ESTRATÉGIAS E TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DE HERBICIDAS
José Ruedell
Para se obter sucesso no controle químico de invasoras, necessita-se de herbicidas eficientes, equipamentos e condições de ambiente adequados. Muitos são os trabalhos desenvolvidos para avaliar herbicidas. No entanto, comparativamente, poucas são as pesquisas preocupadas com as condições de ambiente e o equipamento utilizado nas pulverizações.
Com os herbicidas atualmente disponíveis no mercado, praticamente tem-se a solução para o controle químico da maioria das “plantas daninhas” ocorrentes. Na prática, os resultados têm sido técnica e economicamente menos satisfatórios, em função do desconhecimento sobre bicos de aplicação e por desconsideração para com as condições de ambiente (temperatura, umidades do ar e solo, ventos, orvalho e horários).
Trabalhos de pesquisas em andamento mostram que a umidade relativa do ar é o fator do meio ambiente que mais influencia a eficiência dos herbicidas de manejo no plantio direto e pós-emergentes seletivos. Normalmente, a umidade relativa do ar é deficiente nos meses de outubro e fevereiro, entre as 10h da manhã e as 18h (Figura 1). Em alguns dias, principalmente 1 a 2 após as chuvas, a umidade pode se manter alta por um período maior durante o dia. No entanto, esta certeza dos dias e o período do dia com umidade igual ou superior a 55% (o ideal seria maior que 70%) só será conhecida através do acompanhamento de leituras realizadas em aparelhos específicos. Para este caso, são mais sensíveis em captar a mudança de umidade relativa do ar aqueles aparelhos que se baseiam em tabelas elaboradas a partir da diferença das temperaturas do termômetro de bulbo seco em relação ao de bulbo úmido.
Quando a umidade relativa do ar é inferior a 55%, as plantas desenvolvem mecanismos de defesa para evitar perdas de água, tais como: fechamentos dos estômatos e uma maior concentração de “ceras” nas camadas mais externas das células das folhas. Também ocorre formação de uma película de “cera” sobre a superfície foliar, principalmente em períodos de déficit hídrico. Se estes mecanismos se desenvolvem para diminuir a perda de água (transpiração), por sua vez, também dificultam a entrada de produtos (herbicidas), que são aplicados utilizando-se a água como veículo. Neste caso, em condições de baixa umidade relativa do ar, os herbicidas têm dificuldades de serem absorvidos pelas plantas. Em consequência, o efeito dos herbicidas é diminuído em tal nível que um aumento da dose não consegue compensar o decréscimo da absorção.
Como exemplo, cita-se o trabalho de SHANER (1989), no qual foi verificado uma absorção em torno de 60% do herbicida que atingiu a superfície foliar, numa condição de umidade relativa do ar alta (98%), enquanto que foi absorvido apenas em torno de 20% do herbicida quando o mesmo foi aplicado numa condição de 50% de umidade relativa do ar. Isto não significa que todos os produtos vão reagir desta forma. No entanto, é ressaltada com este trabalho a importância de uma adequada umidade relativa do ar para se obter bons níveis de absorção (Figura 2).
Para melhorar o contato entre a superfície foliar e a calda aplicada, pode-se utilizar os adjuvantes (óleos minerais ou vegetais e surfactantes). Estes produtos têm a função de tirar a tensão que existe entre a cera da superfície foliar e a calda pulverizada, espalhando-a sobre a área foliar e, consequentemente, aumentando a velocidade de absorção. A utilização de adjuvantes pode ser encarada como um seguro da aplicação. O efeito fica mais evidenciado quando as condições de ambiente desfavorecem a absorção.
No entanto, deve-se conhecer a reação dos herbicidas quando da utilização de adjuvantes. Alguns herbicidas aumentaram de tal forma a velocidade de absorção, que a sua seletividade com a soja fica prejudicada. Por outro lado, este aumento na velocidade de absorção pode diminuir os riscos devido a lavagem dos produtos por chuvas que ocorram após a aplicação. Por isso, deve-se seguir as recomendações técnicas de cada produto.
A luminosidade também necessita estar presente no momento da aplicação ou algumas horas após. Normalmente, aplicações realizadas em dias sombrios ou à noite, aos quais se segue uma chuva, são de baixa eficiência no controle de invasoras. Desta forma, aplicações sem luminosidade adequada só seriam recomendáveis na certeza da ocorrência da mesma nas próximas horas.
Outro aspecto no qual a umidade relativa do ar se torna muito importante é quanto à vida útil das gotas de pulverização. Nas aplicações convencionais, 10 a 15% do volume é formado por gotas com diâmetro menor que 100 micras. Conforme a Figura 3, gotas com este diâmetro têm uma duração de poucos segundos em condições de baixa umidade relativa do ar. Além do mais, a [evaporação pode fazer com que a gota não atinja] sequer o alvo. Gotas de 50 micras, mesmo em condições de umidade relativa do ar alta, têm poucos segundos de vida.
Uma das formas de diminuir o percentual de gotas e do volume de aplicação com gotas menores de 100 micras é diminuindo a pressão de aplicação. Atualmente, existem bicos no mercado que [trabalham com] pressão entre 15 a 20 libras/pol², sem perderem o ângulo da abertura do leque de sua fabricação. A grande vantagem de se trabalhar a baixas pressões é de se obter a diminuição do percentual do volume da calda formado pelas gotas pequenas (menores que 100 micras) de 10-15% para menos de 3%, aumentando-se, desta forma, a quantidade de gotas e volume de calda que atinge o alvo.
Outra possibilidade que se apresenta a partir da diminuição da pressão para 15 a 20 libras/pol² é da utilização de bicos de jato em forma de leque que forneçam vazões de 30 a 80 litros de calda por hectare, em vez das tradicionais vazões de 200 a 400 litros por hectare. As vazões mais baixas, obtidas a partir de bicos tipo 110 01 ou 110 02, diminuem o diâmetro médio das gotas. No entanto, parte desta redução é compensada exatamente pela utilização de baixas pressões (15 a 20 libras/pol²) e adjuvantes que aumentam a densidade da calda.
As vazões de 30 a 80 litros/ha com baixas pressões reduzem os custos operacionais, [proporcionam] maior área aplicada por dia de trabalho, e menor desgaste dos equipamentos. Estudos em andamento têm mostrado, também, uma melhoria da eficiência dos herbicidas, com possibilidade de redução das doses usualmente empregadas.
O sucesso da tecnologia da baixa vazão depende basicamente da umidade relativa do ar ser maior que 55%, luminosidade, pressão de aplicação baixa (15 a 20 libras/pol²), água limpa, filtros e bicos adequados.
artigo técnico de José Ruedell. UR ar é fator mais importante (deficiente out-fev entre 10h-18h). Para UR<55% plantas desenvolvem mecanismos defesa (fechamento estômatos, ceras). Trabalho SHANER (1989): UR 98%→absorção 60%; UR 50%→absorção 20%. Adjuvantes (óleos minerais/vegetais, surfactantes). Vida das gotas: 10-15% volume <100 micras; diminuir pressão (15-20 libras/pol²) reduz para <3%. Bicos jato leque (110 01/110 02) com vazões 30-80 l/ha vs 200-400 l/ha tradicionais — menor custo, maior área aplicada/dia, eficiência mantida.