Faculdade ensina Plantio Direto


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Publicado em: 30/08/1992

“Algo que eu gosto de mostrar exaustivamente é que o Plantio Direto na palha, ou a sua filosofia, não é descoberta de nenhuma habilidade técnica, pessoal, ou a teoria de um indivíduo a ser seguida. A natureza sempre fez isso, ela mesma se preserva. Nós apenas imitamos, fazendo o que ela sempre fez e continua fazendo”. As afirmações categóricas e tranquilas são do engenheiro agrônomo e professor Américo Meinicke, titular da Cadeira de Plantio Direto da Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná, a única escola do país que possui essa matéria em seu currículo. O fato é justificável porque a Faculdade de Ponta Grossa está encravada no meio de um imenso laboratório de 150.000 hectares em toda a região dos Campos Gerais do Paraná, que são semeados anualmente sob o Sistema Plantio Direto na palha. Era natural que a Faculdade de Agronomia assumisse de forma organizada essa tecnologia avançada e fundamental para a agricultura moderna.

Também responsável pela cadeira de Climatologia Agrícola, Meinicke é professor da UEPG há 7 anos, sendo que a Faculdade, criada há 8 anos, desde o começo definiu a inclusão do Plantio Direto em seu currículo.

Américo Meinicke participou desde o início na batalha pelo estabelecimento de uma agricultura conservacionista em Ponta Grossa. Quando a Associação Conservacionista já estava atuando, na tentativa de reverter o processo erosivo que comprometia os solos frágeis da região, Meinicke fez uma histórica tradução de uma edição da revista americana Business Week, da qual era assinante e que, num momento oportuno, trouxera uma matéria especial sobre uma nova forma de fazer agricultura que os produtores americanos estavam introduzindo, o “no-till”, sem lavração, sem grades. A tradução da matéria, por volta de 1976, foi para ajudar o amigo Nonô (Manoel Henrique Pereira) cuja fazenda de Palmeira havia sido declarada imprópria para lavoura, por ser um solo muito raso e arenoso, sujeito a erosões severas. Havia uma situação de estrangulamento, e que se podia chamar de “Caso Nonô”: a Associação Conservacionista havia dado a sentença para as terras de Nonô: só serviriam para pecuária. Mas a tradução da matéria feita por Meinicke trouxe uma luz que balizou a situação e ajudou na reversão do quadro, um histórico que todos conhecemos.

ENSINANDO COM A NATUREZA

“Eu sempre participei dos eventos que aconteceram por aqui, inclusive os Encontros Nacionais, onde ajudei na organização e isso foi agregando um bom cabedal de conhecimentos a respeito do assunto”, prossegue o Professor Américo. “Mas algo que eu notava é que a transmissão da informação nesses encontros e dias de campo deixava a desejar porque, principalmente o produtor, recebia uma carga de informação muito grande, em pouco tempo. Têm o seu mérito, sem dúvida, mas seria muito acei[?tável?] dizer que a absorção da tecnologia do plantio direto, com todo o seu envolvimento de mudanças conceituais, fosse satisfatória. Cheguei à conclusão de que meu esforço seria melhor aplicado preparando a mente dos jovens, alunos da universidade, pois o contato mais prolongado, compartilhando diversos momentos no debate da tecnologia, as respostas seriam mais duradouras, com um melhor aproveitamento, como têm sido demonstrado. Preparando-se o jovem, com uma leva de formandos a cada semestre, alguns deles pelo menos empunham a bandeira do Plantio Direto e, eu creio, é a melhor maneira de fazer essa tecnologia ir pra frente e firmar-se cada vez mais”, encerra Américo Meinicke. “Sem ela vêm a erosão, ervas daninhas, compactação. A natureza ensina que não precisamos estar arando, gradeando e um monte de coisas por tradição. E não há como fazer Plantio Direto sem ter sempre essa cobertura morta à disposição.”

Eng° Agr° e Prof. Américo Meinicke — titular das Cadeiras de Plantio Direto e Climatologia Agrícola da Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR (UEPG, 7 anos como professor). Cita histórica tradução da Business Week (1976) para ajudar Nonô Pereira