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Monitoramento da compactação do solo: uma proposta da assistência técnica
Flávio Renato Gassen *Engenheiro-agrônomo, Supervisor Técnico Cooplantio - E-mail: flavio@agri.com.br

A crescente necessidade de produção de alimentos e uso eficiente dos recursos naturais, cada vez mais escassos, torna necessário o monitoramento de uma variável desprezada devido às dificuldades técnicas de sua execução, a compactação do solo.
É comum o registro da evolução da fertilidade do solo por meio da análise química de várias décadas na maioria das propriedades, mas a evolução das condições físicas praticamente inexistem. O déficit hídrico causado pelas estiagens dos últimos anos tem mostrado diferenças evidentes de rendimento vinculadas às condições físicas de solo. Também tem sido comum o registro da incidência de doenças do sistema radicular vinculadas à compactação do solo.
A assistência técnica é frequentemente questionada pelos produtores sobre as condições físicas do solo nas propriedades, mas esta possui dificuldades na sua mensuração, pois não há padrões estabelecidos e muito menos referências para os diferentes tipos de solo, condições edafoclimáticas e manejo da lavoura. Este é o ponto de partida para as dificuldades encontradas no campo e o motivo da inexistência de metodologia aplicável, com premissas de confiabilidade e rapidez.
É comum a utilização do tato para especular sobre a compactação do solo por meio do uso de artefato pontiagudo, como uma pequena faca. Outros sugerem também a observação da distribuição do sistema radicular no solo como indicador das suas condições físicas, no entanto, esta metodologia não é aplicável devido ao extraordinário esforço na execução de inúmeras trincheiras nas lavouras para amostragem e também a subjetividade da avaliação de diferentes examinadores (assistência técnica).
Há ainda a possibilidade do uso de anéis volumétricos para determinar a densidade do solo, sendo necessária a abertura de buracos para sua coleta em diferentes profundidades, para após enviar as amostras para um laboratório habilitado. Esta metodologia também não é aplicável devido ao esforço necessário para sua realização no caso de amostragens representativas na lavoura. Essas metodologias são conhecidas há varias décadas, mas não foram adotadas pelos motivos anteriormente citados.
A compactação do solo esta sendo ignorada e seria razoável afirmar que é um dos principais fatores restritivos na produção agrícola após várias décadas da adoção do plantio direto. A facilidade da adoção do PD na atualidade é proporcionada pela ampla disponibilidade de tecnologias para o sistema, mas não esta sendo acompanhada pela avaliação do desempenho da complexa interação entre máquinas, insumos, plantas e conhecimento do manejo ideal local.
Na busca de instrumentação e metodologia para o monitoramento da compactação do solo, foi adotado um penetrômetro eletrônico de cone, para a mensuração da resistência à penetração, sendo esta uma analogia da resistência oferecida pelo solo ao crescimento das raízes das plantas. A primeira dificuldade encontrada foi a variabilidade da resistência de solo à penetração em diferentes condições de umidade. Esta é a maior restrição, pois a assistência técnica não está sempre disponível para o trabalho nas condições ótimas de umidade e deve realizá-la também em situações adversas. A outra dificuldade está relacionada com os parâmetros de resistência adequados, pois não há consenso nas diversas fontes de pesquisa e as mesmas inexistem para a grande variação de tipos de solos do país.
A solução encontrada para estas restrições foi estabelecer um perfil de referência de resistência de solo nativo na mesma propriedade. O uso desta referência minimiza o efeito da umidade, pois a cada atividade de mensuração da compactação do solo na propriedade, o perfil de referência é registrado na mesma data, no inicio dos trabalhos, tornando-se a referência para as medições realizadas no decorrer do dia. Sendo estas com o mesmo regime de chuvas. O indicador de resistência de solo é convertido da unidade de Pascal para um índice relativo, chamado de Índice 100, pois está em 100 a resistência do solo nativo encontrado na profundidade a partir de 25 cm.
A Figura 1 ilustra o perfil do solo em PD indicando resistência a penetração de aproximadamente 100% onde houve alta mortalidade da soja causada por Phytophtora quando comparado com o Índice 100 estabelecido no solo referência da mesma propriedade.

Já a figura 2 ilustra a excelente condição física do solo em 4 anos de PD sobre campo nativo, salientando que a resistência manteve-se abaixo do Índice 100 até a profundidade de 25 cm. Em todos os perfis nota-se que o ponto de referência e os demais perfis de solo da mesma propriedade convergem a partir dos 22 cm de profundidade. Tornando possível afirmar que esta é a resistência do perfil do solo nativo. Portanto, o melhor parâmetro para o monitoramento da resistência do solo está dentro da propriedade.

| Revista Plantio Direto, edição 92, março/abril de 2006. Aldeia Norte Editora, passo Fundo. |
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