A cebola é a principal hortaliça cultivada em Santa Catarina, tanto em volume (mais de 260 mil toneladas) e área (ao redor de 25 mil hectares), quanto em valor bruto de produção. O estado produz 30% da cebola brasileira e a atividade envolve mais de 20 mil famílias.
E entre os problemas que afetam essa cultura destaca-se a elevada perda de solos, causada pela erosão, já que grande parte das áreas de cultivo estão em terrenos declivosos, com solos de estrutura muito frágil. São profundos, bastante porosos e bem drenados, fatores que não favorecem muito a retenção de água.
O uso excessivo de grade de discos e enxada rotativa e a falta de cobertura, causam, além da degradação, o comprometimento da produtividade e da exploração futura deste solo. Diante disso a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Difusão de Tecnologia de Santa Catarina S/A (EPAGRI) decidiu viabilizar o cultivo da cebola no sistema de plantio direto, recomendação já em vigor na área da Estação Experimental de Ituporanga.
Trata-se de uma tecnologia recente e consiste na abertura de pequenos sulcos, onde são transplantadas as mudas, permanecendo o restante da área intacta e coberta por resíduos vegetais.
Para abertura dos sulcos podem ser feitas adaptações em enxadas rotativas tracionadas por microtrator, ou outros implementos de tração mecânica ou animal, ou então, quando disponíveis, máquinas especificamente desenvolvidas para o plantio direto.
A largura do sulco varia em função da textura e estrutura do solo. Em solos argilosos (pesados) recomenda-se largura de 8 a 10 cm, que permitem o bom desenvolvimento dos bulbos, sem afetar o formato. Para solos leves a largura do sulco pode variar de 6 a 8 cm. Algumas coberturas verdes como mucuna, ervilhaca e xinxo, por possuírem hábito de crescimento prostrado e presença de gavinhas, exigem para a abertura do sulco implementos com sistema de corte de disco, enquanto para as coberturas de hábito ereto, como aveia, milho, tremoço e ervilha forrageira, podem ser utilizados sistemas de corte de disco ou facas rotativas.
Para as coberturas de inverno é necessário fazer a dessecação com herbicidas. O acamamento da massa vegetal pode ser efetuado com o uso de rolo-faca ou rolo-disco. Além das principais espécies que permitem boa cobertura morta, existem algumas consorciações bastantes eficientes, como: aveia + ervilhaca, milho + aveia, milho + mucuna, e gorga + aveia. Alguns produtores ainda utilizam a vegetação espontânea, formada por milhã e papuã, como cobertura vegetal. É recomendável que no plantio direto a cobertura do solo seja de no mínimo 50% e a quantidade de massa seca vegetal de 5 toneladas/hectare/ano.
O plantio direto tem-se mostrado eficiente no controle da erosão e na conservação do solo. Porém, para o sucesso é necessário que haja bom funcionamento dos métodos de controle das plantas daninhas. O controle químico é o mais usado e requer cuidados especiais, como a escolha do produto, a época e o modo de aplicação. São utilizados produtos de ação não seletiva (dessecantes) e produtos de ação residual ou seletiva, aplicações em pré e/ou pós-emergência.
Na implantação do sistema, faz-se necessário observar os seguintes pré-requisitos: área livre de inços perenes de difícil controle, ausência de camadas compactadas, superfície lisa e uniforme, necessidade de correção da acidez, fertilidade e práticas conservacionistas complementares, como terraçamento e plantio em nível.
A cada cinco anos, quando da correção da acidez, recomenda-se romper o sistema para incorporação do calcário e fertilizantes, baseando-se na análise do solo.
As principais vantagens do plantio direto são o controle da erosão, aumento da disponibilidade de água, diminuição de amplitudes térmicas do solo e redução da incidência de plantas daninhas. Quando forem usadas leguminosas como cobertura vegetal poderá haver a diminuição ou até dispensa da adubação nitrogenada na cultura da cebola, porém deve-se acompanhar o desenvolvimento das plantas até os 40 dias. E se as mesmas apresentarem sintomas de deficiência de nitrogênio, caracterizada pelo desenvolvimento reduzido e folhas cloróticas, deve-se aplicar de 10 a 20 kg de N/ha, aos 45 dias após o transplante, pois o excesso de nitrogênio é prejudicial, principalmente na conservação de bulbos.
Considerando que o plantio direto exige maior gerenciamento por parte de agricultores e técnicos, recomenda-se iniciar com pequenas áreas.
matéria sobre o sistema PD de cebola em Santa Catarina (260 mil t, 25 mil ha, ~20 mil famílias) recomendado pela EPAGRI com base na Estação Experimental de Ituporanga