Na solenidade de abertura do Simpósio Internacional de Plantio Direto em Sistemas Sustentáveis, na noite de 08 de março, ocorreu o lançamento do livro “Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto”, de autoria do engenheiro agrônomo João Carlos de Moraes Sá — Juca, da Fundação ABC. A publicação foi um convênio da Fundação ABC com a Editora Aldeia Norte, que edita o Jornal do Plantio Direto e está programando o lançamento do compêndio de diversos autores denominado “Plantio Direto/Brasil”, que abordará 14 itens do Sistema Plantio Direto, desde histórico, adequação da lavoura, fertilidade e calagem, passando por rotação de culturas, economicidade, máquinas e outros.
Na ocasião do lançamento de “Manejo da Fertilidade”, Juca demonstrou toda sua satisfação por ver chegar ao público um material importante para todos os que trabalham o solo de uma forma equilibrada. Ao autografar o livro para autoridades, amigos e participantes do Simpósio, ele não deixou de ressaltar que esta primeira obra é resultado não só do seu esforço mas de toda uma equipe que trabalha de forma harmônica dentro da Fundação ABC e nos departamentos técnicos das cooperativas membros. Falou também da importância no resultado do livro da relação prática com os produtores, com os quais foi possível equacionar as propostas teóricas levantadas na bibliografia revisada e nas parcelas pesquisadas com a equipe ABC.
“Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto” é o resultado de pesquisas e observações que refletem não só os trabalhos de experimentação em nível de campo e uma ampla revisão bibliográfica mas também o conhecimento de quase duas décadas do plantio direto nos Campos Gerais do Paraná, na área de fertilidade. O lançamento deste livro acontece num momento importante da agricultura brasileira e mundial, quando o sistema plantio direto na palha apresenta um desenvolvimento qualitativo e quantitativo notável, tornando-se uma resposta prática à necessidade de uma agricultura sustentável, que produza alimentos para as gerações atuais, sem comprometer o substrato de vida daqueles que ainda estão por nascer.
Nas apresentações do livro, que contou com o apoio da ICI Brasil para a sua edição, o Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Manoel Henrique Pereira, diz que “O suporte tecnológico ao produtor está presente mais uma vez através deste trabalho do engenheiro agrônomo João Carlos de Moraes Sá. Com clareza e objetividade, transfere para a prática conhecimentos científicos sobre o que ocorre no solo, resultado do manejo de dezenas de toneladas de palhas e raízes, da estabilidade do plantio direto na palha e sua sustentabilidade nos últimos 15 anos de produção agrícola conservacionista”.
Para o Presidente da Fundação ABC Franke Dijkstra, que também fez a apresentação, os Campos Gerais são um imenso laboratório, onde se destacam os trabalhos experimentais do Grupo ABC. Para ele, através de trabalhos como este, obtemos mais argumentos para nos auxiliar nas tomadas de decisão, em especial no manejo do solo e sua fertilidade. A busca de um melhor entendimento do que se passa no solo não acaba aqui. A microbiologia e a fauna do solo estão, ano a ano, revelando novidades.
Daí a importância desta prática, pois assim são reveladas as realidades de um modelo agrícola. Esta é, sem dúvida, a visão da agricultura do ano 2.000. Devemos minimizar nossas reservas esgotáveis e otimizar a utilização de nossos recursos naturais. O Plantio Direto não somente é uma técnica diferente, mas sim, uma questão de sobrevivência.”
Já o pesquisador científico Bernardo Van Raij, do Instituto Agronômico de Campinas, que fez o prefácio do livro, afirmou que “O importante é o resultado: melhor compreensão da fertilidade do solo e possibilidade de manejo mais refinado da adubação, o que resulta em maiores lucros aos produtores. Cumprimenta o autor e os produtores da região dos Campos Gerais por esta publicação, cuja utilidade extrapola, e muito, a região que lhe deu origem”.
RESUMO
A adoção de métodos de preparo do solo altera o teor, o conteúdo da matéria orgânica e a distribuição dos nutrientes no perfil. No sistema de plantio direto, a acumulação de matéria orgânica na superfície do solo, proporcionou aumento das atividades biológicas, transformando os resíduos das culturas em “humus” e liberando nutrientes em formas soluíveis para absorção pelas plantas. Na região de atuação da Fundação ABC, situada nos Campos Gerais, Centro-Sul do Paraná, o sistema de plantio direto alcança 80% da área total dedicada ao plantio de grãos (soja, milho, feijão, trigo e triticale). Visando estabelecer critérios para o manejo da fertilidade e a estratégia de fertilização das culturas, foi desenvolvido, nos últimos cinco anos, um seguinte programa de trabalho: a) Implantação de experimentos, objetivando caracterizar os níveis de respostas para nitrogênio, fósforo, potássio, zinco, levando-se em consideração a classe de fertilidade e a rotação de culturas; b) Medição de pontos e correção do solo; c) Monitoramento das propriedades químicas do solo, do estado nutricional das culturas (milho, soja, trigo e aveia), o desenvolvimento radicular, o histórico de uso da terra e a produtividade em 40 fazendas de cooperados.
Observou-se maior acúmulo de matéria orgânica na camada superficial (0−5 cm), quando foi utilizada a cultura do milho em maior frequência, alternando com soja. A necessidade de nitrogênio foi maior nessa situação quando comparada à rotação que adotou o milho após dois cultivos de soja. Observou-se que o nível de bases trocáveis e [?o acúmulo de matéria orgânica?] na camada superficial e a aplicação de nitrogênio em cobertura permitiu um aumento de [?5 a 75%?] na quantidade de nitrogênio aplicada no milho, em classe de fertilidade média e alta, respectivamente. A cultura de aveia preta (Avena strigosa), provocou comportamento diferente no milho, porém, os resultados foram semelhantes quando eliminada a carência de nitrogênio na fase inicial de desenvolvimento, com a aplicação de nitrogênio em pequena dose e altura significativa, ten[?do?] a ser aplicada em sequência. [?O principal motivo pela acidificação do solo na palhada superficial. A classe textural do solo exerceu?] influência na sua intensidade. Em solos arenosos, o efeito foi maior em função da baixa CTC e do poder tampão. A aplicação de calcário na superfície proporcionou os melhores rendimentos para milho e soja com o melhor custo benefício, comparado com os tratamentos incorporados. Foi evidente a acumulação de fósforo nas camadas de 0-2,5 e 2,5-5,0 cm. Observou-se em solo com nível baixo de fósforo, após seis cultivos sucessivos (ervilhaca/milho/aveia/soja/trigo/soja) sem adição de fertilizante fosfatado, níveis adequados do nutriente no tecido foliar e elevados índices de produtividade (3,6 ton. M.S. de aveia-preta; 4.124 kg/ha de soja; 2.720 kg/ha de trigo e 3.100 kg/ha de soja). A variação abrupta do teor encontrado na camada superficial para a subsuperfície, não causou limitações à produtividade.
Constatou-se que a distribuição no perfil do solo e o nível de resposta ao potássio foi em função de: a) Classe textural; b) A produtividade da cultura da soja e sua frequência de utilização na rotação devido a alta remoção pelos grãos. A resposta a zinco foi expressiva, com até 13% de aumento na produtividade e os fatores envolvidos são em ordem de prioridade: pH; teor de fósforo; teor de matéria orgânica e bases trocáveis.
“Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto” pode ser adquirido na Fundação ABC em Castro-Paraná e na Aldeia Norte Editora — Passo Fundo.
FUNDAÇÃO ABC: Cx. Postal 892, Ponta Grossa-PR, CEP 84.001-970. Telefone (0422) 32-2662. Fax (0422) 32-1232.
ALDEIA NORTE: Rua Capitão Eleutério, 404 — Sala 33. Passo Fundo-RS, CEP 99.010-065. Telefone (054) 313-2446.
matéria sobre o lançamento (08/03/1993) na noite de abertura do Simpósio Internacional de Plantio Direto em Sistemas Sustentáveis (Castro-PR) do livro 'Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto' de João Carlos de Moraes Sá (Juca), Fundação ABC. Convênio Fundação ABC + Aldeia Norte Editora. Apresentações: Manoel Henrique Pereira (Febrapdp), Franke Dijkstra (Fundação ABC), prefácio de Bernardo Van Raij (IAC). Anuncia compêndio futuro 'Plantio Direto/Brasil' (14 itens). Resumo técnico extenso com dados experimentais de 40 fazendas dos Campos Gerais