Tendo como objetivos fomentar o encontro de produtores para troca de experiências sobre plantio direto, conservação do meio ambiente e aumento da produtividade, o Departamento Agropecuário da Cooperativa Colonias Unidas, de Colonia Obligado, Itapua, Paraguai, realizou o Primeiro Encontro de Produtores [em] Plantio Direto, nos dias 18 e 19 de março de 1993. Cerca de 200 pessoas, entre produtores e técnicos, estiveram presentes ao evento.
Fundada por 78 colonos, descendentes na sua maioria de alemães e brasileiros, em 1953, os associados das Colonias Unidas plantam em terras dos Departamentos de Itapua e Alto Paraná, uma das zonas mais férteis do Paraguai. No começo da década de 70, movidos pela idéia do auto-abastecimento do país, foi iniciado o cultivo de trigo. Em seguida apareceu a cultura da soja, como alternativa de verão, que ganhou terreno devido a crescente demanda do mercado internacional e sua fácil adaptação ao clima da região. A soja revolucionou a agricultura em todos os sentidos e deu novas alternativas de produção, lucros e bem-estar.
Contando hoje com mais de 3.000 associados ativos, a Cooperativa colhe cerca de 140.000 toneladas de soja e 20.000 toneladas de trigo, além de outras produções como erva-mate, sorgo, milho e produtos lácteos.
PLANTIO DIRETO
A Cooperativa Colonias Unidas dispõe atualmente de dois agrupamentos de agricultores formados a partir da necessidade de contar com tecnologia própria e/ou adaptadas às suas condições. Estes agrupamentos de produtores “Plantio Directo” surgiram da inquietude dos agricultores, que em forma individual, realizaram algumas atividades relativas ao sistema. No final da década de 80, vários produtores já semeavam suas lavouras de forma direta ou com cultivo mínimo. Em 1988 um grupo de 8 produtores e dois técnicos viajaram a Ponta Grossa, no Brasil, para observar máquinas, culturas e tecnologia usada naquela região. Um ano depois, nova viagem foi realizada, desta vez a Campo Mourão, também no Paraná-Brasil e, ao regressar foi formado o primeiro grupo de 12 produtores, denominado GRUPLADI (Grupo de Plantio Direto). Os benefícios obtidos pelo primeiro grupo levaram à formação do segundo grupo no ano de 1992.
Os objetivos propostos estão sendo alcançados e a área de plantio direto aumentou de 2.500 ha em 1989 para 15.000 ha em 1993.
RESULTADOS
São notáveis as melhorias nas características físicas e químicas do solo. Ocorreram melhoras na rotação de culturas e na cobertura do solo, apesar de que as leguminosas proporcionam grande massa verde mas desaparecem rapidamente.
Um aspecto que é difícil de quantificar mas que ocorre na lavoura, é a conservação do solo, diminuindo a erosão ao mínimo.
A vida biológica foi recuperada a tal ponto que é possível observar um grande número de microorganismos trabalhando para a recuperação do solo. Observa-se o aparecimento de novos insetos, às vezes benéficos, às vezes daninhos. Com relação [?aos benefícios, a presença permanente de palhada?] facilitou a sobrevivência de insetos benéficos, aumentando o controle natural das pragas.
Está comprovado que se usa uma menor quantidade de implementos e as tarefas de preparo e plantio são efetuadas em tempo menor, dispondo-se de mais dias aptos para semear. Finalmente, nota-se uma maior resistência às secas prolongadas.
ENCONTRO
No Primeiro Encontro estiveram palestrando técnicos especialistas em plantio direto do Paraguai e do Brasil, além de produtores paraguaios e brasileiros, que fizeram depoimentos de suas histórias. Entre os brasileiros que estiveram presentes e falaram no Encontro estavam Herbert Bartz, de Rolândia, o pioneiro do sistema em todo o Brasil; Engenheiro Agrônomo Luiz Graeff Teixeira, presidente do CAT — Clube Amigos da Terra, de Passo Fundo, Rio Grande do Sul e o Engenheiro Agrônomo Aroldo Marochi, da Fundação ABC, de Castro, Paraná. Do Paraguai participaram os engenheiros agrônomos Rolf Derpsch, do Convênio GTZ, Artemio Romero, do CRIA e Patrick Wall, do CIMMYT, além de técnicos das Cooperativas Colonias Unidas.
O Palestrante Patrick Wall disse na sua apresentação que “Existem várias denominações para o tipo de agricultura que produz culturas sem a remoção do solo e mantém a superfície coberta com massa vegetal o ano inteiro: plantio direto, siembra directa, cero labranza, semear sem cultivar, plantio direto na palha. Todos estes nomes tratam de explicar em poucas palavras o conceito deste tipo de agricultura conservacionista, porém, ao final, são os conceitos que são importantes e não o nome que lhes dão. As duas características fundamentais [são] a semeadura em solo sem lavrar, com a mínima remoção possível e a manutenção da superfície coberta com resíduos vegetais.”
matéria sobre o 1º Encontro de Produtores em Plantio Direto da Cooperativa Colônias Unidas (Colonia Obligado, Itapua, Paraguai), 18-19/03/1993, ~200 participantes. Histórico do GRUPLADI (Grupo de Plantio Direto, formado em 1989 após viagens a Ponta Grossa e Campo Mourão). Área PD: 2.500 ha em 1989 → 15.000 ha em 1993. Palestrantes BR: Herbert Bartz (Rolândia), Luiz Graeff Teixeira (CAT-PF), Aroldo Marochi (Fundação ABC). Paraguaios: Rolf Derpsch (GTZ), Artemio Romero (CRIA), Patrick Wall (CIMMYT)