Palhada do Arroz pode controlar Doença do Feijoeiro Irrigado


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Publicado em: 30/10/1992

A podridão branca das hastes, também conhecida como mofo branco ou podridão de esclerotinia (agente causal Sclerotinia sclerotiorum), foi introduzida nos cerrados no início da década de 80. Esta doença pode causar perdas de até 20% em lavouras de soja do Brasil Central, dependendo principalmente das condições climáticas. Em anos chuvosos, quando não ocorre veranico em janeiro, a doença é geralmente mais severa.

Com o advento da irrigação por aspersão nos cerrados, principalmente por pivô central, os agricultores passaram a cultivar feijão, ervilha ou tomate no inverno e soja no verão. Como consequência imediata, os restos de cultura da soja contaminada com podridão branca serviram como fonte de inóculo para o feijão, ervilha ou tomate, onde tem-se verificado perdas de até 70% em lavouras de feijão irrigado.

O controle químico da esclerotinia não tem sido consistente, principalmente devido à insistência do agricultor irrigante em erradamente aplicar fungicida via pivô central (água de irrigação). O uso intensivo de fungicidas aumenta o risco de contaminação de alimentos para as pessoas humanas e para os animais por resíduos de agrotóxicos, além de aumentar o risco do fungo causador da doença esclerotinia tornar-se resistente aos fungicidas.

Nos meses de agosto/setembro de 1992 foram feitas observações em sistemas de produção irrigados por pivô central nas regiões produtoras do Distrito Federal, pelos Drs. John Clifford Sutton e Luiz Carlos Bhering Nasser, respectivamente professor da Universidade de Guelph, Ontário, Canadá (atualmente consultor do CPAC/EMBRAPA) e pesquisador da CPAC/EMBRAPA.

Foi observada uma queda no ataque da esclerotinia em feijão cultivado pelo método de plantio direto, em áreas que foram cultivadas com arroz de sequeiro na safra anterior (91/92). O feijoeiro cultivado por este método, ou seja, sobre a palhada deixada pela cultura do arroz, e que tinha entre 3 e 5 cm de espessura, fez com que a forma de resistência e multiplicação da esclerotinia (esclerócios) ficassem em contato com o solo.

Nessas mesmas áreas, em culturas anteriores de feijoeiro irrigado, houve ataque severo dessa doença. Como o quadro que se estabelece após a introdução deste fungo na área tende sempre a se tornar cada vez mais severo, o estabelecimento da cultura do feijoeiro sobre a palhada do arroz permitiu uma reversão do quadro. Assim sendo, não foi necessária a aplicação de fungicida, fazendo com que o agricultor economizasse cerca de 4.000 (quatro mil) dólares por pivô central de 100 (cem) hectares.

Maiores informações: Dr. Luiz Carlos Bhering Nasser. Fax: (061) 389-2953. Fone: (061) 389-1171, Ramal 212. Caixa P.: 08.223 - Planaltina-DF.

Dr. John Clifford Sutton (U. Guelph, Ontário, Canadá — consultor CPAC/EMBRAPA) e Dr. Luiz Carlos Bhering Nasser (CPAC/EMBRAPA Planaltina-DF). Observações em sistemas irrigados por pivô central no DF (ago-set/1992). Sclerotinia sclerotiorum / esclerotinia