Triticale — uma cultura em evidência (Augusto Carlos Baier, CNPT)


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Publicado em: 30/07/1993

Em 1993 se observa um crescente interesse pelo triticale. Isto ocorre devido ao aumento da demanda por alimentos energéticos, aos altos rendimentos obtidos por muitos agricultores, à rusticidade da espécie e ao desenvolvimento de novas cultivares, segundo o pesquisador Augusto Carlos Baier, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT-EMBRAPA), que atualmente se encontra nos Estados Unidos, fazendo doutorado.

A área cultivada com este novo cereal se expande em muitas partes do mundo e já ocupa 1 milhão de ha na Polônia e 300.000 ha na França, apesar de ter apenas 100 anos. Foi na Alemanha, ao Sul de Berlim, a poucos quilômetros da atual fronteira com a Polônia, que foi realizado o primeiro cruzamento que produziu descendência fértil, em 1889, por Wilhelm Rimpau, ao colocar o pólen do centeio sobre espigas emasculadas de trigo. Assim foram reunidas, na mesma planta, as características positivas do trigo e do centeio.

No Brasil, Baier estima que o triticale ocupou, aproximadamente, 60.000 ha em 1992. As maiores áreas foram cultivadas em altitudes acima de 500m, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para 1993, o pesquisador especula que a área atinja 100.000 ha, o que representa uma ampliação superior a 50% em relação à área cultivada com triticale em 1992. No Paraná deverão ser cultivados 45.000 ha, Santa Catarina e Rio Grande do Sul mais de 25.000 ha cada. Algumas cultivares recentes apresentam boa adaptação no Mato Grosso (Cerrados) e em outras regiões de cultivo.

A opção pelo triticale, na alimentação de animais, foi destacada com mais ênfase a partir de 1990. Esta é uma consequência direta da queda de produção de milho de 1990 e 1991, associada à ampliação da população de aves e suínos e consequentemente déficit de alimentos energéticos nas principais regiões de criação intensiva de animais, no sul do Brasil. Se as restrições do mercado e as dificuldades para a comercialização dos outros cereais de inverno persistirem, o triticale pode representar uma importante alternativa para o aproveitamento econômico de boa parte dos 10 milhões de ha cultivados no verão, os quais permanecem desocupados no inverno.

Na entressafra do milho há falta de alimento energético nas principais regiões produtoras e por isto a população de aves e suínos está limitada pela disponibilidade de milho, principal componente da ração. Entre novembro e fevereiro, na maioria dos anos, o custo do transporte e a armazenagem se sobrepõem ao preço do milho. O triticale, colhido a partir de novembro, apresenta grande potencial para a alimentação destes animais.

matéria sobre o crescente interesse pelo triticale em 1993 (~50% expansão sobre 1992). Pesquisador Augusto Carlos Baier (CNPT, doutorado nos EUA). Em 1992: ~60.000 ha; estimativa 100.000 ha em 1993, principalmente PR (45.000 ha), SC e RS (25.000 ha cada), boa adaptação no MT (Cerrados). Histórico: 1º cruzamento Wilhelm Rimpau (Berlim) 1889; hoje 1 milhão ha na Polônia, 300.000 na França. Vantagem como alimento energético na entressafra do milho