Perspectivas para o plantio direto no Mato Grosso são boas


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Publicado em: 30/04/1991

“A introdução e o desenvolvimento do plantio direto é mais favorável nesta região, em relação às áreas pioneiras do Rio Grande do Sul e Paraná”. A declaração é do Engenheiro Agrônomo Edevaldo Stocco, que orienta a Fazenda 13 Pontos, a Treze, como é conhecida essa propriedade de produção de sementes localizada no Município de Alto Taquari, no Mato Grosso.

A afirmação baseia-se no fato de que a textura do terreno é mista, não tão pesada, com leve tendência argilosa o que, aliado a outros fatores como a topografia e o clima, direcionam para um bom resultado com o manejo conservacionista que vem sendo implementado.

“Apesar de estarmos numa fase inicial e não contarmos com apoio definido de outros segmentos importantes, como a pesquisa oficial e as empresas de defensivos interessadas no setor, nós pretendemos plantar os 4.000 ha programados para o verão 91/92 com semeadura direta”, afirma Stocco.

Vantagens

As vantagens trazidas pelo sistema, cujo sucesso em outros locais já ultrapassa a uma década, na região de Alto Taquari são marcantes. “A erosão causada pela chuva aqui não é o fator principal, como no sul do país”, conclui Stocco, engenheiro agrônomo formado pela Faculdade de Pelotas, que atua também em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, onde o plantio direto na palha evoluiu e tem sua principal vertente tecnológica. “Na região da Fazenda 13 Pontos, que abrange uma área agrícola ao redor de 400 mil hectares, a principal vantagem do PD é a redução no excessivo número de passagem de máquinas e implementos na lavoura, o que resulta numa compactação e desestruturação do solo agrícola, item extremamente negativo para o desenvolvimento do sistema radicular das plantas.”

“No sistema convencional, entre lavração, incorporação de herbicidas e semeadura, o número de passadas de máquinas e implementos na lavoura pode alcançar até sete, numa só safra. Além do mal que causa para a estrutura do solo, os custos dessas operações e a perda de tempo são fatores bastante pesados para uma definição de qual sistema adotar”, afirma Stocco. E ele continua sua análise, com a segurança de quem já vivenciou o plantio direto nos Campos Gerais do Paraná: “Nós começamos aos poucos. Num terreno desconhecido, topografia, clima, ervas, fertilidade, etc., não poderíamos apostar no processo às cegas. Começamos há 3 safras, com 250 ha e fomos aumentando paulatinamente. Na safra 90/91 ampliamos para 1.000 ha e, com os custos reduzidos, comparativamente, estamos colhendo uma média similar em soja e milho, tanto para convencional como para direto.”

A Fazenda ABC, da qual a 13 Pontos faz parte, possui uma área total de 7.000 ha, sendo que nesta última safra foram semeados 4.000 ha de soja e 1.000 ha de milho, com uma produtividade de 3.000 kg/ha e 6.500 kg/ha, respectivamente.

Cobertura / ervas

Na região de Alto Taquari, como nas demais zonas agrícolas do país, a cobertura morta é um fator fundamental para o sucesso do plantio direto. “Existem dificuldades, naturalmente”, ressalta Stocco. “O controle de ervas e a instalação de coberturas de inverno não tem a mesma facilidade, por injunções climáticas. Mas o custo maior com herbicidas para o controle de ervas tem compensações, principalmente o menor uso de máquinas e implementos, que superam de longe o gasto maior com produtos químicos para o controle de invasoras”, diz ele.

Para a safra 91/92, já está sendo semeada uma área em torno de 3.000 ha com milheto, o qual será rolado antes do plantio de soja, no início do verão. “De qualquer forma”, segundo Stocco, “a cobertura morta favorece o controle de ervas, impedindo que as sementes das invasoras germinem livremente. Além disso, afora os benefícios citados, vale lembrar a melhoria paulatina dos níveis de matéria orgânica, a proteção contra a alta insolação, característica da região, o que proporciona um novo ambiente para os micro e macro organismos habitantes do solo, tudo isso resultando uma reciclagem ideal dos nutrientes na camada onde as raízes se instalam para a retirada dos fertilizantes. A temperatura do solo se mantém mais estável, e todo esse complexo direciona para uma agricultura mais racional, mais produtiva, sem agressões desnecessárias ao solo agrícola”, conclui Stocco.

Edevaldo Stocco — Engenheiro Agrônomo, Fazenda 13 Pontos / Fazenda ABC, Alto Taquari, MT