Industrial chileno é adepto do Plantio Direto


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Publicado em: 30/12/1992

“Mesmo com as grandes pendentes da pré-cordilheira Andina, onde se localiza nossa fazenda, até com chuvas de 150 mm, vemos com satisfação que a água sai limpa dos potreiros e lavouras, enquanto que a água do meu vizinho parece uma taça de chocolate”. Quem assim se expressa é o industrial chileno Roberto Parrague Bonet, que produz avisos luminosos para todo o país e que, desde 1984, quando procurou Carlos Crovetto para saber alguma coisa sobre plantio direto, passou a ser seu grande amigo e fiel escudeiro em viagens como a que fizeram juntos, pela segunda vez, a Passo Fundo. Aquele ano de 84 marcou o conhecimento de Parrague com a cero labranza, na mesma época em que vieram a Passo Fundo buscar a primeira semeadora da Semeato, com as quais trabalham até hoje.

“Quando adquirimos uma área agrícola no município de Mutchen, a 575 km ao sul de Santiago, nós nos deparamos com os problemas graves de erosão que ainda afetam todo o Chile. Como neste último ano, prossegue Roberto, demonstrando um profundo conhecimento das coisas da terra, em que choveu acima da média normal para a região, onde existem solos de cinzas vulcânicas milenares, que tem uma consistência do pó. No verão, com a seca, ocorre uma poeira que se levanta com vento. Na agricultura convencional se moí o solo o que propicia uma erosão fantástica quando chove. O Chile possui [?milhares?] e [?milhares?] [de hectares afetados pela erosão].”

“A raíz desse panorama, com estas consequências físicas do solo, eu me interessei por algum sistema novo, algo que fosse distinto do que tradicionalmente se fazia. Eu nunca havia feito agricultura na minha vida. Interessei-me quando um sobrinho agrô[nomo] mencionou a palavra cero labranza (plantio direto) e, depois de alguma pesquisa, visitamos Carlos Crovetto, que nos mostrou seu trabalho. Em 1984, Carlos já tinha resultados muito positivos, era um entusiasta do sistema e já o praticava com muita tecnologia e amor à terra”.

Tendo começado lentamente, com 20 ha de trigo semeado sobre campo nativo, Roberto Parrague possui hoje 250 ha em plantio direto incluídos pastagens para o gado, aveia, em rotação com trigo e colza. Milho não é possível plantar, porque no verão a chuva é escassa e ainda não possui irrigação.

“Neste momento existe um grande entusiasmo no Chile em relação ao manejo do solo e ao controle da erosão, estamos dando maior impulso a cero labranza”. Finaliza Roberto. “Creio que pelas mesmas causas que estão impulsionando o sistema no Brasil: controle da erosão, a maior proteção do solo, maior vida orgânica, todos esses itens bastante debatidos”.

matéria-perfil sobre Roberto Parrague Bonet, industrial chileno (avisos luminosos) que se converteu ao plantio direto em 1984 após visita a Carlos Crovetto. Propriedade no município de Mutchen, 575 km ao sul de Santiago. Iniciou com 20 ha de trigo sobre campo nativo, hoje 250 ha em PD (trigo, aveia, colza + pastagens para gado)