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Aveia


Programa de pesquisa de aveia da UPF “30 anos de atividades – 1977-2007”

Elmar Luiz Floss1; Ana Lúcia Véras2; Carlos Alberto Forcelini3; Claud Goellner2
Luiz Carlos Gutkoski2; Magali Ferrari Grando2; Walter Boller2
1
Engenheiro agrônomo e licenciado em Ciências, professor titular da Universidade de Passo Fundo, Coordenador do Programa de Pesquisa de Aveia da FAMV/UPF; e.mail: floss@upf.br
2
Professore/pesquisadores do programa de Pesquisa de Aveia da FAMV/UPF
3 Professore/pesquisadores do programa de Pesquisa de Aveia da FAMV/UPF



Histórico

A cultura da aveia é uma alternativa técnica e economicamente viável de cultivo no período de outono/inverno/primavera, especial­mente no Centro-Sul do Brasil. Destina-se a produção de grãos de elevado valor nutricional, formação de pastagens, de forma isolada ou consorciada com outras forrageiras, a produção de forragem conservada como feno e silagem, e, ainda, como cobertura verde/morta para proteção e melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, dando sustentabilidade ao Sistema Plantio Direto. O crescimento da importância econômica desse cereal, desafia a pesquisa, ao desenvolvimento permanente de novos cultivares, com potenciais de rendimento e qualidade industrial e nutritiva superior aos utilizados pelos produtores, e o desenvolvimento de tecnologias de manejo da cultura e de utilização na alimentação humana e animal.

 

Selo comemorativo aos 30 anos da Programa de Pesquisa de Aveia (acima) e grupo de professores americanos visintando a Universidade de Passo Fundo em 2006 acompanhados por Elmar Luiz Floss, coordenador do Programa (primeiro da direita para a esquerda).

A pesquisa da cultura da aveia em Passo Fundo, teve início em 1974, através do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo/Embrapa, atualmente Embrapa-Trigo. Em 1977, o material genético de aveia da Embrapa/Trigo foi transferido para a Universidade de Passo Fundo, que iniciou um programa de melhoramento genético e experimentação de aveia, continuando o intercâmbio com universidades norte americanas. Este acordo foi efetuado, a partir de proposta da Embrapa, representado pelo seu chefe geral Ottoni de Sousa Rosa e o sub-chefe adjunto técnico Francisco Antônio Lange e pela Universidade de Passo Fundo (UPF) pelo seu Reitor Bruno Edmundo Markus, o vice-reitor acadêmico Elydo Alcides Guareschi, o diretor da Faculdade de Agronomia Rodoaldo Damin e pelo professor Elmar Luiz Floss. Contribuíram decisivamente para a cedência deste programa de pesquisa de aveia à UPF os pesquisadores Augusto Carlos Baier e Maria Irene Baggio Fernandes e os adidos da FAO em Passo Fundo, Joaquim Carvalho Santiago e Walter F. Kugler.

A partir daquele ano é executado um Programa de Pesquisa em Aveia pela Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária/UPF, em cooperação com as Universidades de Wisconsin, Texas A & M, Minessota e Florida (EUA), através do projeto "Breeding Oat Cultivars Suitable for Developing Countries".

Nesses 30 anos de atividades do Programa de Pesquisa podem ser destacadas inúmeras contribuições ao desenvolvimento da cultura da aveia no Brasil, de forma integrada com as demais instituições brasileiras de pesquisa de aveia. Além dos conhecimentos científicos e tecnologias desenvolvidas, destaque-se a formação de recursos humanos para pesquisa, principal missão de uma Universidade. De 1977 a 2007, mais de 300 estudantes, de graduação e pós-graduação, tiveram a orientação de professores do programa na execução de projetos de pesquisa. Sete deles, atualmente são professores da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UPF.

Principais resultados

a) Desenvolvimento de cultivares

O Programa de Pesquisa de Aveia da FAMV/UPF desenvolveu de 1977 a 2007, 22 novos cultivares de aveia-branca, cuja identificação da linhagem, genealogia ou cruzamento, aptidão e ano de lançamento é apresentada na Tabela 1. Também foi desenvolvido um cultivar de aveia-preta, UPFA 21–Moreninha, destinado ao cultivo como forrageira e para cobertura verde/morta do solo. Esse cultivar também é recomendado para cultivo na Flórida (EUA), pela Universidade da Flórida, desde 2004, com o nome de Black Horizon.

Tabela 1 – Identificação, genealogia ou cruzamento, ano de recomendação e aptidão dos cultivares desenvolvidos pela Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária/ Universidade de Passo Fundo, de 1981 a 2007.

 

Além do aumento do potencial de rendimento, os novos cultivares apresentam outras características agronômicas desejáveis como menor estatura de plantas, precocidade, maior índice de colheita e melhor qualidade industrial como massa de grãos, peso do hectolitro, espessura de grãos e rendimento de descasque.

No período, a FAMV/UPF também executou vários projetos de cooperação com outras instituições de pesquisa. A partir de 1980, o Instituto Agronômico de Campinas-IAC, avaliou coleções de linhagens de aveia-branca, selecionadas na Universidade de Passo Fundo, nas condições do estado de São Paulo, resultando no desenvolvimento dos cultivares IAC 5 e IAC 6, no período 1981 a 1990.

Em 1986, foi iniciado um trabalho cooperativo de pesquisa com aveia pela Embrapa Pecuária do Sudeste (São Carlos-SP), através de um projeto cooperativo com a Universidade de Passo Fundo. A partir de linhagens selecionadas na UPF e avaliadas em São Carlos, foi lançado, em 1992, o cultivar de aveia forrageira São Carlos.

Nesse mesmo ano de 1986 foi enviada uma coleção de linhagens de aveia-branca para avaliação no Western Australian Research & Development Institute (Adelaide), sob a responsabilidade da pesquisadora Robin McLean, sendo desenvolvido um cultivar de aveia denominado de Condamine e recoemndado para aquele país.

Também no Uruguai foi lançado em 1998 o cultivar de aveia-preta denominado Azabache, a partir de uma linhagem da UPF, mediante cooperação com a Calprose (Tarariras, Colônia Del Sacramento)..

Ao longo dos anos, além do Projeto de melhoramento genético de aveia novas áreas de pesquisa foram sendo paulatinamente implementadas no Programa de Pesquisa de Aveia, bem como o envolvimento de novos professores/pesquisadores, nas áreas de biotecnologia/cultura de tecidos, entomologia, fitopatologia, forrageiras e nutrição animal, nutrição humana, nutrição/adubação, tecnologia de grãos, e tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas. A partir desses trabalhos, inúmeras tecnologias foram desenvolvidas e repassadas aos produtores de aveia, bem como às indústrias e consumidores.

Além do trabalho acadêmico, a integração do ensino, pesquisa e extensão, os cultivares de aveia desenvolvidos pela UPF tem uma grande aceitação pelos produtores. Os cultivares de aveia da UPF participaram com 60 a 89 % do total de sementes certificadas/fiscalizadas produzidas no estado do Rio Grande do Sul no período de 1988 a 2005, conforme dados da Comissão Estadual de Sementes e Mudas – CESM/RS (Figura 1).

 

Figura 1 – Participação dos cultivares de aveia-branca desenvolvidos pela UPF na produção de sementes no Estado do Rio Grande do Sul, 1988-2005 (adaptado de CESM/RS, 1989-2007).

Importância econômica da cultura da aveia

No Brasil, o cultivo de aveia cresceu continuamente durante esse últimos 30 anos, classificando-se em 2005 como a sétima cultura em área cultivada e em produção de grãos com 356 mil hectares cultivados, obtendo-se uma produção de 547 mil toneladas, o que corresponde a um rendimento de 1.448 kg.ha-1, como pode ser observado no Tabela 2. Assim, o Brasil passou a ser o primeiro produtor de aveia na América Latina, superando a Argentina e colocando o Brasil como 12º maior produtor mundial de grãos de aveia.

Tabela 2 – Área cultivada, produção e rendimento das principais culturas produtoras de grãos no Brasil na safra 2005/2006 (adaptado de Conab, 2007).

 

A evolução da área cultivada, produção de grãos e rendimento de aveia no Brasil de 1950 a 2005 é apresentada nas Figuras 2 , 3 e 4.

 

Figura 2 – Evolução da área colhida (hectares) de grãos de aveia no Brasil no período de 1950/2005 (adaptado de Faostat, 2006; Conab, 2007).

 

Figura 3 – Evolução da produção (toneladas) de grãos de aveia no Brasil no período de 1950/2005 (adaptado de Faostat, 2006; Conab, 2007).

 

Figura 4 – Evolução do rendimento (kg.ha-1) de grãos de aveia no Brasil no período de 1950/2005 (adaptado de Faostat, 2006; Conab, 2007).

Observa-se que em 1976 a área foi de 36 mil hectares, evoluindo até 356 mil hectares em 2006, o que representa uma evolução de 989 % no período. A produção de grãos evoluiu de 39 mil toneladas em 1976 para 547 mil toneladas em 2006, representando um crescimento de 1402 %. Quanto ao rendimento há uma tendência de aumento, especialmente a partir da década de 90. Esse aumento da produção proporcionou uma diminuição significativa na quantidade importada de grãos de aveia, que representava.

O aumento da área cultivada de aveia pode ser atribuída à necessidade de diversificação a nível de propriedade, aos preços favoráveis do mercado interno, barreiras à importação, disponibilidade de cultivares com potenciais de rendimento superior, ao aumento do consumo humano de alimentos a base de aveia, o desenvolvimento de bacias leiteiras e da terminação de bovinos nas regiões tradicionais de produção de grãos em pastagem cultivada e o grande consumo pelos eqüinos, nos hipódromos e haras.

A maior parte dos grãos de aveia são destinados ao arraçoamento animal, especialmente cavalos e na suplementação da alimentação de vacas leiteiras. A inclusão de produtos derivados de aveia na merenda escolar, além da oferta de um alimento de alta qualidade nutritiva para as crianças, contribuiria para a formação do hábito de consumo pela população, representando uma expansão do mercado deste grão alimentício.

A maior demanda dos grãos de aveia ainda é para o uso na alimentação de cavalos de corrida, apesar das am­plas possibilidades de utilização como insumo na fabricação de rações, pois a época de colheita da aveia coincide com o período de maior escassez de milho (outubro, novembro e dezembro).

Através da integração lavoura-pecuária, muitos agricultores do Sul, cultivavam aveia-preta e aveia-branca forrageira imediatamente após a colheita das culturas de verão (soja e milho), nos meses de março a maio, realizam pastoreio no inverno o colhem forragem verde para conservação na forma de feno ou silagem. Essa atividade ganhou importância com o crescimento da produção leiteira no RS. Vários estudos realizados demonstram aumento da produção de leite pela utilização de aveia. Uma vaca em lactação pode consumir até 70 kg/dia de forragem de aveia/dia e, nestas condições ela terá proteína, energia, cálcio e fósforo em quantidades suficientes para se manter e produzir 20 kg de leite/dia. Mas, é preciso fazer suplementação com dois a três quilos de grãos de aveia para suprir a exigência em matéria seca e energia.

Estima-se que, atualmente, mais 2 milhões de há estão sendo utilizados com o cultivo de aveia e outras forrageiras, no período de inverno, na integração da lavoura com a pecuária de leite, no Planalto Sul-riograndense. Com o aumento da demana por leite, devido a instalação de novas plantas industriais de processamento há uma tendência de crescimento dessa importante exploração econômica.

Esse crescimento de cultivo representa novos desafiso para a pesquisa, procurando o desenvolvimento de tecnolgias que solucionem novos problemas identificados.

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