Cerrado debate o sistema — Encontro Regional em Rio Verde-GO + Projeto Morrinhos


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Publicado em: 30/03/1993

Mais de 160 produtores e técnicos de diversos estados participaram do Encontro Regional de Plantio Direto no Cerrado que teve lugar no município de Rio Verde, em Goiás, nos dias 9 e 10 de fevereiro.

“Por suas características próprias, os solos do cerrado são mais suscetíveis à ação destruidora da erosão, principalmente por causa das suas características físicas, com alto percentual de areia, da alta precipitação pluviométrica e principalmente pelas práticas agrícolas. O Plantio direto é a grande solução, uma prática viável econômica e ecologicamente.” A afirmação é de Ricardo Merola, que foi confirmado como presidente da Associação, à qual vinha presidindo interinamente. Ele pratica o sistema desde 1982 na região de Santa Helena e falou sobre as vantagens na abertura do Encontro.

Para Merola, no plantio direto “trabalha-se com metade dos tratores usados no preparo convencional e o equipamento ganha maior vida útil, devido à inexistência de poeira; a potência exigida dos tratores é menor, com menor consumo de diesel. Além disso, o custo para irrigantes é 30% menor”.

O evento teve como objetivo divulgar a tecnologia já desenvolvida nos cerrados [?por técnicos e?] foi organizado pela Associação [APDC] e Cooperativa Rio Verde, com apoio [da Manah]. Diversos engenheiros agrônomos e produtores palestraram, expondo suas experiências sobre o assunto, destacando-se Fernando Penteado Cardoso, da Manah; Nilvo Altman, de Cristalina — Goiás e John Landers, secretário executivo da Associação, além de outros.

Segundo o Presidente da Manah “o selamento superficial e o pé de arado não deixam a água penetrar no solo, provocando graves erosões. Por isso, é necessário lançar mão de uma prática que dê sustentabilidade ao solo. O plantio direto vem para salvar o solo desta degradação. Ano após ano, o patrimônio maior vai sendo dilacerado. E se falamos em agricultura sustentável, que é aquela que adota melhor [?manejo?] para satisfazer as necessidades humanas do presente, sem comprometer as exigências das gerações futuras, não é possível cruzar os braços e deixar que isso ocorra.” Para Fernando Cardoso a degradação veio no Cerrado Goiano pelo excessivo uso de máquinas num sistema contínuo.

PROJETO DE MORRINHOS

John Landers, secretário da APDC, pratica PD desde 1983 em Morrinhos. Landers foi o principal articulador do encontro e falou sobre o projeto de Morrinhos, o qual foi iniciante, financiado pela Manah, em 1988. “A visão do projeto era desenvolver um sistema, um conjunto de práticas para se alcançar uma agricultura duradoura”, disse.

O projeto atacou duas frentes: a produção de duas safras de grãos e uma prática de se plantar uma leguminosa forrageira junto com o milho convencional. Depois de aplicar herbicida Laço, colhe-se o milho [?e a leguminosa serve para inverno como pasto?]. Após desseca-la, planta-se novamente o milho.

A grande vantagem, deste sistema, de acordo com Landers, é o pastoreio do gado, no período de inverno. “Não ocorre a compactação pelas patas do gado porque a partir de maio o solo já está seco”, frisou. Aqui está um exemplo de agricultura sustentável num perfeito casamento da agricultura com a pecuária. “Esta tecnologia está totalmente dominada e é só disseminá-la para quem quiser”, garantiu Landers.

Quanto à safrinha, ele afirmou que está fazendo com sorgo, milheto, feijão guandú, crotalária e gengelim. “É uma tecnologia também testada com bastante sucesso, inclusive por outros produtores. Sua principal vantagem, além do retorno financeiro, é promover a palhada protegendo o solo para o plantio da safra de verão”, afirmou.

Ao encerrar, John Landers, falou emocionado: “Uma agricultura sustentável dá tanto prazer, e eu estou pensando no ano 2050, quando nossos netos poderão herdar um solo sadio e produtivo. Só depende de nós.”

matéria sobre o Encontro Regional de PD no Cerrado em Rio Verde-GO (~160 produtores, 9-10/02/1993). APDC + Cooperativa Rio Verde + apoio Manah. Ricardo Merola confirmado presidente da Associação (PD desde 1982 em Santa Helena-GO). Inclui projeto de Morrinhos do secretário-executivo John Landers (PD desde 1983, projeto financiado pela Manah em 1988 com duas safras + leguminosa forrageira junto com milho)