A busca de um sistema de exploração agropecuária que envolve a rotação de culturas, as quais são estabelecidas com o revolvimento do solo exclusivamente na linha de semeadura, feita em cima dos restos culturais (palha) dos cultivos anteriores, e que confirma uma tendência de volta ao equilíbrio rompido quando abrimos as matas e aramos a terra — e que chamamos de plantio direto — vai se generalizando em todos os recantos.
Agora é definitivo: os anos 90 marcarão uma nova era na história do sistema no Brasil e na América Latina. A efervescência de hoje não tem precedentes. As experiências vitoriosas, iniciadas há vinte anos, e até recentemente confinadas a microrregiões do Paraná e Rio Grande do Sul, espalham-se pelo Brasil.
A erosão do solo, queda de produtividade e rentabilidade, os altos custos de produção, o endividamento da maioria contrastando com altas produtividades, diminuição de custos operacionais, a efetiva recuperação de terras degradadas e estabilidade de renda da minoria que faz plantio direto (que embora a crise ainda investe e consegue pagar os compromissos) geraram um cenário impossível de não ser analisado.
Fabricantes de máquinas, implementos e agroquímicos redobram esforços no aperfeiçoamento de produtos, investem pesado no fomento, divulgação, assistência e no apoio às iniciativas que promovam o sistema. Empresas pioneiras [se renovam], criando departamentos específicos para aperfeiçoar o marketing para esse segmento.
A pesquisa dá respostas mais consistentes aos produtores e ampliam seus trabalhos para dar maior sustentação ao sistema.
A organização aumenta. Cresce o número de produtores que se reúnem em clubes para troca de experiências e difusão da tecnologia. Formou-se a Confederação Brasileira de Plantio Direto na Palha e a Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável (já com apoio do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e México). São organismos fortes para tratar com governos e instituições, visando mudar o panorama de degradação que cerca a agricultura. O espaço obtido na Rio-92 já foi decorrência dessa organização.
Observa-se, também, uma insaciável procura por informações, com grande número de produtores e técnicos participando de encontros, cursos, seminários e reuniões, que se realizam com frequência no Brasil, Argentina e Chile. Num período de 90 dias foram registrados eventos dessa natureza em Cruz Alta-RS (com 700 pessoas), Fortaleza dos Valos-RS (200 pessoas), Campo Mourão-PR (650 pessoas), Maracaju-MS (200 pessoas), Brasília-DF (200 pessoas), Canoinhas-SC (150 pessoas), Mafra-SC (120 pessoas), entre outros. Em setembro serão realizados um seminário na Bahia, outro em Pelotas-RS e um curso para agrônomos e estudantes para 200 pessoas em Passo Fundo e Cruz Alta.
O plantio direto é a prática mais palpável de conservação do ambiente no sistema de uma agricultura sustentável e cresce de forma impressionante a área de lavoura que deixa de lado o plantio convencional. Tanto nas regiões mais tradicionais do Paraná e Rio Grande do Sul como no cerrado brasileiro. Em Posse, Goiás, em apenas três anos foram implantados 35 mil hectares com plantio direto.
matéria-balanço sobre o crescimento explosivo do PD no Brasil/América Latina nos anos 90. Cita Confederação Brasileira de PD na Palha + CAAPAS, espaço na Rio-92, e cursos/seminários nos últimos 90 dias: Cruz Alta-RS (700), Fortaleza dos Valos-RS (200), Campo Mourão-PR (650), Maracaju-MS (200), Brasília-DF (200), Canoinhas-SC (150), Mafra-SC (120). Em Posse-GO, 35 mil ha em 3 anos