Editorial — A evolução no manejo do solo


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Publicado em: 30/04/1991

A safra de verão que ora se encerra em todo o Brasil, deixa algumas lições interessantes e mostra uma tendência na evolução do manejo de solos, principalmente, na direção do Brasil Central, na região vasta dos cerrados. A primeira constatação, ao nível do Rio Grande do Sul, de uma forma geral, é de que a violenta seca que acabou com mais da metade da produção gaúcha, mascarou os danos causados pelas chuvas torrenciais que caíram na primavera, inviabilizando colheitas e plantios, além de causar graves perdas por erosão, nas lavouras desprotegidas. Nos meses de dezembro/90, janeiro e fevereiro/91, a falta de chuvas e a insolação foram tão drásticas que, aparentemente, houve um nivelamento das lavouras convencionais com aquelas levadas sob plantio direto. Somente no decorrer do tempo é que as respostas aparecerão, pois não há como imaginar que lavouras castigadas pela erosão, com sua fertilidade sendo levada para os rios, venham a ter produtividades parecidas com aquelas que, protegidas pela palha e por um solo estruturado, não revolvido nem gradeado, mantêm a fertilidade adquirida naturalmente pelo manejo ou colocada artificialmente.

Outra consideração de ordem geral importante que a safra que ora se encerra nos deixa, é aquela que fala a respeito das perspectivas do plantio direto no cerrado. Ali, até o momento, as características de seca no inverno e a impossibilidade de plantar uma cultura protetora, que servisse como cobertura morta, fazia técnicos e produtores não acreditarem na viabilidade do PD na região. A prática de algumas lavouras, entretanto, conduzidas empiricamente em algumas regiões do Mato Grosso e de Barreiras, na Bahia, demonstraram que o não revolvimento do solo e a mínima proteção dos resíduos da cultura anterior, já criam um diferencial para o sistema. Em algumas regiões onde é possível contar com chuvas no inverno, culturas protetoras como o milheto, já estão sendo semeadas para posterior rolagem. Os custos pela enorme diferença no número de passagens de máquinas, além da eliminação da compactação, são eloquentes, que por si só demonstram o porquê dos bons resultados que vêm entusiasmando os produtores daquelas regiões. Esperamos que o PD seja uma opção importante na mudança do manejo de solos no cerrado pois, sabidamente, estamos agredindo um ecossistema mais frágil, cuja deterioração é bem mais acentuada do que em áreas localizadas em latitudes maiores.

Aldeia-Sul Editora