A palavra qualidade, nos últimos tempos, tem sido referida com bastante frequência pelos governistas, empresários e consumidores. O controle de qualidade de um produto começa a partir da seleção da matéria prima. O produto final é então testado para a detecção de defeitos ou anomalias. Quando o controle de qualidade é eficiente, o benefício é uma baixa taxa de devolução do produto adquirido, aumentando assim a lucratividade. No caso da indústria de sementes de soja, a matéria prima é o próprio produto final. Sendo a matéria prima obtida junto à natureza a mesma está sujeita a alterações devido a ação de fatores climáticos dos quais, na maioria das vezes, o produtor não tem como interferir. Além disso a semente é um organismo vivo, que necessita cuidados especiais durante a colheita, beneficiamento, transporte e armazenagem. Aquele que produz, comercializa ou usa semente de soja, sabe que o controle de qualidade e a manutenção desta é fundamental no comércio de sementes.
ANÁLISE DE SEMENTES
A análise de sementes em laboratório é um mecanismo pelo qual a qualidade das sementes de soja é aferida, podendo orientar a tomada de decisão ou mesmo o destino de um lote de sementes.
Especificamente para a cultura da soja desenvolveu-se no Centro Nacional de Pesquisa de Soja da EMBRAPA em Londrina-PR, um teste denominado “Diagnose completa” também conhecido como DIACOM. Este teste consiste de um método dinâmico para a avaliação da qualidade fisiológica e sanitária nos lotes de sementes de soja.
TRATAMENTO DE SEMENTES
O tratamento de sementes de soja vem sendo empregado pelos produtores como uma prática frequente para garantir populações adequadas de plantas por unidade de área, quando as condições edafo-climáticas forem adversas no momento da semeadura e da germinação.
Anteriormente as recomendações para o tratamento de sementes de soja eram específicas para as seguintes situações: a) semeadura efetuada em solo com baixa disponibilidade hídrica; b) quando por falta de sementes de melhor qualidade o agricultor tiver que optar por sementes de padrão B; c) semeadura realizada em solos com baixa temperatura e/ou alto teor de umidade.
O recente aparecimento do cancro da haste da soja no Paraná e a rápida disseminação desta doença para outras regiões do País tem evidenciado a importância do tratamento de sementes como medida preventiva no controle desta doença. O cancro da haste é causado por um fungo do complexo Phomopsis. Pelos métodos rotineiros de laboratório é difícil diagnosticar com segurança o agente causal do cancro da haste, dentro do complexo Phomopsis. Os métodos disponíveis até o momento, são demorados e de alto custo. Portanto, sugere-se como medida preventiva — ao surgimento do cancro da haste — o tratamento de sementes nos lote(s) em que foi identificada a presença de fungos do gênero Phomopsis.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
Com a implantação no Brasil do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a questão sobre controle de qualidade de sementes vem assumindo importância relevante na indústria de semente de soja. Na concepção adotada pelo Código de Defesa do Consumidor a simples colocação de um produto no mercado gera a obrigação de reparar danos por ele causados ou a obrigação de substituir em caso de defeitos ou vícios, bastando a prova que o produto usado não funcionou e que existe uma relação de casualidade entre o dano reclamado e o produto utilizado.
O produtor, o importador e o reembalador devem estar cientes que pelo menos em tese as suas responsabilidades sobre a semente de soja somente se extinguirão quando o consumidor final plantar a semente e a mesma germinar, propiciar boas colheitas e se confirmar (das sementes) tudo que se falou, se prometeu e se esperou.
Portanto, para quem produz e comercializa sementes de soja é importante: a) manter rigoroso controle de qualidade no beneficiamento, b) identificar as embalagens segundo a legislação, c) emitir certificado de garantia das condições do produto no momento da aquisição, e d) elaborar manual ilustrativo indicando riscos inerentes ao mau manuseio da semente de soja após a aquisição.
Já no caso do usuário final sugere-se: a) adquirir sementes de origem conhecida com ampla e clara identificação do produtor, b) exigir certificado de garantia incluindo os resultados dos testes de aferição, c) seguir os cuidados necessários durante o transporte, armazenamento (pré-plantio) e manuseio.
Quadro 2. Simulação de resultados de análise de germinação, tetrazólio e patologia em sementes de soja:
Germinação em condições ótimasTetrazólio: Estimativa do potencial de germinaçãoPatologiaDestino/Ação Menor que 80%AltaMuitos fungos como Phomopsis e FusariumTratar as sementes Menor que 80%BaixaMuitos fungos de Penicillium e AspergillusEvitar o uso como sementes Menor que 80%Baixa (danos mecânicos)Bactérias Bacillus subtilisEvitar o uso como sementes Maior que 80%AltaFungos do gênero Phomopsis spp.Tratar as sementes
(1) Professor da disciplina de sementes na UPF e responsável técnico no SEEDS.
Jonez Leal Severo — Professor da disciplina de sementes na UPF (Universidade de Passo Fundo) e responsável técnico no SEEDS. Cita o teste DIACOM (Diagnose Completa) desenvolvido no Centro Nacional de Pesquisa de Soja da EMBRAPA em Londrina-PR