Manejo de pragas do milho no Sul do Brasil


Autores:
Publicado em: 30/05/1993

Por Dirceu N. Gassen (*)

Os principais danos causados por pragas, em milho, ocorrem nas fases de germinação e de início de desenvolvimento das plantas. A evolução da produtividade do milho, no Sul do Brasil, está associada à evolução do sistema plantio direto (SPD). Os insetos que se encontram sobre a cultura dessecada ou rolada (aveia e outras) passam a se alimentar de milho na fase de emergência. Estes insetos podem reduzir a população e a uniformidade de distribuição das plantas de milho. O efeito da mistura de inseticidas com herbicidas, antes da semeadura do milho, pode ser comparado ao efeito da queima da palha sobre a população de inimigos naturais. A ressurgência de pragas nesta e nas culturas subsequentes pode ocorrer com maior intensidade, por isso, o uso preventivo de inseticidas de amplo espectro de ação deve ser evitado.

Nas lavouras planejadas para alta produção, é essencial manter, permanentemente, uma população entre 5 a 6 plantas/m²; para isso, recomenda-se o uso de inseticidas no tratamento de sementes. Os produtos registrados para milho são à base de carbofuram e de tiodicarbe, nas doses de 700 g i.a./100 kg semente. Estes produtos são tóxicos no manuseio e, especialmente, que se evite o consumo de sementes tratadas por aves e outros animais.

O controle da larva da vaquinha (Diabrotica speciosa) é o maior desafio de manejo em milho. A fêmea adulta faz a postura no solo ou junto às plantas, duas a quatro semanas após a semeadura. Os danos são causados pelas larvas no período que se situa entre um e dois meses de desenvolvimento da planta (Figura 1). O período de proteção de plantas de milho com inseticidas no tratamento de sementes, é de aproximadamente duas semanas, e os resultados de experimentos evidencia a ineficiência no controle desta praga.

Na parte aérea, a lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) é a maior preocupação do agricultor, entretanto, em geral, os danos são pouco significativos, em função do controle biológico natural da praga. Resultados de estudos realizados pelo Centro Nacional de Pesquisa de Milho, sugerem o controle nas lavouras em que o potencial de rendimento é superior a 5 ton/ha, onde mais de 10% das plantas encontram-se infestadas, na fase de 6 a 8 folhas. Nas fases de até cinco folhas, e a partir do pendoamento, os danos causados pela lagarta do cartucho não compensam o controle.

Os inseticidas e as doses (g i.a./ha) indicados são: clorpirifós 240, deltametrina 5, permetrina 50, triclorfom 500. A aplicação dos inseticidas deve ser feita nas horas com maior umidade, usando-se bicos do tipo leque, direcionados para o topo e para o centro da planta. Mesmo com estes cuidados, os índices de controle são relativamente baixos.

A lagarta da espiga (Heliothis zea) é de ocorrência generalizada, porém raramente os danos compensam a adoção de métodos de controle. No caso de milho-doce (milho-verde), sugere-se o controle em função da exigência do consumidor.

O pulgão do milho (Rhopalosiphum padi) pode causar problemas através da transmissão de viroses, mas o potencial de danos ainda não foi determinado no Sul do Brasil.

(*) Eng. Agr., EMBRAPA-CNPT, C.P. 569, 99001-970, Passo Fundo, RS. Resumo de palestra apresentada no treinamento sobre a cultura do milho, Passo Fundo, RS, 25 de maio de 1993.

Dirceu N. Gassen (Eng° Agr° EMBRAPA-CNPT, Passo Fundo). Resumo de palestra apresentada no 2º Seminário Regional sobre a Cultura do Milho, Passo Fundo, 25/05/1993. Pragas: lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda), lagarta da espiga (Heliothis zea), pulgão (Rhopalosiphum padi), larva da vaquinha (Diabrotica speciosa). Inseticidas e doses (g i.a./ha): clorpirifós 240, deltametrina 5, permetrina 50, triclorfom 500. Tratamento sementes: carbofuram e tiodicarbe (700 g i.a./100 kg). Inclui Figura 1: distribuição de ovos e larvas de Diabrotica