Como nasceram os Clubes Amigos da Terra (Edegar da Silva, 1982)


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Publicado em: 30/03/1994

Por Edegar da Silva — técnico agrícola e jornalista.

[No Rio Grande do] Sul se davam os primeiros passos, com enormes dificuldades, para implantar a filosofia do cultivo sem lavração. Naquela época, também no Paraná recém se iniciava a expansão que no entanto foi muito mais rápida nos anos seguintes. Eu tinha uma boa experiência de associativismo e quando, oito anos depois, pensamos numa forma de apressar a evolução do sistema, a primeira idéia foi a de mobilizar os agricultores interessados e através destes as suas comunidades com alguma organização associativa que tivesse como meta e compromisso a solução para os impasses e a evolução do plantio direto sem lavração.

Naquela época, 1982, se completavam 10 anos desde a experiência pioneira de Herbert Bartz em Rolândia, e o plantio direto já cobria grandes extensões na região dos Campos Gerais do Paraná, onde acabara de nascer o Clube da Minhoca, a semente de todo o movimento que hoje soma quase meia centena de entidades voltadas para o plantio direto na palha. Tomamos nas [mãos] os números: 36.889 ha haviam sido cultivados com plantio direto no Rio Grande do Sul na safra de verão de 1982. A área caíra em cerca de 10% em relação ao ano anterior, mas o número de agricultores adotantes era 30% menor. Era preciso, realmente, fazer alguma coisa.

Em poucos dias tínhamos nas mãos a proposta: criaríamos o Clube Amigos da Terra, uma entidade estadual, que espalharia os seus núcleos por toda a região produtora, objetivando unir os adotantes do plantio direto para, entre si, trocarem experiências. Isso foi exatamente no dia 05/04/82.

Mostramos o projeto ao então gerente regional da ICI no Rio Grande do Sul, agrônomo Getúlio Daniel Orlandini, um entusiasta do plantio direto e que desde o início coordenava as ações da empresa que trouxe a tecnologia e apoio em todos os sentidos o seu desenvolvimento, não só no Rio Grande do Sul, mas também no Brasil. [O projeto foi] integralmente [aprovado pela ICI], que garantiu o [apoio financeiro], colocaria à disposição dos núcleos que fossem implantados e custearia as despesas iniciais de organização, sem prejuízo do apoio de outras empresas ou instituições que decidissem contribuir.

Começamos então o trabalho de conscientização dos principais agricultores adotantes do plantio direto. Carazinho foi o primeiro grupo a se entusiasmar com a idéia e, pelas mãos de Paulo Léo Ramos, Joaquim e Osvaldo Vieira Sarmento, Rudi Knopp e outros idealistas, fundou o primeiro Clube Amigos da Terra. A partir dali, com uma pequena alteração nos estatutos, decidiu-se que não haveriam núcleos e sim entidades autônomas, trabalhando em conjunto e com os mesmos objetivos. Dali para cá, a difusão dos Clubes Amigos da Terra se deu ao natural, estando hoje fundados 31 clubes que abrigam mais de 3.000 associados.

artigo histórico de Edegar da Silva (técnico agrícola e jornalista) sobre nascimento dos CATs em 05/04/1982. Em 1982: 36.889 ha PD no RS. Iniciativa: Edegar + Getúlio Daniel Orlandini (gerente regional ICI-RS). Primeiro Clube em Carazinho com Paulo Léo Ramos, Joaquim e Osvaldo Vieira Sarmento, Rudi Knopp. Em 1994: 31 clubes + 3.000 associados