Fenologia do Milho — Estádios 0 a 10 (extraído de Braskalb 89, A. L. Fancelli)


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Publicado em: 30/08/1994

FENOLOGIA DO MILHO

Resumo dos principais eventos fisiológicos evidenciados dentro de cada estádio fenológico e sua utilização para a previsão de comportamento e produção.

ESTÁDIO 0 (Germinação e emergência) — Embebição, preparação e germinação. Temperatura mínima para germinação = 10ºC. Temperaturas próximas ou abaixo de 0ºC, antes da emergência e principalmente por ocasião da embebição, ocasiona consideráveis taxas de mortalidade de sementes, além de plântulas anormais (efeito decisivamente dependente do vigor das sementes e do tempo de duração das condições climáticas desfavoráveis). Tempo para emergência = 4 a 15 dias. Temperatura adequada para a germinação = 20 a 30ºC. Crescimento das raízes seminais.

ESTÁDIO 1 (Planta com 4 folhas) — Início da senescência das raízes primárias ou seminais. Desenvolvimento das raízes adventícias (raízes “verdadeiras”, a partir da base dos nós subterrâneos do colmo). O ponto de crescimento (tecidos meristemáticos) encontra-se abaixo da superfície do solo. Por ocasião da emissão da 5ª folha, ocorre o início da diferenciação do pendão, das folhas e da espiga (ponto de definição da produção potencial e ocorre em média 20 dias após a emergência). Granizo, geadas leves e pragas desfolhadoras não afetam significativamente a produção neste estádio. Após a diferenciação floral, o ponto de crescimento atinge a superfície do solo e a demanda de água e nutrientes aumenta (emissão da 6ª folha).

ESTÁDIO 2 (Planta com 8 folhas) — Conhecida como “fase de cartucho”. Raízes adventícias continuam crescendo. Colmos em fase de crescimento (altura e diâmetro). Início do crescimento do pendão (o crescimento da espiga será iniciado 5 a 7 dias após para garantir o fenômeno da protandria). Aumento da tolerância ao encharcamento. A baixa disponibilidade hídrica nesse estádio contribuirá para os colmos ficarem finos e as plantas reduzirem seu porte (altura e área foliar). Destruição de folhas superiores nesse estádio poderá ocasionar perdas na produção da ordem de 10 a 20% (principal problema = lagarta-do-cartucho).

ESTÁDIO 3 (Plantas com 12 folhas) — Planta atinge sua máxima área foliar (85% das folhas formadas, encontram-se desenroladas). Pode-se evidenciar a perda de 2 a 4 folhas. Início da formação dos esporões (raízes adventícias aéreas), que apresentam funções de sustentação. Estádio de máximo metabolismo da planta. Neste estádio inicia-se o período mais crítico quanto à falta de água. No final desse período (fase de “emborrachamento”) ocorre o período crítico de determinação do tamanho da espiga (muita atenção!).

ESTÁDIO 4 (Emissão do pendão) — Todas as folhas já estão desenroladas e ocorre o aparecimento do pendão ou panícula. Espigas jovens estão claramente visíveis, apresentando crescimento bastante acentuado. Falta de água (estresse hídrico) afeta o sincronismo da [polinização], atrapalhando a produção. Estresse hídrico nesse estádio antecipa a liberação dos grãos de pólen, podendo provocar então espigas falhas, com pontas sem grãos.

ESTÁDIO 5 (Florescimento) — Exposição das anteras (pendão de tamanho médio produz em média 2,5 milhões de grãos de pólen). Receptividade dos cabelos da espiga (estilo-estigmas) inicia-se 3 a 5 dias após o início da liberação de pólen (= garantia da polinização cruzada = planta alógama). Estresse hídrico e temperatura elevada (acima de 35ºC) podem reduzir drasticamente a produção. Alta sensibilidade a solos encharcados.

ESTÁDIO 6 (Grãos leitosos) — Acentuada translocação de fotoassimilados (açúcar = substâncias solúveis). Sabugo, palha e pedúnculo atingem desenvolvimento completo. Início da formação do embrião (diferenciação do coleoptilo, radícula e folhas primárias). Falta de água nesse período provoca a perda de produção baseada na redução do peso e tamanho de grãos. Nesse estádio pode-se iniciar a manifestação de doenças (principalmente do colmo) em grande intensidade, caso ocorra período climático desfavorável à fotossíntese (excesso de chuva, falta de chuva, pragas, alta nebulosidade, baixa temperatura, além de outros).

ESTÁDIO 7 (Grãos pastosos) — Acúmulo de amido no endosperma (aumento da consistência do grão). Eixo embrionário devidamente diferenciado (na semente).

ESTÁDIO 8 (Grãos em início de formação de “dente”) — Embrião em franco crescimento. Grãos assumindo sua forma característica.

ESTÁDIO 9 (Grãos “dentados”) — Paralização do acúmulo de matéria seca na semente.

ESTÁDIO 10 (Maturidade fisiológica) — Caracterizado pelo aparecimento da camada preta (camada de abscissão). Umidade do grão entre 30 a 37%. Cultivares precoces atingem esse estádio com teor de água (ou grau de umidade) mais baixo, em comparação aos cultivares normais. Ponto de máximo peso de matéria seca e máximo vigor das sementes (deveria ser o ponto ideal de colheita para sementes). Senescência natural e pronunciada das folhas. Momento adequado para avaliar o “stay green”.

Extraído da publicação Braskalb 89 — Técnica Mundial em Sementes — Autor: A. L. Fancelli, adaptado de Hanway (1966).

artigo técnico extraído da publicação Braskalb 89 (autor: A. L. Fancelli, adaptado de Hanway 1966). Os 10 estádios do milho: Estádio 0 (Germinação 4-15 dias, temp ideal 20-30°C); 1 (4 folhas, raízes adventícias, 5ª folha = diferenciação pendão/espiga); 2 (8 folhas, fase cartucho, lagarta-do-cartucho); 3 (12 folhas, máxima área foliar, emborrachamento); 4 (Emissão pendão, espigas visíveis, estresse hídrico); 5 (Florescimento, ~2,5 milhões grãos pólen, temp >35°C reduz produção); 6 (Grãos leitosos); 7 (Grãos pastosos); 8 (Início dente); 9 (Grãos dentados); 10 (Maturidade fisiológica, camada preta, umidade 30-37%).