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Biotecnologia


Soja RR facilita adoção do plantio direto

Márcio Scaléa
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Engenheiro agrônomo. Pesquisa o sistema plantio direto há mais de 20 anos.


T
em sido comentado que em um plantio direto bem feito, por conta da redução e até eliminação da presença das plantas daninhas, não haveria necessidade de utilização da soja RR.

A solução para o problema das plantas daninhas em uma cultura em plantio direto depende de uma série de etapas que devem ser cumpridas. Cada etapa é uma ferramenta. O conceito de um plantio direto bem feito, com excelentes palhadas, atenua o problema do aparecimento de plantas daninhas, mas não o resolve definitivamente, assim como nenhuma outra ferramenta isolada o faz. As principais etapas são as que seguem:

  • uso de sementes de boa qualidade: sem sementes de plantas daninhas, com alta germinação e vigor, a cultura nasce limpa e fecha logo, não dando chance às plantas infestantes;
  • boas práticas agronômicas: variedade certa, melhor época de plantio, espaçamento e população de plantas corretos, entre outros, que ocasiona alto poder para competir com as plantas daninhas;
  • solo e adubação adequados: valoriza tudo o que está apontado acima em detrimento do mato;
  • bom programa de rotação de culturas, para evitar a seleção de espécies que se adaptam aos cultivos de monocultura e;
  • boa cobertura morta (palhada) em quantidade (acima de 6 ton/ha/ano) e qualidade (alta relação C:N, para ter boa durabilidade), que ajuda a suprimir a emergência das sementes do mato presentes por um bom período.

Só após cumprir o que está descrito acima o produtor passa a se preocupar com o uso de herbicidas, que é apenas uma das ferramentas na convivência com as plantas daninhas. Sua utilização pode se dar em três momentos da cultura: 

  • Pós-colheita: logo após a colheita de uma safra, usando-se o glifosato para eliminar as plantas daninhas ainda presentes e que, geralmente, serão de controle complicado se deixadas à vontade entre uma colheita e o próximo plantio, pois produzem sementes abundantes, além de poderem se tornar perenes (conforme a espécie);
  • Pré-plantio: é a chamada aplicação de manejo ou dessecação, onde se usa o glifosato para eliminar as plantas presentes no local de plantio (sejam elas daninhas ou espécies cultivadas com a finalidade específica de produzir a palhada de que o sistema tanto precisa);
  • Pós-plantio: que é o uso de produtos que visam controlar as ervas que nascem junto com a soja. Em sojas convencionais, usam-se os produtos convencionais (que são mais de 50, os quais podem ser aplicados em mais de 150 misturas diferentes entre si). Em soja RR usa-se o glifosato na formulação RR, que, de modo geral, em uma única aplicação e dose faz o controle das infestantes.

Dessa forma, o uso da soja RR só afeta o último aspecto da última ferramenta de controle das plantas daninhas. O resto é absolutamente igual. Se o produtor conseguir fazer um plantio direto em que todos os aspectos envolvidos tenham sido perseguidos e alcançados, ele não precisará usar herbicidas. E isso é um grande benefício, não pelo fato de não precisar usar a tecnologia RR, mas pelo fato de não precisar herbicidas.



Aliado

Mas o quadro citado, de um plantio sem necessidade de uso de herbicidas, é extremamente raro e difícil de alcançar, por conta de todas as limitações que ocorrem desde o planejamento até a colheita de uma safra. São limitações econômicas (preços dos grãos, que em última analise fazem com que o lavrador se decida por esta ou aquela cultura), limitações de infra-estrutura (armazéns para entrega do produto), limitações de clima (risco de seca ou chuva em momentos delicados) e até limitações culturais, que fazem com que o produtor não tenha a flexibilidade necessária para poder estabelecer um bom programa de plantio, contemplando as ferramentas acima descritas para o controle das plantas daninhas. Ou seja, boa parte dos agricultores brasileiros acaba tendo de plantar soja, mesmo que esta cultura não seja a mais indicada para aquela propriedade naquele ano. E nesta situação, o controle do mato acaba recaindo em uma única ferramenta, que é o uso de herbicidas.

Neste contexto, ter a soja RR como ferramenta no controle das plantas daninhas na cultura da soja é um alívio para os produtores: custo, simplicidade e segurança de resultados em uma única aplicação. Além disso, ela se torna uma grande aliada na melhoria do nível tecnológico do plantio direto, o que soa muito bem para todos, principalmente para o ambiente, pois a grande saída do Brasil para o plantio da soja, evitando-se o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, é propor a ocupação dos mais de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas existentes no País. Dobra-se a área de soja sem derrubar a mata. Mas para que isso ocorra de forma ambientalmente aceitável a tecnologia RR é essencial.

O agricultor que procura pastos degradados para o plantio de soja o faz sabendo que as forrageiras predominantes nestes pastos, como Braquiária e Capim Colonião, são de controle relativamente difícil com uma única aplicação de herbicidas. Assim, ele se preocupa em fazer gradagens após gradagens para, com a movimentação do solo, eliminar os capins velhos e entouceirados. Este é o prato perfeito para um grande desastre ambiental: quanto mais se movimenta o solo com gradagens, mais ele se torna presa fácil da erosão. E isso, infelizmente, tem sido visto por onde quer que se ande neste País.

Por conta do difícil controle dessas plantas daninhas, o agricultor dificilmente se arrisca a adotar o Sistema Plantio Direto, principalmente por causa do custo altíssimo com a compra de vários produtos que proporcionarão este controle. Mas, tendo conhecimento de que poderá utilizar a soja RR para plantio sobre áreas de pasto degradado, já que com a tecnologia RR ele vai precisar fazer provavelmente uma única aplicação do herbicida Roundup Ready, dado o controle que proporciona, o agricultor vai fazer o mínimo possível de movimentações de solo, apenas para melhorar o relevo e destruir cupins e invasoras arbustivas. Antes do plantio fará a dessecação com o glifosato e, se houver rebrote, a reaplicação do mesmo glifosato, com custo e facilidades operacionais interessantes. Ganhamos todos, pois a chance de erosão será mínima.

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© Revista Plantio Direto / Aldeia Norte Editora

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