao processo produtivo. “A área piloto é de 30 ha”, informou Motta, “dentro de uma área maior de 5.000 ha em São Mateus do Sul-PR pertencentes à Petrobrás. Já estamos produzindo leite, numa integração silvopastoril.”
VIDA E RECUPERAÇÃO DO SOLO — Entre outros importantes trabalhos de pesquisa que estão sendo levados na UFP, na área de plantio direto, destaca-se a biologia do solo, onde fica claro que o sistema plantio direto é biologicamente bem diferente em relação ao preparo convencional. O biólogo Carlos B. Tanck, que realiza pós-graduação no Departamento de Solos, pesquisou a influência dos sistemas de cultivo convencional e direto na população de minhocas. “Meu trabalho foi baseado em duas áreas, sendo que a de plantio direto (Fazenda Frankana, de Carambeí) tem 18 anos de cultivo sem lavração”, disse Tanck ao Jornal do Plantio Direto. “Fizemos levantamento populacional através da contagem numérica durante um ano. Além disso, utilizamos uma medida de peso para avaliar a biomassa desses organismos. Os resultados são significativos, dando conta que o não revolvimento no plantio direto e a manutenção da matéria orgânica beneficiam grandemente a população de minhocas.”
Eng° Agr° João Carlos de Moraes Sá (Fundação ABC): “Esse evento foi fruto de um trabalho que se iniciou em 1988, através de um projeto de pesquisa desenvolvido em conjunto, entre a Fundação ABC (área de fertilidade de solos) e o Departamento de Solos da Universidade Federal do Paraná. O objetivo foi estudar o potencial produtivo de um latossolo vermelho escuro em plantio direto, sob efeito de métodos de [manejo], instalado no campo demonstrativo e experimental Batavo, em Carambeí. Duas linhas básicas de pesquisas foram estabelecidas: o estudo das propriedades físicas, sob coordenação do professor Glaucio Roloff pelo Departamento de Solos, e as propriedades químicas, pela Fundação ABC. Foi elaborado um projeto com duração para dez anos. As teses publicadas foram sobre resistência à penetração x compactação em condições de tráfego controlado, estudo de raízes e estudo da dinâmica da água no solo. Em 1992, fui liberado pela Fundação ABC, para fazer pós-graduação em nível de mestrado em solos da UFPR. O objetivo foi tentar esclarecer alguns aspectos da dinâmica do fósforo no plantio direto. Até o momento, 10 teses (concluídas e em desenvolvimento) foram desenvolvidas na região de atuação da Fundação ABC. O dia de campo na estação experimental Batavo-Carambeí e na Fazenda Agripastos de propriedade do Sr. Manoel Henrique Pereira culminou com a avaliação e debate das situações.”
I Encontro de Pesquisa em PD, Curitiba 16-17/jun/1994 (sábado dia 18, dia de campo Batavo Carambeí + Fazenda Nonô Pereira Palmeira). 10 dos 15 trabalhos de tese Pós-Graduação UFPR área PD. Citações: Beatriz Montserrat Prevedelo (Coord. Curso Pós-Graduação Agronomia área Ciências Solo); Antonio Carlos Motta (Departamento Solos UFP); João Motta (uso PD recuperação áreas mineração — São Mateus do Sul-PR Petrobrás 5.000 ha); Carlos B. Tanck (biólogo, minhocas em PD vs convencional Fazenda Frankana Carambeí 18 anos); João Carlos de Moraes Sá (Fundação ABC, projeto iniciado 1988 com UFPR, latossolo vermelho escuro, Glaucio Roloff propriedades físicas).