Por Ademir Mazon (*)
No mundo, a ICI foi pioneira no desenvolvimento do Sistema de Plantio Direto. Sistema este, que hoje, mais do que nunca, vem se constituindo numa das mais eficientes formas de produzir, visto que, produz e preserva, assegurando assim a continuidade da exploração agropecuária.
No Brasil, o Plantio Direto foi introduzido no ano de 1972, desenvolvendo-se num ritmo relativamente lento, contudo, apropriado às exigências que a aprendizagem de um novo sistema de cultivo pedia. A consolidação refreava-se devido ao surgimento de problemas oriundos de apelos não condizentes com a boa prática referendada pelos pioneiros. Chegamos até mesmo a enfrentar momentos de incerteza diante de fatos que comprometiam nosso trabalho, bastante árduo, para plantar a idéia.
Mas, o enorme cabedal de informações e cultura técnica não poderia, em hipótese alguma, ser desperdiçado. Afinal, a ICI sempre trabalhou junto aos institutos de pesquisa, cooperativas, órgãos de extensão rural, associações de produtores e, principalmente, junto ao agricultor para adequar o sistema às condições locais, pois tínhamos plena convicção que o Plantio Direto continha todos os ingredientes para a agricultura do futuro. Os agricultores que bem o praticavam, reconheciam seus benefícios e nós sabíamos que era uma questão de tempo, uma vez que, como já disse alguém, “o tempo conquista tudo e nós lhe devemos obediência”.
Assim, aquela consciência dos pioneiros de que o Plantio Direto não é apenas uma opção e sim uma questão de sobrevivência, está hoje, mais do que nunca, prestes a assumir sua merecida dimensão. Para termos uma idéia do que isto representa, recente publicação dos Estados Unidos estima que, no ano 2000, naquele país, 80% da área cultivada deverão ser sob o sistema de Plantio Direto.
E o Brasil, qual é a situação? Bem, sem dúvida avançamos bastante, tanto que atualmente já temos mais de 1.200.000 hectares com Plantio Direto. Todavia, o importante são as inegáveis e animadoras perspectivas de crescimento. E, neste contexto, devemos colocar o vasto terreno que se abre com a introdução do sistema do Plantio Direto no cerrado brasileiro.
Estamos falando de uma área de mais de 180 milhões de hectares, onde aproximadamente 50 milhões são aproveitáveis. O ecossistema frágil do cerrado é altamente susceptível à degradação do solo, por isso ele exige cuidados especiais, caso contrário, a sua exploração fica comprometida. Mais uma vez estamos falando de uma necessidade e não somente de uma opção. Devido às características específicas existentes no cerrado, principalmente no que diz respeito ao regime pluviométrico, onde no período seco tem-se praticamente 180 dias sem chuva, há grande dificuldade de se manter o solo com uma cobertura.
Graças ao trabalho de vários anos de pesquisa no âmbito oficial, hoje já existem espécies vegetais perfeitamente adaptadas a essas condições, tais como o milheto africano, guandu, entre outras. Além disso, com boa programação na época de plantio pode-se conseguir uma segunda safra de verão (safrinha), o que viabiliza o Plantio Direto.
Com tais opções, a ICI montou e está propondo aos agricultores um programa de Plantio Direto no cerrado, que será difundido em Áreas Pólos regionais, sob a responsabilidade de pessoas tecnicamente capacitadas para difundir o sistema e mostrar que, para retirar dele todas as possibilidades, há que se [?aplicar a tecnologia adequada?]. Graças à evolução da indústria, o Brasil tem à disposição o que há de mais moderno no mundo em termos de tecnologia, tanto de herbicidas quanto de máquinas e equipamentos para Plantio Direto. E neste momento histórico estamos unindo esforços no sentido de dar o impulso definitivo ao sistema de Plantio Direto no país. E a melhor prova do que estamos falando é a recém-criada Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp). Além da conjugação de esforços visando integrar todos os setores e buscar melhores condições para o Plantio Direto, a Febrapdp representa o Brasil junto à Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável (CAAPAS).
Uma iniciativa que o primeiro presidente da Federação, senhor Manoel Henrique Pereira (Nonô), situa do seguinte modo: “O produtor quer se unir. As manifestações aparecem a todo momento; eles querem se encontrar para discutir, para esclarecer dúvidas e para melhorar o acompanhamento técnico. Existem muitos espaços a preencher. As limitações que temos hoje em dia serão vencidas, é uma questão de solidariedade, de persistência e nós venceremos todos os compromissos”.
Sábias palavras, divulgadas no Jornal do Plantio Direto, e por nós endossadas, pois aponta para o futuro, para a sobrevivência da agricultura e da própria espécie humana. Toda essa disposição casa, perfeitamente, com o programa de orientação técnica que a ICI está colocando à disposição dos agricultores nos mais diversos rincões desse país e, agora, também no cerrado, que consideramos a mais nova e promissora frente de expansão para o Plantio Direto.
(*) ICI Brasil — Divisão Agrícola.
Ademir Mazon (ICI Brasil — Divisão Agrícola). Artigo opinativo sobre o avanço do PD no cerrado, lembrando o pioneirismo da ICI no desenvolvimento do sistema mundial e os 1,2 milhão de ha de PD no Brasil em 1992. Cita Manoel Henrique Pereira (Nonô), presidente da recém-criada Febrapdp e a CAAPAS