Não adiantou continuar


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Publicado em: 30/08/1992

Hoje eles têm uma área de 2.500 hectares com trigo, milho, soja, aveia branca e gado e se não tivessem mudado possivelmente não teriam essa estrutura de agropecuária. É o que se desprende das observações do técnico agrícola e bacharel em Direito Osmar João Dalepiane, diretor da empresa.

Embora fale pouco, com receio de ser mal interpretado, Dalepiane conta que lá por 1980 todos chegaram a conclusão de que sem mudar não adiantava continuar. A erosão liquidara o solo e os rendimentos tinham caído drasticamente.

Mesmo sem máquinas e herbicidas adequados resolveram experimentar o plantio direto, iniciando numa área de 250 hectares. “Quando rolamos a primeira aveia as pessoas ficaram espantadas. ‘Vocês estão botando dinheiro fora, dá para mim isso tudo’, elas nos diziam”, recorda Dalepiane.

O começo foi difícil e “após doze anos recém estamos começando a fazer mesmo o plantio direto” afirma ele. Hoje, se desejassem, poderiam se dar o luxo de fazer uma lavoura sem fertilizantes, na mesma terra que há pouco mais de 10 anos produzia muito pouco.

Osmar Dalepiane diz que “há uma diferença de anos-luz entre o convencional e o direto. E só o fato de terminar com a erosão, preservando o solo, é suficiente para apostar no sistema”, diz ele. Mas o retorno vem ainda através da redução de custos e elevadas produtividades. Na última safra de soja a Sementes Santa Helena fechou com uma média de 3.200 quilos por hectare, podendo ser de 4.250 quilos onde foi cultivada a variedade FT-Abyara.

Flávio Roque Rossatto e Walter Barchete Rossatto — Sementes Santa Helena, Três Capões, Cruz Alta-RS. Primeiros gaúchos a apostarem no PD. Inclui depoimento do diretor Osmar João Dalepiane (técnico agrícola e bacharel em Direito)