Um assunto que tem gerado debates intensos em reuniões técnicas e de produtores, principalmente no Rio Grande do Sul, é a retirada dos terraços em lavouras onde o plantio direto está estabelecido. Os próprios defensores da prática são os engenheiros agrônomos, ligados à questão, da Cruz Alta e Passo Fundo. De lado a lado, com uma posição mais cautelosa, está a pesquisa e as universidades.
Durante a realização do Encontro de Atualização em Plantio Direto, realizado pela Cotrijuí, em maio de 1993, com apoio da FUNDACEP, CNPT e outras entidades, o pesquisador Rivaldo Dhein da Cotrijuí manifestou-se pela manutenção dos terraços nas lavouras estabelecidas sob o sistema. Em entrevista publicada pelo Cotrijornal, de maio/93, Rivaldo falou sobre os trabalhos de pesquisa realizados no Centro de Treinamento da Cotrijuí, de 1978 a 1988, quando foram determinadas as perdas de solo e de água sob diferentes tipos de uso e manejo de solo. O plantio direto sempre saiu na frente dos demais sistemas de preparo, controlando até 95% das perdas de solo e até 82% das perdas de água, na comparação com o preparo convencional.
“Realmente não há erosão no plantio direto”, afirmou o pesquisador, salientando, entretanto, que esse percentual médio das perdas de água refere-se às chuvas de todo o ano, que incluem até mesmo garoas, em que sequer corre água. Quando a análise recai sobre chuvas torrenciais ou erosivas individuais, que geralmente ocorrem no final do ano, a situação muda de figura, argumenta Rivaldo Dhein, apontando perdas idênticas ou muito próximas às do preparo convencional.
É em função dessa perda de água, mesmo no plantio direto, que o pesquisador sugere a manutenção dos terraços de contenção ou de base larga em nível. “Ainda que a água que escorra seja limpa e não carregada de terra, seguramente ela fará diferença na produtividade da lavoura, principalmente em anos secos”, alertou, baseando-se na experiência de produtores e da própria pesquisa.
Os terraços, portanto, maximizam os benefícios do sistema plantio direto, observou, juntando ainda à retenção da água na lavoura uma outra questão. Os terraços também evitam que a água escorra e provoque danos na conservação das estradas, uma outra preocupação mantida pelo programa de microbacias hidrográficas, desenvolvido pela Cotrijuí, Emater e prefeituras da região. Só para dar um exemplo, Rivaldo lembrou a importância da produção leiteira, em que a coleta do produto necessita de estradas com qualquer tempo.
matéria com depoimento do pesquisador Rivaldo Dhein, da Cotrijuí, durante o Encontro de Atualização em PD (Cotrijuí, maio/93). Trabalhos 1978-1988 no Centro de Treinamento Cotrijuí: PD reduz até 95% perdas solo, 82% perdas água vs convencional. Mas em chuvas torrenciais individuais, perdas próximas. Sugere manutenção dos terraços de contenção/base larga em nível mesmo no PD para retenção de água, conservação de estradas, microbacias