Argentina pesquisa inoculante de solo


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Publicado em: 30/10/1992

Nas duas palestras que proferiu no 1º Curso Intensivo de Plantio Direto, o engenheiro agrônomo Alejandro Cariola, do Centro de Investigaciones en Biotecnología y Ecología Microbiana e membro da Asociación Amigos del Suelo, de Buenos Aires-Argentina, mostrou fotos de experimentos na cultura da alfafa, com desenvolvimento altamente diferenciado. Uma das parcelas mostradas aparecia uma cultura de biomassa intensa, cor forte, cujo desenvolvimento a maior deveu-se à injeção de um composto de palha em decomposição mais colônias da bactéria Azotobacter.

“Trata-se de uma bactéria fixadora de nitrogênio, com requerimentos específicos de matéria orgânica, pH, umidade, temperatura e nutrientes a qual estamos trabalhando em laboratório com objetivo de viabilizar a sua inoculação em solos depauperados”, informa o engenheiro agrônomo argentino. Os avanços são lentos, em relação ao que se desejava, por falta de apoios financeiros mais substanciais. “Temos pouca disponibilidade de ferramentas para trabalhar assim que se faz mais ‘a pulmão’ do que outra coisa. Mas, no próximo ano, devemos acelerar os testes ao nível de campo para checarmos definitivamente essas possibilidades”, afirma ele.

MICROBIOLOGIA / IMPORTÂNCIA DA PALHA

Especialista e amante da microbiologia do solo, Alejandro Cariola trouxe um brilho a mais ao grupo de palestrantes brasileiros que fizeram o sucesso do curso de Plantio Direto. Para ele, a deposição contínua de palha sobre o solo pode gerar, no decorrer dos anos, uma verdadeira explosão de fertilidade. “Existe um processo simbiótico entre os microorganismos do solo e quando este é alimentado, a ação se potencializa. Nós temos que nutrir o solo, pensar não somente na planta mas ir abaixo dela”, afirma. Segundo ele, uma das bactérias mais importantes é a do gênero Citofaga pseudomonas, que possui capacidade de degradar a celulose, formando um colóide que agrega as partículas do solo e, ao mesmo tempo, forma subprodutos como álcoois e ácidos que nutrirão o Azotobacter, que por sua vez fixará nitrogênio livre, tornando mais rico o meio onde se encontra, com um potencial de fertilidade naturalmente maior. É essencial estabelecer esta cadeia produtiva e a adição do Azotobacter, que se pretende tornar um procedimento normal, serviria para acelerar o processo, tornando o solo mais fértil, a partir da palha.

Além disso, a união das partículas do solo com a presença do colóide poliurônido aumenta a resistência ao impacto da gota da chuva nas camadas superiores do solo.

SIEMBRA DIRECTA / PECUÁRIA

“O Plantio Direto na Argentina começa a revigorar o movimento que começou através da AAPRESID (Associação Argentina de Siembra Directa)”, prossegue Alejandro. “Eles começaram a gerar novamente a consciência do plantio direto na Argentina, a partir de Rosário. Nos anos 78/79, recordo que começaram a surgir as primeiras propostas de semeadura direta mas que acabaram não se fixando porque faltavam insumos e tecnologia apropriada para seu desenvolvimento. Alguns agricultores, que atualmente estão no sistema, começaram então a procurar alternativas de produção. Hoje, todos sabem na Argentina que o mais importante a ter em conta é que o solo é único e que, por si, não tem capacidade de regenerar-se em pouco tempo.”

Demonstrando também ser um apaixonado pelo uso da pecuária, Alejandro Cariola disse o que pensa sobre essa questão. “É muito importante poder chegar a integrar a pecuária com a agricultura porque os animais também são organismos habitantes do solo. Acredito que, como qualquer organismo vivo, o solo precisa de um descanso e essas férias que devemos dar ao solo por ter colaborado conosco pode ser o uso do gado. O agricultor tem que pensar que o solo é o seu melhor amigo”, enfatiza. E prossegue: “Os trabalhos com gado não só são importantes do ponto de vista de eliminação de parte da palha mas sim porque os animais possuem a capacidade de transformar essa palha, que absorve em seu ciclo ruminal, num processo similar ao que ocorre no solo. Ele devolve ao solo a palha já digerida ou pré-digerida.”

Por isso é importante que os solos depauperados, que não possuem uma atividade microbiana satisfatória, possam ser usados pela pecuária. Muitos produtores, em várias circunstâncias, retiram excesso de palha fazendo uma translocação de fertilidade. E, além disso, da incorporação de fósforo, potássio e nitrogênio como fertilizantes, a urina também ajuda a neutralizar o pH do solo, pela liberação do amoníaco.

“Na Argentina utilizamos muito o gado em solos salinos, que são bastante degradados. Fazemos um cultivo de milho para pastoreio e assim, através da passagem pelo rúmen dos animais, onde existem bactérias que decompõem a celulose, nós estamos incorporando naturalmente esse potencial ao solo”, finaliza Cariola, que deverá voltar ao Brasil em 1993, para novos cursos e pesquisas.

Eng° Agr° Alejandro Cariola — Centro de Investigaciones en Biotecnología y Ecología Microbiana e membro da Asociación Amigos del Suelo (Buenos Aires-Argentina). Palestras no 1º Curso Intensivo de PD (set/1992) sobre Azotobacter, Citofaga pseudomonas e integração lavoura/pecuária