1º Encontro de Plantio Direto na Palha do Mato Grosso (Rondonópolis, 11-12/02/1993)


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Publicado em: 30/03/1993

Realizou-se durante os dias 11 e 12 de fevereiro o 1º Encontro de Plantio Direto na Palha do Mato Grosso, em Rondonópolis. Cerca de 200 pessoas, entre técnicos e agricultores de vários estados brasileiros, ouviram palestrantes ilustres e debateram o futuro da agricultura no Mato Grosso e nos cerrados.

“O produtor de soja do Mato Grosso possui um precioso patrimônio em recursos naturais, tecnologia disponível de manejo e possibilidade de aumento na produtividade”, afirmou o engenheiro agrônomo e produtor Gilberto Goelnner. E prosseguiu: “Entretanto, esse patrimônio pode acabar se o principal, que é o solo, não for bem conservado. Temos a convicção de que estamos aqui imbuídos de um mesmo ideal: conservar o solo, nosso maior patrimônio. Para isso, acreditamos que uma das práticas seja o plantio direto. E para fazê-lo, é preciso produzir palha e aí está um dos entraves maiores que temos um inverno [?seco?]”.

Num dia intenso de debates, diversos palestrantes como Manoel Henrique Pereira, Carlito Loss e Américo Meinicke de Ponta Grossa; Márcio Scaléa, da Monsanto; Luiz Ernani da Embrapa de Dourados e Rainoldo Kochhann, do Centro Nacional de Pesquisas de Trigo, de Passo Fundo e Luiz Carlos Roos, de Maracajú, tentaram responder às inquietações levantadas pelos promotores do evento.

O 1º Encontro de Plantio Direto do Mato Grosso foi uma iniciativa do Pool de Empresas de produtos pós-emergentes, tendo sido realizado pela Associação de Produtores de Sementes do Mato Grosso — APROSMAT, com apoio da Secretaria Estadual de Agricultura, Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha, e Associação de Engenheiros Agrônomos de Rondonópolis. As empresas que apoiaram com recursos foram Monsanto, ICI, Basf, Dupont, Jacto, Cyanamid, Semeato e DowElanco.

No final do dia 11, organizou-se um painel, em que participaram todos os palestrantes e mais os produtores Munefume Matsubara, Luiz Natal Lonardoni e Kazutero Wakamoto. Eram mais de 20h30min, quando os organizadores encerraram o painel, sob protestos, porque mais de 20 perguntas ainda ficaram por responder. Isso demonstra o alto interesse que o tema do Plantio Direto proporciona no Mato Grosso e que aquela enorme área agrícola apresenta possibilidades concretas de instalar [?o sistema?] em alguma forma de [?adoção agrupada?].

RESUMO DO PAINEL DE Q&A

Resumo de algumas questões formuladas durante o painel de encerramento do 1º Encontro de Plantio Direto na Palha de Mato Grosso, realizado em Rondonópolis, com as respectivas respostas:

1 — Nos cerrados, com um inverno tão seco, como fazer para obter boas palhadas, essenciais para o PD?

R. As tradicionais culturas de inverno dos estados do sul do Brasil, são substituídas, nos cerrados, pela implantação da Safrinha, que é explorada entre fevereiro e julho, aproveitando o final da estação chuvosa. A principal vantagem da safrinha é a produção de palhada para a cobertura do solo, protegendo-o durante um período crítico do ano. Outros benefícios da Safrinha são:

• quebra do ciclo de pragas e doenças, através da rotação de culturas;
• redução na infestação de muitas plantas daninhas, através da alelopatia e da cobertura e sombreamento do solo;
• reciclagem de nutrientes, que são extraídos de camadas profundas do solo e deixados na superfície, na palhada;
• familiarização com as plantadeiras de plantio direto, evitando problemas e atrasos no plantio da safra de verão;
• retorno financeiro: o lucro da Safrinha de milho, plantada até fins de fevereiro e conduzida a baixo custo, tem sido suficiente para a compra de plantadeiras específicas para PD.

2 — Quais culturas podem ser exploradas na Safrinha?

R. A sequência mais comum tem sido milho plantado após soja precoce, mas também são possíveis as seguintes alternativas:

• após soja: sorgo, girassol, milheto, trigo e aveia preta (estas duas últimas em certas microrregiões específicas);
• após milho: soja, sorgo, girassol, milheto, feijão e guandu.

3 — Como fica a questão do uso de calcáreo no PD dos cerrados?

R. É recomendável fazer uma boa correção na acidez antes de se adotar o PD, pois no momento não há informações suficientes que permitam a recomendação do calcáreo em superfície, como se faz no Paraná. Todavia, já há ensaios em andamento (EMGOPA, Univ. Fed. Uberlândia e Fundação MT), que deverão nos dar a resposta para esta e outras questões dentro de 2 a 3 anos.

matéria sobre o 1º Encontro de PD do MT em Rondonópolis (~200 pessoas), iniciativa do pool de empresas pós-emergentes (Monsanto, ICI, BASF, DuPont, Jacto, Cyanamid, Semeato, DowElanco) com APROSMAT, Sec.Estadual MT, Febrapdp e Eng. Agrônomos. Palestrantes: Manoel Henrique Pereira (Nonô), Carlito Loss e Américo Meinicke (Ponta Grossa); Márcio Scaléa (Monsanto), Luiz Ernani (EMBRAPA-Dourados), Rainoldo Kochhann (CNPT), Luiz Carlos Roos (Maracajú). Painel com produtores Munefume Matsubara, Luiz Natal Lonardoni e Kazutero Wakamoto. Q&A sobre safrinha como solução de palha no cerrado