A cultura do milho na rotação no Plantio Direto + Recomendações de semeadura


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Publicado em: 30/08/1994

A CULTURA DO MILHO NA ROTAÇÃO NO PLANTIO DIRETO

Atualmente o desenvolvimento de sistemas de produção que objetivem o aproveitamento satisfatório do solo e da água, tais como o plantio direto (semeadura direta) e o cultivo mínimo, têm se mostrado como uma importante alternativa para a concretização de uma agricultura racional e eficiente.

Para tanto, a utilização de programas de rotação de culturas apropriados assume grande importância para a viabilização de sistemas de produção fundamentados no revolvimento mínimo do solo. Cumpre ressaltar que a diversificação de culturas, além de propiciar maior aproveitamento dos recursos ambientais e maior estabilidade econômica, induz ao reestabelecimento do equilíbrio biológico debilitado pela monocultura intensiva. Dentro deste contexto, a cultura do milho apresenta-se como relevante elemento de diversificação, em decorrência de se constituir em uma espécie extremamente versátil, competitiva, responsiva, de fácil manejo e apresentar elevado potencial de produção.

1 - Contribuição para a manutenção da cobertura morta e matéria orgânica do solo — A acentuada quantidade de palhada ou resteva devolvida ao solo pela cultura do milho contribuirá, sobremaneira, para a manutenção de índices adequados de matéria orgânica no solo, para o favorecimento da infiltração e conservação de água, para a redução do processo de desagregação do solo, além de aumentar seu potencial biótico.

2 - Contribuição para o controle de plantas invasoras — Pelas pesquisas desenvolvidas pelo IAPAR, ESALQ e Fundação ABC, observou-se a menor incidência de plantas invasoras na cultura da soja cultivada após milho. Ainda, a diversificação de culturas promoveu, também, a variação dos herbicidas utilizados evitando-se os efeitos de seletividade de plantas invasoras comumente evidenciados em monocultivos. Da mesma forma, estudos realizados pela IAC mostraram que a participação de gramíneas, sobretudo milho, em diferentes sistemas de rotação de culturas utilizadas no Estado de São Paulo, foi responsável pela menor ocorrência de plantas invasoras por metro quadrado, em plantio direto.

3 - Contribuição na redução de pragas e doenças — O emprego da cultura do milho, em plantio direto, tem sido responsável pela redução da incidência de rizoctoniose, podridão cinzenta e cancro da haste na cultura da soja; bem como tem contribuído para a diminuição de pulgões, insetos sugadores, tripes, elasmo e larva angorá em inúmeras culturas, além da cigarrinha verde do feijão e a broca do algodoeiro. Ainda, a presença de resteva, em abundância, recobrindo o solo, favorecerá a conservação de umidade, equilíbrio de nutrientes e elevado potencial biótico do solo, reduzindo o estresse de planta, que constitui o fator primordial de determinação da suscetibilidade a insetos-pragas e patógenos.

4 - Contribuição na produtividade de outras culturas — Muitos trabalhos têm relatado a participação do milho no incremento e produção de feijão, trigo, algodão, amendoim e soja. Da mesma forma, a produtividade do milho também tem sido favorecida por outras culturas, notadamente da soja, pelo efeito básico de diversificação, bem como pelo aproveitamento do nitrogênio fixado por esta leguminosa. Assim, independentemente do uso do milho em plantio direto, o desenvolvimento de programas de rotação de culturas apropriadas e vença aproveitamento da mão-de-obra e equipamentos disponíveis [resultará] em melhor fluxo de entrada de receitas, beneficiando a estabilidade e capitalização da empresa agrícola. Sob ponto de vista da agronomia, [a rotação] tem sido responsável pelo restabelecimento do equilíbrio biológico debilitado pelas monoculturas intensivas. Tal prática desponta como racional, viável, fundamentada em sistemas de produção agrícola racionais e eficientes.

UM MOMENTO IMPORTANTE QUE EXIGE ATENÇÃO

A semeadura é uma etapa relevante para a obtenção de colheitas lucrativas, seja qual for o tipo de implemento, máquina ou ferramenta utilizados, exigindo para isso, muita atenção e critério. Assim, para que a referida operação se processe de forma adequada, recomenda-se: 1) Proceder regulagem da semeadura com 15 dias de antecedência, em relação à data de semeadura; 2) Testar e lubrificar todos os órgãos ativos da máquina; 3) Não ultrapassar a velocidade [recomendada]; 4) Não dispensar a verificação do serviço da semeadura (durante o trabalho) através de um elemento treinado, que deverá acompanhar a mencionada operação; 5) Confirmar, sempre que possível, a regulagem da semeadora durante a jornada de trabalho; 6) Calcular o número de sementes a ser colocado no sulco, mediante uso da fórmula: Nº de sementes/m = (Nº de plantas/m desejadas na colheita × 10.000) / (% Germinação × % Pureza Física × Fator de segurança).

artigo técnico abordando 4 contribuições do milho no PD: 1) Manutenção da cobertura morta e M.O.; 2) Controle de plantas invasoras (pesquisas IAPAR/ESALQ/F.ABC + IAC); 3) Redução de pragas e doenças (rizoctoniose, podridão cinzenta, cancro haste, pulgões, tripes, elasmo, larva angorá, cigarrinha verde feijão, broca algodoeiro); 4) Contribuição na produtividade de outras culturas (feijão, trigo, algodão, amendoim, soja). Recomendações de semeadura (regulagem 15 dias, fórmula nº sementes/m). Sem assinatura individual.