A NOVA ECONOMIA E A NOSSA AGRICULTURA
Eng° Agr° Ilênio Schonhor
Quando pensamos no título desta matéria, vejo NOVA ECONOMIA. Por que NOVA ECONOMIA? Quase todos que leram o título desta matéria devem ter pensado que haveria alguma conotação política nas palavras “Nova Economia”. E estão certos. Mas esta Nova Economia não tem nada a ver com PSDB, PMDB, PT, etc. O que vamos tentar mostrar tem conotação com a ordem internacional de valores e fatos políticos recentes.
A partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, a economia mundial tem mostrado sinais de ruptura com os modelos, até aquela época, aceitos como ideais. As relações Capital X Social têm se estreitado e estão valorizando, cada vez mais, a Iniciativa Privada, em detrimento das Participações de Estatais que predominavam no Leste Europeu. Talvez o último Sauro Internacional derrubado foi o Subsídio dos países altamente desenvolvidos para produção agropecuária, que na Rodada Uruguai do grupo GATT (Acordo Geral de Tarifa e Comércio) foi mortalmente ferido e não sobreviverá ao ano 2000.
a) Mercosul — Em 01.01.95 começa, de fato, o MERCOSUL, com compras e vendas entre os países membros sem impostos de exportação e importação e com alíquotas comuns para importações de países não membros. Exemplo: trigo do Hemisfério Norte para qualquer país membro do MERCOSUL haverá uma taxação que favorecerá os países produtores de trigo no MERCOSUL. Outro exemplo, o algodão, hoje importado do Afeganistão, Egito e outros países, beneficiará estados brasileiros produtores. Caso terceiro: frutas tropicais como banana, manga, melão, etc., hoje importadas da América Central, beneficiarão o Brasil. Insumos básicos para a agropecuária (máquinas, adubos, defensivos, sementes) deverão nivelar-se nos preços das melhores ofertas, ou seja, os preços tendem a cair.
b) GATT — Com o encerramento das negociações em 15.12.93, após anos de discussão, os países do Hemisfério Sul produtores de commodities agropecuárias e a economia do hemisfério norte exceto o agribusiness foram os grandes vencedores. Para a Economia do Hemisfério Norte voltarão, anualmente, US$ 213 bilhões, hoje usados em subsídios para a produção agropecuária na Europa, Japão, EUA e Canadá. Para os países do Sul, a tendência é elevação dos preços das Commodities em mais ou menos 10%. Exemplo brasileiro: 40% das exportações brasileiras são oriundas do Agribusiness, teremos então 10% de ganho real de preço em 40% do volume de dólares exportado por ano, ou seja, um acréscimo de entrada de divisas na ordem de 4% no valor, sem aumentar a quantidade exportada. Este fato será mais notório nos últimos dois anos do prazo total de seis anos (dez/1999).
Alguns exemplos de preços internacionais das commodities a serem ajustados (preços pagos ao produtor): Açúcar em São Paulo: US$ 190 p/t = 1/3 do preço da t de açúcar de beterraba na Europa. Trigo no RS: +/- US$ 120 p/t com produção média 1.800 kg/ha. Europa: +/- US$ 280 p/t com produção média 6.000 kg/ha.
c) Real — A terceira variante é o Plano Real. Medidas anteriores: Fundo de Emergência, Privatizações, Ajustes das Contas do Governo, Formação de Reservas em moeda forte (+/- US$ 35 bilhões), Lastreamento nas reservas para evitar emissão abusiva de Reais, Atrelamento do Real ao Dólar. As dúvidas começam a surgir no Crédito Rural, na TR e no futuro do Real. No último ano foram aplicados em Crédito Rural aproximadamente US$ 11,0 bilhões (60% Custeio, 7% Investimento, 33% Comercialização). Antes do Real, os depósitos à vista na rede bancária estavam em Fundos de Investimentos, Fundos Commodities e Poupança. Com a moeda estável, os depósitos à vista aumentarão de US$ 7,0 bilhões para algo em torno de US$ 30,0 bilhões. Por força das normas do Crédito Rural, 25% devem ser destinados para aplicações a juros [subsidiados].
Concluímos que a situação é favorável à Agropecuária Brasileira. Se em anos piores, nossa Agropecuária nunca deixou de [crescer], é a hora de engatar a 5ª marcha e deslanchar. Para acompanhar os ventos da modernidade, cada vez mais, de bons empreendedores, bons agricultores e bons governantes, e cada vez menos, de Senhores das Terras, Maus Políticos, etc.
P.S. Após a redação desta matéria o Banco Central mudou a regra sobre o depósito à vista nos bancos, que passa a ser totalmente recolhido ao Banco Central. Os financiamentos rurais originários dos 25% dos depósitos à vista, após o retorno aos bancos, voltarão a ser aplicados na agricultura. Portanto, não haverá aumento da oferta de crédito rural.
Fontes: Gazeta Mercantil (Artigo de Van der Mesbrugghe, Goldin e Knudse); Empresa Brasileira Negociador junto ao GATT, Luiz F. Lanprem.
artigo-editorial de Ilênio Schonhor sobre a 'Nova Economia' pós-queda do Muro de Berlim (1989). 3 eixos: (a) Mercosul (efetivado 01/01/1995, alíquotas comuns); (b) GATT/Rodada Uruguai (encerrada 15/12/1993, US$ 213 bilhões em subsídios cortados em 6 anos, elevação 10% commodities, ganho 4% Brasil); (c) Plano Real (US$ 35 bilhões reservas, atrelamento Real-Dólar, Crédito Rural mantém 25% depósitos à vista — total US$ 11 bilhões/1993). Cenário favorável à agropecuária brasileira. P.S. final: BC mudou regra dos depósitos à vista. Fontes: Gazeta Mercantil + Luiz F. Lanprem (negociador GATT).