A área com plantio direto na lavoura gaúcha de arroz irrigado, que alcançou 180 mil hectares na última safra, um acréscimo de 80% em relação à anterior, vai continuar crescendo, prevê um dos pioneiros nesse sistema e presidente do Clube do Plantio Direto, Eurico Dornelles. “A tendência é de crescimento, e devemos chegar a 90% de toda a área cultivada com arroz irrigado no Estado que é de perto de 800 mil hectares”, diz ele.
Como o preço do arroz não deve subir os plantadores têm procurado baixar os custos de produção. “A maneira mais lógica de reduzir os custos é com o plantio direto, que permite economia de até 30%”, afirma Dornelles. “Veja que o Clube não pediu para alguém fazer plantio direto, embora esteja sempre disposto a colaborar com quem desejar, e a área só vem crescendo por causa de inúmeras vantagens, entre as quais esta de redução de custos”, Eurico Dornelles.
Diante dessa tendência a preocupação do Clube é alertar para que os novos interessados não entrem no sistema “na corrida, pois começar bem e fazer bem feito é fundamental para se obter o sucesso esperado”, diz Dornelles, afirmando que a entidade pretende se organizar melhor para atender aos novos interessados em 1991.
Nesse sentido se destacam o Encontro Técnico, previsto para 20 e 21 de junho no IRGA, em Porto Alegre, o Seminário de Gramado, em agosto, a criação de vice-presidentes regionais do Clube para aumentar o número de palestras, dias-de-campo, encontros em diferentes partes do Estado, facilitando o acesso a um maior número de interessados.
No mês de março estarão em Porto Alegre alguns pesquisadores de Lousiana, nos Estados Unidos, que virão para contatos e avaliações sobre os resultados de pesquisas que estão efetuando. “Para o Plantio Direto não existe literatura, pesquisas, apenas opiniões de técnicos e lavoureiros. Aqui usamos a técnica antes da pesquisa, daí a importância dos trabalhos que estão sendo realizados pelos americanos e que nos visitarão em março”, ressalta Dornelles.
Taipa antecipada
Ainda em 1991 o que vai merecer muitas discussões, estudos e troca de experiência é a questão da taipa antecipada, uma coisa nova no plantio direto que foi feita na safra de 89/90 apenas pelos lavoureiros Arioval do Ceratti e Eurico Dornelles e que agora foi adotada por muitos plantadores.
A taipa antecipada, segundo relata Dornelles será outro fator favorável a estimular o plantio direto. Ela pode ser feita quando o trator estiver ocioso, pode ser mais baixa, tornando-se mais suave para a máquina, facilitando a colheita e reduzindo a infestação de inço na taipa e permite ter todos os drenos prontos, não mexendo mais na terra e administrando melhor a água da chuva.
Será importante sistematizar os procedimentos adotados em torno da taipa antecipada e, bem assim, todas as vantagens que ela traz além de detalhes sobre operacionalizar sua feitura de forma eficaz. Este, portanto, será um dos pontos a merecer muita atenção dos arrozeiros no corrente ano.
Destaques
Numa iniciativa da Monsanto em conjunto com o Clube de Plantio Direto foram premiados, no dia oito de janeiro, as dez melhores lavouras do Rio Grande do Sul com plantio direto no arroz, relativamente ao ano de 1990. A Fazenda Cerro do Tigre, de propriedade de Eurico Dornelles, foi considerada a melhor entre todas pelos técnicos que fizeram as avaliações.
As demais premiadas foram Parceria Agropecuária Rubens Ceratti, de Uruguaiana; Genésio Ceolin e Filhos, de Uruguaiana; Elton Saccol, de São Vicente do Sul; Miguel Sebastião Medina, de Pelotas; Granja Bretanhas, de Jaguarão; Valter José Pótter, de Dom Pedrito; Reinaldo Brendler, de Cachoeira do Sul; Agropecuária Capão da Moça, de Tapes; Pedro Chaves Barcellos Filho e Antonio Chaves Barcellos, de Viamão.
Segundo ressalta Mauro Macedo, gerente da Monsanto para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as condições de implantação da lavoura, o nível de tecnologia empregado e o estado atual das lavouras foram os critérios analisados pelos técnicos. Mudanças, para a próxima premiação, serão introduzidos pela Monsanto, tornando mais amplo o julgamento das lavouras.
Eurico Dornelles (Clube do Plantio Direto) e Mauro Macedo (Monsanto RS/SC)