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A compactação dos solos é um fator limitante da produtividade no plantio direto?

O plantio direto foi a maior revolução na agricultura brasileira, com grande impacto econômico e ambiental. Nas décadas de 1970 e 1980 a carência de semeadoras adaptadas para a preparação do sulco de semeadura e o controle ineficiente de plantas daninhas, foram os fatores que mais limitaram a expansão do sistema.
Já na década de 1990, problemas de pragas-de-solo e doenças radiculares foram solucionados com o desenvolvimento de alternativas de controle químico e com a prática da rotação de culturas.
Com a evolução dos rendimentos e a solução de problemas fitossanitários, a compactação de solos em plantio direto começou a se destacar como um dos fatores limitantes citados com maior freqüência pelos agricultores.
A compactação de solos é uma preocupação em todos os países que desenvolvem o plantio direto. Existe a busca de alternativas de práticas culturais, de rotação de culturas e de cobertura vegetal para minimizar e resolver esse problema dentro do próprio sistema.
O intenso tráfego de máquinas e equipamentos em condições de solo úmido e o pisoteio animal são citados como as principais causas da compactação do solo em áreas de lavoura. Contudo, diante da importância do tema é necessário cuidado para não generalizar a ocorrência de problemas de compactação nas áreas de plantio direto, pois de acordo com trabalho de pesquisa realizado pela Universidade Federal de Santa Maria, no sistema plantio direto mantido sem revolvimento é comum verificar um aumento na densidade do solo que é contrabalançada pelo aumento do teor de matéria orgânica, da atividade biológica e da agregação, resultando inclusive em melhores condições físicas do solo do que as anteriores (Amado et al., 2005).
Diante da crescente demanda por informações e como forma de abrir as discussões sobre o tema, aconteceu no dia 14 de março, na Casa do Plantio Direto, durante a Expodireto Cotrijal 2006, uma reunião/debate que tratou da compactação dos solos como fator limitante da produtividade em plantio direto. Participaram pesquisadores, técnicos e produtores rurais de várias regiões do Rio Grande do Sul.
O engenheiro-agrônomo Flávio R. Gassen, os pesquisadores da Embrapa Trigo José E. Denardin e Arcênio Sattler, os professores Vilson Klein, da Universidade de Passo Fundo e Telmo Amado, da Universidade Federal de Santa Maria, apresentaram aspectos relacionados com o manejo da compactação de solos, alimentando o debate com os demais participantes da reunião.
Foram apresentados aspectos teóricos sobre física, química e biologia de solos, destacando a importância do ciclo hidrológico e das interações entre solo, planta e ambiente diante da necessidade de produzir carbono e matéria orgânica dentro do solo, além da cobertura com palha.
A formação de agregados através do aumento de teores de carbono foi citada como a prática mais eficiente para melhorar a estrutura física do solo, com esse objetivo o planejamento da lavoura deve ser feito com base na introdução de material orgânico e no aumento de teores de carbono.
Também foram apresentados dados sobre compactação de solos em diferentes sistemas de manejo e na integração lavoura-pecuária, sendo destacada a falta de metodologias práticas e viáveis para determinar níveis críticos de adensamento pelos profissionais de assistência técnica nas diversas situações de lavoura. O penetrógrafo foi apresentado como uma alternativa de medição de compactação, quando estabelecidos parâmetros comparativos em áreas de vegetação nativa ou nas áreas mais produtivas da propriedade rural.
Para o rompimento da camada adensada o uso do sulcador ou facão na semeadora, foi defendido como uma ferramenta importante, tendo sido usada como exemplo uma área onde a resistência à penetração era equivalente a 60 kg/cm2 na qual o uso do sulcador rompeu a camada compactada reduzindo para 33 kg/cm2 a resistência do solo no sulco de semeadura. Dados da Embrapa Trigo, apresentados durante a reunião, evidenciaram que em determinados anos foram constatadas diferenças positivas no rendimento de grãos com o uso do facão na semeadora, quando comparado com duplo disco.
Foi um consenso entre os pesquisadores que os efeitos da compactação são mais perceptíveis aos produtores em anos com déficit hídrico, pois com a estiagem o adensamento de solos limita a produção de grãos, pois dificulta o desenvolvimento do sistema radicular da planta. Por outro lado, com a distribuição regular de chuvas e solos férteis a compactação passa despercebida para a maioria dos agricultores e técnicos. Foram levantados também questionamentos quanto às diferenças nas características genéticas de cultivares de soja e milho que apresentam maior suscetibilidade a doenças radiculares, quando semeadas em solos adensados.
Diante dos diferentes posicionamentos apresentados na reunião, estabeleceu-se um conflito de opiniões entre os que defendem o uso de subsoladores para a descompactação e a maioria de técnicos e agricultores que adotam a rotação de culturas, o aumento na produção de palha, a adubação verde e estímulo à atividade biológica como estratégia de estruturação de solos. Os produtores que desenvolvem plantio direto há mais de 10 anos estranharam a sugestão de uso do escarificador, apresentado como alternativa para contornar o problema de compactação, considerando que a adoção de práticas de rotação e de cobertura verde dão estabilidade e garantem a estrutura física dos solos sob plantio direto. Para a maioria dos produtores e técnicos que participaram da reunião a alternativa de escarificação esporádica do solo foi considerada um retorno aos problemas que levaram a adoção do plantio direto 20 anos atrás: erosão e formação de pé-de-arado.
Como conclusão, produtores, assistentes técnicos e pesquisadores que participaram da reunião/debate realizada na Casa do Plantio Direto, no mês de março, confirmaram a existência do problema de compactação de solos no plantio direto, não de forma generalizada, mas preocupante em algumas situações.
Registraram a falta de parâmetros e metodologias práticas e rápidas para identificar o problema nas lavouras e a necessidade de adotar práticas que aumentem os teores de matéria orgânica e de carbono especialmente no perfil do solo, além da palha na superfície.
Também destacaram que o manejo adequado, incluindo a rotação de culturas, a fertilização do solo e a adubação verde, em geral, resolvem os problemas de compactação.
A evolução nos rendimentos de grãos que exige melhores condições de nutrição de plantas e ambiente adequado para o desenvolvimento de raízes é uma demanda que pode ser resolvida melhorando-se os aspectos biológicos que vão desde a produção de material orgânico até a abertura e galerias no solo com maior volume de raízes.
Para áreas de integração agricultura-pecuária, o bom manejo das pastagens mantendo o solo permanentemente coberto, aumentando a densidade de azevém, nabo ou aveia e a retirada dos animais quando for percebida a formação de trilhos na área, foram estratégias recomendadas para diminuir a compactação.
| Registros do debate
• Os problemas de compactação podem ser acentuados com a semeadura em solos encharcados, em áreas sem adoção de rotação de culturas ou com culturas de sistemas radiculares pouco desenvolvidos;
• A combinação das variáveis mais importantes que afetam a qualidade química, física e biológica do solo destaca a matéria orgânica e o carbono como pontos-chave para um solo estruturado;
• Solos sem raízes é solo morto. O uso de equipamentos de engenharia mecânica não melhoram a estrutura física dos solos;
• Deve-se proporcionar maior aporte de matéria orgânica do que a demanda microbiológica.
• É necessário produzir maior volume de massa vegetal do que a capacidade de mineralização por microrganismos.
• Degradando ou conservando? É o modelo de produção adotado que irá definir. |
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