Uma experiência de semeadura em campo nativo foi conduzida na última safra de verão na região de Cruz Alta (RS). A iniciativa foi do engenheiro agrônomo Cláudio Macagnan, gerente das Sementes Macagnan, com assessoria do engenheiro agrônomo José de Vargas, da Cotricruz.
“No início nem cogitávamos essa idéia”, relatou Macagnan ao Jornal do Plantio Direto, “mas as circunstâncias nos levaram a apostar nela para tirarmos algumas dúvidas”.
Quando arrendaram uma área de lavoura de 1.200 ha, antes da safra de verão 92/93, um pedaço de campo bruto, cerca de 60 ha, ficou sem receber a lavração e gradagem que o restante estava levando.
“Foi nesse momento que agendamos a possibilidade de semear direto nesse pedaço. A área tem um percentual bastante alto de areia, o que facilitou de forma significativa o nosso trabalho”, prosseguiu Caco. “Apesar da pecuária extensiva, o solo estava estruturado e não havia compactação. Colocamos 4 ton/ha de calcáreo a lanço, além de fertilizante na linha. Dessecada a grama e a barba de bode características dos nossos campos, plantamos, no início de novembro, a variedade Cobb, porque julgamos que não haveria problemas de doenças, por ser campo nativo e, com o ciclo longo, ela teria mais tempo para se adaptar”.
Plantada com uma PAR 2800 e uma ID 300, com disco normal, sem facão, era esperada uma soja bastante sofrida no início, porém, o desenvolvimento da cultura ultrapassou as expectativas. Choveu muito no mês de novembro e isso facilitou o arranque inicial e o seu estabelecimento.
“Ocorreram alguns veranicos”, finalizou Macagnan, “mas aquela parcela acabou ficando com um visual melhor do que a área maior, plantada com preparo convencional. De uma produtividade inicial esperada de 25 s/ha, nós acabamos colhendo quase 40 s/ha, com picos de produtividade superiores a esse patamar dentro dos 60 ha. Na área maior, de plantio convencional, por ser maior e com problemas de manchas de pouca fertilidade, a média ficou em 31 s/ha”.
Segundo a opinião de José de Vargas, engenheiro agrônomo da Cotricruz, que acompanhou a experiência, a milenar estruturação do solo foi um dos motivos que fizeram o sucesso da lavoura, pois a natureza é mais sábia do que os homens, que revolvem e desestruturam o solo com seus implementos poderosos.
matéria-perfil sobre experiência inédita do Eng° Agr° Cláudio Macagnan (Sementes Macagnan, Cruz Alta-RS), com assessoria de José de Vargas (Cotricruz). Numa área de 1.200 ha arrendada na safra 92/93, deixaram 60 ha de campo bruto sem lavração/gradagem, plantando soja Cobb direto sobre o campo nativo após dessecar grama e barba de bode. Aplicação 4 ton/ha calcáreo a lanço, fertilizante na linha. Resultado: ~40 sc/ha (esperado 25 sc/ha) vs 31 sc/ha na área convencional