Por Benami Bacaltchuk (1)
“Definir um problema agrícola como se fosse somente um problema de agricultura, ou somente um problema de produção ou mesmo só um problema econômico é, simplesmente, não compreender o problema de forma deliberada ou por ignorância, ou por ganância ou por modismo. O problema deve ser resolvido como um todo, não somente os de fácil identificação ou de fácil solução.” (Wendell Berry, 1987)
Por todas as partes do mundo, em países pobres ou ricos, a produção agrícola está mudando. A agricultura com grande concentração de insumos, alta produtividade, que começou durante os anos 40, está sendo desafiada em muitos aspectos. Os agricultores não suportam pagar por muitos fatores de produção comprados, particularmente os agroquímicos. Erosão de solo e perda de matéria orgânica estão diminuindo, rapidamente, a qualidade do solo e sua utilidade para agricultura. Esta perda qualitativa está ocorrendo muito mais nas regiões onde, tradicionalmente, obtinham-se altas produções, do que nas regiões pobres. Adicionalmente, para piorar as coisas, resíduos estão contaminando todas as partes do ecossistema.
Durante este período (1940-1970), mudanças revolucionárias na agricultura ocorreram. Agricultores, cientistas e políticos puderam notar, com satisfação plenamente justificável, que a produtividade por unidade de área, ou número de cabeças de gado, aumentou como nunca havia ocorrido antes.
Críticos da agricultura convencional moderna dizem que nos últimos quarenta anos, a estrutura da fazenda tradicional, assim como a estabilidade ecológica e econômica, foi destruída. Estes críticos responsabilizam por esta destruição uma dúzia de melhoramentos agro-tecnológicos, cientificamente baseados, assim como melhorias organizacionais direcionadas, inteiramente, ao aumento da produtividade anual de produtos isolados.
A ciência da comunicação para o desenvolvimento rural sofreu nos últimos 40 anos drásticas mudanças em sua percepção da clientela. Na década de 40 os teoristas enfatizavam o modelo “quem disse o que, para quem, através de que canal de comunicação e com que resultado”. Originalmente, a crença de que se as organizações de pesquisa, de extensão, financiadoras e governos tivessem o conhecimento (tecnologia) e os produtores rurais não o utilizassem, era porque não queriam ser ajudados ou estavam resistindo ao desenvolvimento.
Programas de investimento com recursos internacionais [enfatizavam essa abordagem]. A avaliação dos resultados concluiu que o modelo trouxe um desenvolvimento bastante intenso, [mas não equitativo — muitas vezes que não levava em conta o] conhecimento “indígena” ou ignorava o conhecimento local. A consciência de que este modelo estava alargando as diferenças sociais, nos países onde foi utilizado, fez com que os teoristas apresentassem outro paradigma. No fim dos anos 70 a comunicação em [extensão passou a focar nas necessidades reais dos clientes].
Como consequência deste movimento, o modelo de [pesquisa/extensão tem mudado, com necessidade de] organizar para definir as bases de [novas] inter-relações a serem utilizadas. Uma coisa é certa, temos que ouvir [os agricultores]; principalmente, teremos que definir, com precisão, quem são os nossos clientes, o que pensam e o que necessitam. [Tudo isso] tem implicações mais globais. Isso envolve procedimentos administrativos que trabalhem com processos naturais, que conserve todos os recursos, que minimize desperdícios e o impacto no meio [ambiente].
(1) Pesquisador, [responsável pelas relações públicas e difusão tecnológica do CNPT-EMBRAPA].
artigo de Benami Bacaltchuk (CNPT-EMBRAPA) sobre limites da agricultura moderna (1940-1970), evolução do paradigma da extensão rural. Citação inicial Wendell Berry (1987). Cobre p13+p14