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Pragas


Ácaros em soja

Os ácaros são importantes pragas em algodão, frutíferas e hortaliças. Na cultura da soja ocorrem a partir do mês de janeiro, esporadicamente em populações elevadas, causando apreensão aos agricultores.

Nas últimas quatro safras foi registrada a presença de ácaros nas lavouras de soja do Rio Grande do Sul, e na atual, o ataque de ácaros foi mais intenso.

Segundo o Pesquisador Mauro Braga da Silva, da Fundacep, em Cruz Alta (RS), os ácaros se desenvolvem em soja em condições ambientais de seca prolongada e períodos de temperatura elevada. Ele explica que as infestações iniciam pelas bordaduras da lavoura e em plantas localizadas sob sombra de árvores, nas plantas cobertas de poeira próximas de estradas de chão e plantas estressadas em manchas dentro lavoura.

Sobre esse assunto o engenheiro-agrônomo Dirceu Gassen, comenta que a disseminação da praga ocorre pelo vento, quando em condições adversas de alimentação e de ambiente os ácaros se prendem a fios de teia e são transportados pelas correntes de ar até outras plantas hospedeiras.

Danos

Os ácaros causam danos perfurando as células e se alimentando do líquido exsudado, nas bordas das nervuras da face inferior dos folíolos das plantas de soja. Mauro da Silva explica que inicialmente o ataque resulta na coloração esbranquiçada ou prateada dos folíolos, passando para a coloração amarelada e, posteriormente, apresentam a cor marrom.

Segundo Gassen, populações elevadas podem causar a queda prematura de folhas e perdas acentuadas na produção. Ele comenta que nos Estados Unidos alguns pesquisadores sugerem que o controle seja iniciado com 25% de folhas prateadas ou com mais de 20 ácaros por folíolo.

"Deve-se considerar a distribuição da praga em manchas ou de forma generalizada na lavoura, o potencial de desfolhamento em períodos de estiagem, o potencial de produção e a combinação de acaricidas com a de outros produtos na mesma época", explica Gassen.

Estudo realizado pelo Setor de Manejo de Insetos da Fundacep, na metade Sul do Estado, durante a safra passada, mostrou que nas manchas presentes na lavoura pode ocorrer o definhamento das plantas e quedas na produtividade de grãos da ordem de 50%.

Controle

Dirceu Gassen explica que o uso de acaricidas específicos ou de inseticidas fosforados com ação sobre ácaros é eficiente na redução das populações, mas a presença de ovos que dão origem a formas jovens da praga pode resultar na reinfestação, alguns dias depois da aplicação de acaricidas e do controle de adultos e de ninfas. "A dificuldade de controle está na localização dos ácaros na face inferior das folhas, especialmente na parte mediana ou inferior das plantas, impedindo o contato de acaricidas".

Chuvas intensas e períodos prolongados com teores elevados de umidade relativa do ar resultam na redução natural da população de ácaros. A supressão da população ocorre pelo efeito de fungos e de outros agentes de controle biológico. Nesse sentido, Gassen salienta que a aplicação sucessiva de inseticidas piretróides pode resultar na dispersão de ácaros, na morte de inimigos naturais e na explosão de populações da praga.

Como opção de controle Mauro da Silva sugere que em condições favoráveis à praga ou sempre que o ácaro estiver presente nas reboleiras (com coloração esbranquiçada ou prateada dos folíolos) o controle deve ser iniciado. Os inseticidas sugeridos são a base de metamidofós e profenofós (0,8 a 1,0 L/ha do produto comercial), a base de dimetoato (1,5 L/ha do produto comercial), a base de endossulfan (1,0 L/ha do produto comercial) e a base de clorpirifós (1,0 L/ha do produto comercial).

Estudos conduzidos pelo Setor de Manejo de Insetos da Fundacep Fecotrigo, na atual safra (2004/05), demonstram que inseticidas-acaricidas à base de Abamectin (grupo químico das Avermectinas), nas doses de 3,6 a 7,2 gramas de ingrediente ativo por hectare, possuem eficiência inicial igual e efeito residual muito superior aos inseticidas convencionais usados pelos produtores.

Outra pesquisa, relacionada com a tecnologia de aplicação de inseticidas e acaricidas, realizada pelo Setor de Manejo de Insetos da Fundacep Fecotrigo, em 2004/05, demonstrou que o melhor volume de calda para aplicação desses produtos é 100 L/ha e que a aplicação deve ser efetuada com umidade relativa do ar superior a 50%.

Mauro da Silva comenta que está ocorrendo a utilização, por parte de alguns produtores, de acaricidas (abamectin) recomendados para uso veterinário, no controle de ácaros em soja. Pelos dados obtidos com abamectin da linha agrícola, há possibilidades de eficácia se respeitada a dose de ingrediente ativo por hectare do mesmo ingrediente ativo indicado para uso agrícola. No entanto, há riscos do uso destes produtos da linha veterinária em soja, como por exemplo, a possível diminuição do efeito residual, por se tratar de formulações diferentes. Além disso, ele salienta que não é possível prescrever produtos veterinários via receituário agronômico.


Ácaros: características gerais

Os ácaros apresentam quatro pares de patas, formam colônias na parte inferior das folhas, ocorrendo em várias culturas econômicas. Na soja, podem ocorrer três tipos de ácaros:

Ácaro-branco

Este ácaro mede cerca de 0,14 a 0,17 mm de comprimento. A fêmea tem coloração branca à amarelada-brilhante. Não tece teias. O ataque se dá nas folhas da parte de cima da planta. Preferem as folhas mais novas, ocorrendo inicialmente um escurecimento. O dano pode evoluir para folíolos com aspecto brilhante e bronzeado na parte inferior da folha, além do enrolamento dos bordos das folhas para baixo e rasgaduras. Ataques intensos causam queda das folhas. Eles são favorecidos por temperatura e umidade elevadas.

Ácaro-vermelho

Estes ácaros medem entre 0,26 e 0,5 mm de comprimento. As fêmeas são de cor vermelha intensa e os machos e as formas jovens são amarelo-esverdeados, enquanto que os ovos são amarelados ou vermelhos-opacos. Não tecem teias. Formam colônias densas na face inferior das folhas, preferindo os folíolos da região de baixo da planta. Quando o ataque é intenso sobem para a parte superior da planta, atacando os folíolos do ponteiro. As folhas atacadas ficam amareladas e caem prematuramente. Baixas precipitações e períodos de seca favorecem o seu aumento populacional.

Ácaro-rajado

Mede cerca de 0,25 a 0,46 mm de comprimento. Todas as fases ativas são esverdeadas e as fêmeas apresentam manchas verdes escuras no dorso e são maiores que os machos. Formam compactas colônias na face inferior dos folíolos mais velhos, as quais são unidas por fios tecidos na forma de teias. Preferem a região mediana da planta. Ao sugarem a seiva dos folíolos mais novos, aparecem manchas branco-prateadas, na face inferior, que evoluem para manchas amarelas. Posteriormente, os folíolos apresentam manchas e áreas cloróticas, ou aspecto bronzeado (pardo-avermelhado) na face superior. As folhas atacadas apresentam coloração marrom ficam endurecidas, secam, e caem ao solo. O aumento populacional do ácaro-rajado é favorecido por temperaturas elevadas e baixas precipitações.

Ciclo biológico

Como exemplo, cita-se o ciclo biológico do ácaro-rajado, cuja duração é de aproximadamente 21 dias sob temperatura de 20 oC e de 7 dias sob temperatura de 30 oC. Cada fêmea oviposita mais de 100 ovos. Considerando ciclo biológico de uma semana, ausência de controle natural e a produção de 50 fêmeas, em quatro semanas cada ácaro (fêmea) pode dar origem a mais de seis milhões de ácaros.

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