“Quando você faz a difusão de um insumo para a lavoura, o resultado é visualizado em pouco tempo, numa safra, por exemplo. Porém, quando se trata de difundir um sistema de produção, o processo se torna mais complexo, com mudanças significativas em relação aos processos convencionais.”
A afirmação é do pesquisador José Eloir Denardin, do Centro Nacional de Trigo-Embrapa, de Passo Fundo, responsável pelo Projeto METAS, um convênio assinado pela entidade com as empresas Monsanto, Trevo, Semeato e Agroceres, com o objetivo de desenvolver o plantio direto no Planalto Gaúcho.
Numa entrevista ao Jornal do Plantio Direto, durante a realização da primeira semana de treinamento para a assistência técnica da região, Denardin afirmou que um dos aspectos ressaltados para o grupo de técnicos participantes é a persistência que eles devem ter na condução de lavouras demonstrativas porque os resultados aparecem depois de 3 a 4 anos.
“Na realidade”, informou o pesquisador do CNPT, “este treinamento é uma das fases iniciais do projeto, cuja finalidade é transferir para a assistência técnica o que nós sabemos sobre plantio direto, de uma forma progressiva. Esta parte do projeto, que envolve treinamento, começou em 1993 e vai até 1997, com uma edição por ano, que permitirá aprofundamento dos temas”.
Para José Denardin, o primeiro curso, direcionado para a Emater, cooperativas e escritórios de planejamento, teve como objetivo uma espécie de nivelamento dos conhecimentos que o CNPT tem sobre o sistema. Para setembro está programada a realização de um encontro rápido, de um dia, com todos os participantes do projeto, com a finalidade de um retorno sobre as dificuldades que os extensionistas estarão encontrando no campo. Aqueles problemas que forem identificados como de ordem geral, serão objetos de pesquisas. Mas o encontro de setembro, que se repetirá anualmente, também contemplará um dia de campo, onde máquinas, dessecação e outros aspectos serão abordados.
O pesquisador do CNPT finalizou seu depoimento afirmando que “O plantio direto não tem mais o enfoque conservacionista apenas. O sistema hoje representa a redução dos custos de produção. O fato de que o plantio direto é hoje em torno de 14% mais barato que o convencional é uma das principais justificativas para o seu uso. É óbvio que ele possui todas as vantagens conservacionistas e de preservação ambiental mas não nos adianta discutir estes aspectos se ele não for econômico. Hoje o plantio direto é um sistema sustentável, protege o ambiente e é mais econômico”, finalizou Denardin.
entrevista do Jornal do Plantio Direto com José Eloir Denardin (CNPT-EMBRAPA Passo Fundo), responsável pelo Projeto METAS (convênio CNPT + Monsanto + Trevo + Semeato + Agroceres) durante a 1ª semana de treinamento para a assistência técnica da região (1993-1997, uma edição/ano). PD é hoje 14% mais barato que o convencional. Encontros anuais em setembro com retorno + dia de campo