A EMBRAPA, através do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT), assinou um contrato de cooperação técnica com as empresas: Sementes Agroceres S.A., Monsanto do Brasil Ltda, Semeato S.A. — Indústria e Comércio e Adubos Trevo S.A. — Grupo Trevo. A solenidade de assinatura do contrato ocorre no CNPT, no dia 29 de março, às 11h30min, com a presença de autoridades municipais e ligadas ao setor agrícola, além da alta direção das empresas cooperantes.
O projeto a ser desenvolvido tem por objetivo a viabilização e a difusão do Sistema Plantio Direto no planalto do Rio Grande do Sul e para sua execução serão necessários cinco anos. Neste período, as empresas privadas contribuirão com cem mil dólares, divididos entre elas e liberados em parcelas iguais, anualmente.
Segundo o Coordenador do Projeto, José Eloir Denardin, o mesmo está dividido em sete subprojetos que abrangem os seguintes temas: calibração e amostragem de solo para a recomendação de adubação e calagem no Sistema Plantio Direto; correção da acidez do solo em Plantio Direto; adubação profunda em Plantio Direto; manejo integrado de plantas daninhas; técnicas de aplicação de herbicidas; manejo da aveia preta como cobertura do solo em Plantio Direto; estabelecimento de uma lavoura demonstrativa sob Sistema Plantio Direto nos campos experimentais do CNPT; e treinamento da assistência técnica oficial e privada, a implantação de lavouras demonstrativas por cada um dos treinados.
O Coordenador do Projeto ressalta que não serão realizadas pesquisas no sentido de testar e/ou desenvolver produtos ou insumos. Os objetivos e as metas do trabalho são de viabilizar a adoção do Sistema Plantio Direto do Planalto Gaúcho, pois as pesquisas realizadas, até o momento, resultaram em técnicas potencialmente adotáveis em toda esta região. Contudo, para o estabelecimento e a continuidade deste sistema, bem como para a sua expansão, existem limitações técnicas e de difusão da tecnologia. Além do treinamento técnico é necessário motivar a assistência técnica, produtores, empresários e autoridades no sentido de estimular as comunidades rurais para a aquisição conjunta de semeadoras para plantio direto, na forma de condomínios, cooperativos ou patrulhas mecanizadas, para prestar serviços a pequenos produtores, visando viabilizar a difusão, a expansão e a continuidade do sistema.
Viabilização e Difusão do Sistema Plantio Direto no Planalto do Rio Grande do Sul
1 — JUSTIFICATIVA
A introdução da soja, como uma cultura comercial, no Planalto do Rio Grande do Sul, no final da década de sessenta, ocasionou uma ampla expansão da fronteira agrícola desta região. Nesse processo de expansão predominou a substituição da pecuária tradicional, da agricultura de subsistência e da mata nativa pela sucessão de culturas trigo-soja, sob intensa mecanização. O preparo excessivo do solo, duas vezes por ano, associado à queima sistemática dos restos culturais, à utilização de áreas impróprias para culturas anuais e às características das precipitações pluviométricas, desencadeou desequilíbrios nas propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, resultando em sérios problemas de degradação e de erosão. A degradação dos solos tem sido constatada pela estagnação ou redução da produtividade das culturas e pela debilidade estrutural expressa pelos solos. As perdas por erosão, que atingem valores médios regionais acima de 20 t/ha/ano, têm sido evidenciadas pelas frequentes rupturas e/ou transbordamentos dos sistemas de terraços, no assoreamento de [?cursos d’água, sedimentação de açudes e estradas?] vicinais, especialmente nos meses de preparo de solo para as culturas de primavera-verão. Além disso, perda de nutrientes por erosão, como fósforo total e potássio disponível, atingindo valores acima de 100 kg/ha/ano, sob o sistema convencional de preparo de solo, têm elevado, consideravelmente, os riscos do negócio agrícola.
A reversão desse processo de degradação dos solos no Planalto do Rio Grande do Sul requer ações integradas de manejo conservacionista de solo. Sem dúvidas, o primeiro passo nesse sentido, constitui-se na redução das perdas de solo, de água e de nutrientes por erosão. O sistema plantio direto tem se mostrado como a técnica de manejo conservacionista do solo mais eficiente para o controle da erosão hídrica ao nível de lavouras produtoras de grãos. Índices de redução dessas perdas, em relação ao sistema convencional de preparo do solo, ultrapassam a 90%. Sob esse sistema, com o passar do tempo, a fertilidade do solo é melhorada, pela redução das perdas e pela menor imobilização dos nutrientes, proporcionadas pelo preparo de solo; a produtividade das culturas tende a estabilização, pela redução dos impactos negativos das variáveis climáticas adversas; as culturas apresentam maiores respostas ao uso de insumos químicos; e o manejo integrado de pragas, de doenças e de plantas daninhas, através do uso racional de agroquímicos tem evitado contaminações ambientais, uma vez que a presença de restos culturais na superfície do solo favorece a elevação da atividade biológica a qual biodegrada “in situ” grande parte dos insumos aplicados. Por tudo isso o sistema plantio direto constitui-se na técnica com o maior potencial para a implementação de uma agricultura sustentável nessa região.
As pesquisas em plantio direto, conduzidas no Brasil, têm desenvolvido técnicas potencialmente adotáveis em toda a região do Planalto do Rio Grande do Sul. Contudo, para o estabelecimento e a continuidade desse sistema, bem como para a expansão da área assim manejada, em diferentes tipos de solo e de estruturas fundiárias, há ainda limitações tecnológicas e de difusão.
DEPOIMENTOS NA ASSINATURA
[Em discurso na assinatura do convênio,] o Diretor do CNPT Euclydes Minella afirmou que este era um momento histórico dos mais importantes vividos pela pesquisa brasileira. Para Minella, a Instituição que dirige vai dar a resposta que a Sociedade Brasileira necessita em relação ao plantio direto pois, em última análise, é a Sociedade quem mantém as entidades de pesquisa.
Falando em nome da Agroceres, a seguir, o Diretor de Pesquisas Mário da Silva Campos afirmou que “É um prazer representar a Agroceres num projeto de tal envergadura. E esse prazer deriva do fato de que essa atividade vem de encontro à modernidade, tanto na agricultura em si, como na própria maneira de agir.” No seu discurso rápido e incisivo, Mário Campos ressaltou o fato de que, com a assinatura do convênio, as quatro empresas “deixam de lado a verticalização em suas atuações, passando a cooperar entre si e com o poder público para projetos de longo alcance.”
Em seguida, falou o Diretor Presidente da Semeato Roberto Rossato: “Nós pensamos, todos juntos, que deste momento em diante, o Sistema Plantio Direto, tão necessário para solucionar os problemas graves existentes no uso do solo agrícola, deverá experimentar um notável avanço em termos de quantidade e, principalmente, de qualidade.” Afirmou Rossato. Para ele, os pesquisadores da Embrapa possuem uma importante bagagem, que os capacita para a execução desse projeto. “Juntos, sem dúvida que os objetivos serão alcançados e vamos ter resultados muito importantes nos próximos anos, para que possamos mudar a face da nossa agricultura”, disse ele.
Representando a Monsanto, Osmar Bergamaschi, Diretor de Agricultura cumprimentou a Embrapa pela iniciativa histórica. Bergamaschi fez uma série de oportunas colocações relativas ao momento, [citando as] mudanças geopolíticas que ocorreram na Europa, o surgimento dos Tigres asiáticos como exemplos vivos de mudanças rápidas e profundas, que nos fazem meditar. “Dentro deste contexto, prosseguiu Bergamaschi, tudo o que era simplesmente necessidade de excelência em produtividade torna-se questão de sobrevivência. E dentro de um cenário como este, onde os recursos ficam cada vez mais escassos e [?carecem ser otimizados?]”.
[?Falando pelos Adubos Trevo,] Paulo Burlamaqui, representante da Adubos Trevo, [...] disse ser esse o objetivo número um da Empresa. E ressaltou: “Essa parceria, apesar de estarmos fazendo uma assinatura aqui na Embrapa, é uma parceria com o agricultor e o patrimônio brasileiro que é o solo. Em síntese, o que este projeto visa é trazer um retorno maior para o que o agricultor investe no campo e preservar o patrimônio nacional que é o solo.” Para Burlamaqui “a Trevo está orgulhosa de entrar nesse projeto, com objetivo de dar os recursos para que a Embrapa viabilize sua execução e nós acreditamos na Instituição e na sua capacidade de levar adiante as propostas do convênio. Nós acreditamos na terceirização, porque quem tem como objetivo básico fazer determinada coisa, faz melhor que ninguém.” Ele finalizou, afirmando que “a Adubos Trevo existe há 62 anos porque acredita na parceria com o agricultor, [buscando maior] produtividade, com um custo benefício mais adequado, preservando os recursos naturais.”
Falando em nome do Município de Passo Fundo e da Região, o Secretário Municipal de Agricultura e Pecuária, Médico Veterinário Edson Nunes, disse que a assinatura do Convênio objetivando o desenvolvimento do plantio direto foi um momento extremamente significativo para todo o Planalto Rio-grandense. Além disso, segundo ele, a partir do estabelecimento dessa primeira parceria, ela servirá de exemplo a outros órgãos públicos e empresas que, certamente, induzirão a processos semelhantes.
Para o Engenheiro Agrônomo Antoninho Berton, responsável pela conservação de solos na Emater Regional de Passo Fundo e da direção da Associação dos Engenheiros Agrônomos, certamente o projeto capacitará a assistência técnica tanto oficial como privada para que ela possa levar aos agricultores a viabilização do sistema plantio direto. Segundo Berton, “[?o programa contará com o?] apoio da assistência técnica e extensão rural. Nós entendemos também que, dentro do trabalho que prioriza-mos hoje, o programa de microbacias hidrográficas, o plantio direto vai coroar a conservação do solo, mantendo e fortalecendo esse sistema que vem se desenvolvendo no nível de Rio Grande do Sul.”
matéria sobre o convênio assinado em 29/03/1993 no CNPT-EMBRAPA (Passo Fundo) entre o CNPT e quatro empresas: Sementes Agroceres, Monsanto, Semeato e Adubos Trevo (Grupo Trevo). 5 anos, US$ 100 mil de aporte privado. Coordenador José Eloir Denardin. 7 subprojetos. Falas de Euclydes Minella (CNPT), Mário da Silva Campos (Agroceres), Roberto Rossato (Semeato), Osmar Bergamaschi (Monsanto), Paulo Burlamaqui (Trevo), Edson Nunes (Sec.Mun.Agric.PF), Antoninho Berton (Emater Regional). Inclui justificativa técnica completa do projeto