Este foi o tema do painel realizado no dia 25, último dia do IX Seminário do Plantio Direto de Arroz, que reuniu mais de 600 participantes durante três dias, no Hotel Serra Azul, em Gramado. Representantes do Uruguai, Argentina e Brasil debateram durante toda a manhã este tema relevante com uma breve apreciação do que acontece na área arrozeira de cada um destes países e as perspectivas do que deve acontecer no futuro e a atual safra diante do Mercosul.
Segundo os debatedores, a produção destes três países e o consumo devem ser analisados na ótica do todo para que se tenha um abastecimento equilibrado e ao mesmo tempo uma produção amparada, que cubra os custos de cada produtor e principalmente suas expectativas. O Mercosul começou a trazer consequências já a partir de 1991 e não somente no ano de 1995, como era o esperado.
Segundo o economista engenheiro agrônomo José Alfredo Marques da Rocha, que coordenou este painel, o ideal será os três países terem alíquotas comuns, principalmente em relação ao arroz. Hoje, o Brasil caminha para uma abertura cada vez maior da economia, mas o problema de baixas alíquotas para terceiros países ainda é sentido. O economista acredita que os produtores dos três países com suas organizações terão de articularem-se muito bem para que possa haver uma pressão necessária, implantando-se a esperada alíquota comum de comercialização de arroz.
Para o produtor Carlos Bartello, o Uruguai produz 650 mil toneladas anuais de arroz e consome somente 10% desta produção. Na Argentina, o quadro de consumo é maior, informou o produtor Jorge Vara, onde houve a produção de 700 mil toneladas nos últimos anos. Os argentinos consomem no máximo 250 mil toneladas, apresentando um excedente de 450 mil toneladas de arroz, que é exportado principalmente para o Brasil, Chile e Bolívia.
Somente no Rio Grande do Sul, a área plantada é de 920 mil hectares com uma produção estimada para 93 de 4,7 milhões de toneladas, chegando a 50% da produção nacional de arroz. O consumo brasileiro é de 11,4 milhões de toneladas ou 65 kilos per capita/ano. Estão previstas um milhão de toneladas para serem importadas do Uruguai, Argentina e outros países como EUA e asiáticos, para suprir o consumo brasileiro este ano.
A conclusão dos produtores presentes ao painel é de que, sem dúvida alguma, com o Mercosul a tendência será a baixa dos custos nos preços mínimos com preços e insumos mais parecidos, sendo que será o Brasil a ditar as normas da expansão dos negócios nos três países, principalmente em relação ao arroz, pela sua alta demanda.
Liza Jung — Jornalista.
matéria sobre painel realizado no IX Seminário PD Arroz (25/06/1993). Coordenado pelo economista José Alfredo Marques da Rocha. Brasil: 4,7 milhões t/1993, 920 mil ha, consumo 11,4 milhões t/65 kg per capita/ano. Uruguai: 650 mil t/ano, consumo 10%. Argentina (Jorge Vara): 700 mil t, excedente 450 mil t. Importação 1 milhão t prevista. Produtor Carlos Bartello. Mercosul → necessidade de alíquota comum