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Doenças


Desafios fitossanitários na cultura da soja

Dra. Carolina Cardoso Deuner1; Me. Valéria Cecília Ghissi2; Gustavo Visintin3;
Giovani Pastre3 e Bruno Rettore3

1Professora do Curso de Agronomia e Pós-graduação em Agronomia - Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária - Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS
carolinadeuner@upf.br

2Aluna de Doutorado do PPGAgro da UPF
3Aluno de Agronomia da UPF

 

 

Vários patógenos incidem na cultura da soja, e a cada safra os agricultores deparam-se com desafios a serem vencidos com relação ao manejo fitossanitário de doenças. Nesse contexto, nas últimas safras no Rio Grande do Sul, destacam-se, problemas relacionados a ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi Sidow & Sidow) e aos nematoides de galha (Meloidogyne javanica (Treub, 1885) Chitwood, 1949 e Meloidogyne incognita (Kofoid & White, 1919) Chitwood 1949.), das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus (Godfrey, 1929) Filipjev & S. Stekhoven, 1941) e de cisto (Heterodera glycines Ichinohe). 
Com relação ao primeiro desafio, a ferrugem asiática mostrou-se muito agressiva nas últimas duas safras no Sul do Brasil. Favorecida pelo clima, a doença chegou mais cedo na safra 2015/16, demandando atenção antecipada por parte dos produtores e assistência técnica, sendo que foi ela que determinou a primeira aplicação de fungicida nas lavouras de soja. Na safra 2016/17, no Rio Grande do Sul já foram relatados vários casos de ferrugem em soja voluntária, mas nenhum em área comercial, apesar disso, já existem 3 relatos em área comercial no Paraná, 2 em São Paulo, 1 no Mato Grosso do Sul e 1 no Mato Grosso. Portanto, não há dúvida que a ferrugem aparecerá em breve em área comercial, mas pode ser que nesse safra, a doença tenha uma progressão mais lenta em função do clima menos chuvoso (Figura 1).

Figura 1. Sintomas da ferrugem asiática da soja (a), esquerda parcela com fungicida e direita sem fungicida em ano de alta pressão de Phakopsora pachyrhizi (b) e vista aérea dos ensaios da UPF safra 2016 (c).


Alguns fatores contribuíram para a alta intensidade da doença nas últimas safra, com destaque para: i) boa precipitação durante o inverno no centro-oeste, ii) correntes de vento que trouxeram o inóculo de outras regiões, iii) inverno ameno no Sul do Brasil (ocorrência de soja guaxa no campo), iv) baixa ocorrência do oídio (competidor da P. phachyrhizi por sítios de infecção) e v) boa precipitação durante o ciclo da cultura da soja, sem veranicos importantes na região Sul (dificuldade de fazer aplicação de fungicida preventivamente). A associação desses fatores, culminou na dificuldade de controle, principalmente em algumas regiões do Rio Grande do Sul e Paraná.
O controle de doenças de plantas mais eficiente, duradouro e econômico é obtido pelo somatório de medidas de controle disponíveis, e nunca de uma prática isolada. Torna-se importante para o estabelecimento de medidas racionais de controle, conhecimento do clima (El ninõ, La ninã e neutro), do hospedeiro (hábito de crescimento e índice de área foliar) e do patógeno (estratégias de manejo como resistência genética e controle químico), ou seja, o conhecimento do triângulo das doenças.
Com relação ao clima, na última safra, a ferrugem asiática foi relatada em soja voluntária no dia 26/07/15 no RS e no dia 09/09/15 no PR, já em área comercial foi detectada no dia 3/12/15 no RS e 6/11/15 no PR. Nessa safra, o primeiro relato no RS em soja voluntária foi dia 03/10/16 e no PR em 22/07/16, já em área comercial, até o momento não houve relato para o RS e para o PR foi no dia 16/11/16. Apesar dessa safra ser menos favorável a ferrugem asiática por ser um ano de La Ninã, os produtores devem pensar em fazer aplicações preventivas de fungicidas, visando manter o potencial produtivo do cultivar, uma vez que doenças como oídio e manchar foliares podem desfolhar precocemente o baixeiro da planta de soja.
Para cultivares de soja, verifica-se que os materiais mais antigos eram caracterizados, de maneira geral, com ciclos mais longos (aproximadamente 150 dias), porte mais alto de plantas e maior índice de área foliar (IAF), apesar disso eram menos produtivos. Por outro lado, os cultivares mais modernos, possuem ciclo (aproximadamente de 90 a 130 dias), porte e IAF menor e maior rendimento. Portanto, o risco por área em materiais precoces é maior, por isso qualquer interferência no IAF, verifica-se reflexo direto no rendimento. Esses materiais têm pouco tempo para se recuperar de erros no controle químico de doenças, devido o ciclo ser muito curto, a desfolha precoce causada pela ferrugem asiática pode reduzir o rendimento em mais de 8%, de acordo com dados dos ensaios da UPF, comparando aplicação de fungicida no momento correto e atrasado.
No vértice do patógeno, e nesse caso refere-se a estratégias visando controle da ferrugem asiática, destacam-se resistência genética e controle químico. Com relação, a primeira, já foram descritos cinco genes de resistência à ferrugem asiática, Rpp1, Rpp2; Rpp3, Rpp4 e Rpp5, sendo que o gene Rpp1 confere resposta imune da soja ao patógeno, os genes Rpp2 e Rpp5 limitam o crescimento e a esporulação do fungo por meio de reação de hipersensibilidade (reddish-brown) (Bonde et al., 2006). Apesar da existência de fontes de resistência, já existem relatos de variabilidade genética desse fungo em soja, sendo relatado 9 raças fisiológicas de P. pachyrhizi (Tschurtschenthaler et al., 2012). Portanto, a utilização de cultivares de soja com genes únicos de resistência vertical pode levar à rápida seleção de biótipos que quebrem a resistência dessas cultivares, não sendo adequando utilizá-las isolado e sim em associação a outra estratégia, como por exemplo, o controle químico. Em experimentos realizados na Universidade de Passo Fundo (UPF), verificou-se que, quando se utiliza a resistência genética associada ao controle químico é possível atrasar a doença no tempo, reduzir a taxa de progresso da doença e utilizar intervalos de até 21 dias, o que não seria possível com uma cultivar suscetível. Portanto, o produtor utilizando essas duas estratégias consegue ter maior janela de aplicação do fungicida na soja, sendo essa situação muito importante principalmente em anos de El Ninõ, no qual se tem dificuldade realizar essa operação. 
Quando utiliza-se fungicidas visando controle de doenças na parte aérea da soja, critérios para a aplicação de fungicidas devem ser adotados. A recomendação de controle químico evoluiu muito ao longo dos anos, sendo que a partir da década de 50, toda aplicação era realizada com base em calendário fixo de aplicação. Desta forma, aplicava-se fungicida independentemente de sua necessidade, aumentando o custo de produção e os problemas ambientais. Aplicações de fungicidas com base na idade da planta passaram a ser recomendadas a partir de década de 80, sendo que na mesma época, passou-se a observar, além da idade da planta, o histórico da área. Entre as décadas de 80 e 90, a fenologia da cultura (aplicação de fungicidas em R1-início do florescimento), a análise da doença a campo (incidência e severidade) (Reis et al., 2001), assim como a condição climática da região, tornaram-se importantes parâmetros para a recomendação. Felizmente, com o avanço das moléculas dos fungicidas, também houve um grande avanço nas recomendações. A partir de 2006, a recomendação baseava-se em modo de ação (aplicação preventiva), pois o fungicida pode atuar de diferentes maneiras no controle do fungo, seja impedindo a germinação e/ou produção de esporos, seja causando o colapso de tecidos mesmo quando este se encontra no interior da planta. Atualmente busca-se maior precisão na recomendação de controle químico, pesquisando sobre índice de área foliar, uma vez que a superfície de área foliar sadia e funcional determina a interceptação da radiação solar e a troca de gases e de energias entre a planta e o ambiente. Assim, para entender a lógica do potencial de produção da lavoura é necessário medir o índice de área foliar e compreender a importância da fotossíntese líquida na produção de grãos (Gassen et al., 2015). Tal fato deve-se principalmente pela importância do perfeito posicionamento do fungicida, explorando ao máximo seu potencial sem, contudo, agredir desnecessariamente o ambiente. Portanto a adoção de critérios como índice de área foliar ou modo de ação (aplicação preventivo) associado a alternância de grupos químicos, contribui para a longevidade das moléculas de fungicidas e sustentabilidade do controle de ferrugem asiática, se isso for associado a resistência genética, permite manter a eficiência dos fungicidas a médio prazo e gera maior segurança na atividade agrícola.
O controle químico sem dúvida é a estratégia mais utilizada pelos produtores, e por isso, existe uma grande preocupação com a redução de sensibilidade de fungo a fungicidas. Já existem comprovação de redução de sensibilidade para o grupo químico triazol e estrobilurina (Moura et al. 2016), sendo que esse fato se deve em grande parte pelo uso de fungicidas com o mesmo mecanismo de ação, com alta pressão da doença (aplicações erradicativa) e subdoses dos fungicidas, seja consciente, pela redução da dose no tanque, ou pelo erro de tecnologia de aplicação. Isso resultou na redução de eficiência dos fungicidas, sendo que algumas estratégicas podem ser utilizadas visando minimizar essa situação como: aplicar fungicidas preventivamente, aplicar no mínimo mistura de dois grupos químicos alternando mecanismos de ação, utilizar fungicidas protetores em associação com sistêmicos, aplicar dose correta, respeitar intervalos de aplicação e utilizar tecnologia de aplicação que permita deposição satisfatório em todos os terços da planta. Portanto, como sugestão, o produtor deve fazer aplicações de fungicidas preventivamente alternando grupos químicos (triazol + estrobilurina e carboxamida + estrobilurina) adicionado de fungicidas protetores (Deuner et al., 2015a; 2015b; Deuner & Winck, 2016; Visintin et al., 2015), e não mais utilizando somente triazol + estrobilurina em todas as aplicações ou fungicidas isoladamente. É importante salientar que para obtenção da máxima efetividade do controle químico, o mesmo deve estar inserido dentro de um programa de manejo integrado, no qual outras medidas de manejo deverão ser utilizadas, como por exemplo resistência genética.
Com relação ao segundo desafio fitossanitário na cultura da soja, destacam-se no Rio Grande do Sul, os nematoides causadores de galha (M. javanica e M. incognita), das lesões radiculares (P. brachyurus) e o de cisto (H. glycines). Os danos causados por esses nematoides dependem, entre outros fatores, da densidade populacional, da suscetibilidade da cultura e das condições do meio em que vivem. Esse problema começou a ser percebido pelos produtos no Rio Grande do Sul na década de 80, através dos sintomas como reboleiras ou necrose e galhas nas raízes. Esse evento foi semelhante ao que ocorreu no centro-oeste a algumas décadas atrás, antes dos nematoides terem se tornado um dos principais problemas fitossanitários da região central do Brasil. Apesar disso, devido à baixa população desse nematóides no Sul, houve estabilização do problema e poucos relatos sobre os mesmos nas décadas seguintes. Até que em 2010, iniciou-se maior observação desse problemas e reclamação dos produtores relatando danos na soja. 
A ocorrência de nematoides provocando danos à agricultura acontece mundialmente. Desta forma, os levantamentos populacionais destes constituem-se em aliados importantes na detecção e na quantificação dos prejuízos causados em diversas culturas (Tihohod, 2000). 
Entre os nematoides que parasitam a soja no Brasil, destacam-se os causadores de galha (M. javanica e M. incognita). Existem registros destes nematoides antes do início do cultivo da soja no país e esses tem causado danos crescentes nas regiões produtoras, isto deve-se a baixa eficiência na rotação de culturas e a carência de variedades resistentes adaptadas as regiões de cultivo. Os nematoides prejudicam a agricultura não somente por reduzir as colheitas, ou seja, pelos danos quantitativos, mas também por danos qualitativos como redução do número e tamanho dos grãos, frutos e tubérculos, sendo que os danos causados nas raízes variar de 10 a 30%.
O sintoma típico do ataque de nematoides do gênero Meloidogyne é a hiperplasia, ou seja, um engrossamento das células do córtex radicular chamada de galha (Figura 2), o que dificultam a absorção de água e nutrientes afetando o crescimento das plantas e podendo torná-las totalmente improdutivas (Deuner et al., 2012). As folhas das plantas atacadas normalmente apresentam manchas cloróticas ou necroses entre as nervuras, o que caracteriza a folha “carijó”. Outro sintoma que pode ser observado é o amarelecimento da planta, que se verifica pela deficiência de nitrogênio resultante de uma nodulação prejudicada pelo nematoide. O amarelecimento de plantas na lavoura ocorre mais em reboleiras, e em áreas que o nematoide foi recentemente introduzido ou esteja com nível populacional baixo, pode não ocorrer sintomas na parte aérea. 

Figura 2.  Sintomas de galha nas raízes de soja (a) e fêmea de Meloidogyne javanica parasitando raiz de soja (b).


O nematoide das lesões radiculares (P. brachyurus) é mundialmente reconhecido como um dos maiores problemas em culturas de grande importância econômica, como soja, milho, algodão, feijão, café, cana-de-açúcar, forrageiras, hortaliças e frutíferas. Esse gênero ocupa o segundo lugar entre todos os nematoides parasitas de plantas. Atualmente, existem 70 espécies do gênero Pratylenchus que estão distribuídas em todo o mundo, parasitando dezenas de espécies vegetais. No Brasil, as espécies mais importantes considerando as perdas, os danos, a distribuição geográfica e o número de plantas hospedeiras são P. brachyurus, P. zeae e P. coffeae. Nos últimos anos, o P. brachyurus tem causado danos elevados e crescentes em várias culturas, especialmente no Cerrado. 
Os sintomas mais observados são as podridões radicular das plantas (Figura 3), isto deve-se as lesões causadas por este nematoide que favorece a entrada de outros agentes patogênicos com fungos e bactérias. Na parte área são observadas áreas necrosadas ou murchas, também pode ocorrer desfolhamento quando o ataque for severo, refletindo em danos. Assim como nas outras espécies de nematoides, pode-se observar a formação de reboleiras desuniformes nas lavouras. 

Figura 3. Lesão radicular em soja causada por Pratylenchus brachyurus. 


No ano de 1991/92 foi detectada pela primeira vez no Brasil a ocorrência de H. glycines, conhecido pelo nome comum de nematoide de cisto. No Rio Grande do Sul sua ocorrência foi descrita no ano de 1995 (Bonato, 2002) e atualmente, esse nematoide encontra-se disseminado em todas as regiões produtoras de soja do Brasil, sendo considerado o mais destrutivo na cultura. Os danos nas lavouras de soja causados pelo nematoide de cisto podem variar de 10 a 90% dependendo do nível de infestação do patógeno no solo, da suscetibilidade do cultivar, fertilidade do solo e da raça do nematoide. A variabilidade genética de H. glycines no Brasil tem-se mostrado maior que em outros países, sendo que até o momento foram encontradas as raças 1, 2, 3, 4, 5, 6, 9, 10 e 14, além de 4+ e 14+, que são exclusivas do Mato Grosso (Dias et al., 2006). 
Os sintomas aparecem em reboleiras e, em muitos casos, as plantas podem ficar atrofiadas a cloróticas com poucas vagens ou acabar morrendo. Os sintomas exibidos na parte aérea podem ser facilmente confundidos com distúrbios fisiológicos, compactação do solo ou deficiência de nutrientes como nitrogênio e potássio. Sendo assim, a maneira de realizar o diagnóstico correto é observar nas raízes pontos brancos ou amarelos que são as fêmeas adultas que emergiram da raiz, que posteriormente vão para o solo e adquirem coloração amarela a marrom dependendo da idade (Figura 4).

Figura 4. Raízes de soja com cisto de Heterodera glycines (a) e cisto rompido (b). 


Mediante o aumento crescente do problema de nematoide, a Universidade de Passo Fundo, iniciou em 2012 estudos de levantamento e distribuição populacional de nematoides na cultura da soja, visando detectar os principais nematoidespresentes no Rio Grande do Sul, para depois disso, direcionar pesquisas que contribuíssem para desenvolver estratégias de manejo eficientes. No período de 2012 a 2016, o laboratório de Nematologia da UPF, analisou 3307 amostras, sendo que dessas, 338 amostras tinham presença de nematoides da soja, ou seja, 11,7% das amostras analisadas tinham nematóides, totalizando 131 municípios do estado (Tabela 1).

Tabela 1. Incidência de nematoides nas amostras submetidas ao laboratório de  Nematologia UPF entre 2012 e 2016.


Além disso, verificou-se que os principais nematoides encontrados foram Meloidogyne spp., P. brachyurus, H. glycines e Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira 1940.  Desses, destaca-se os dois primeiros, devido a maior incidência nas amostras de solo e raízes avaliadas em todos os anos (Figura 5). Nos anos de 2012, 2014 e 2015, Meloidogyne spp. apresentou incidência de 28, 15 e 54%, respectivamente. Nos anos de 2013 e 2016, P. brachyurus teve incidência de 43 e 4%.

Figura 5. Incidência de espécies de nematóides em amostras de solo e raiz de soja de 2012 a 2016 (2016 dados parciais) no estado do Rio Grande do Sul. UPF, Passo Fundo/RS, 2016.


O Rio Grande do Sul apresenta ocorrência generalizada dos nematóides de importância na cultura da soja, sendo que em alguns municípios apresentam nível alto desses nematoides. Portanto, pressupõe-se que independente do modelo de exploração agrícola adotado pelos agricultores, seja monocultura de soja ou rotação de culturas, atrelado ao tráfego intenso de máquinas agrícolas na lavoura, a disseminação dos nematoides que atacam a cultura da soja está aumentando significativamente. Associado a isso, estão outros fatores como precipitação, tipo de solo e cultivo de safrinha, que pode favorecer a manutenção e a multiplicação de algumas espécies de nematoides nas lavouras. Sendo assim, o manejo de nematoides não se dá apenas por meio de uma única ação, mas através de um conjunto de boas práticas agronômicas que irá manter as populações dos nematóides abaixo do limiar de dano econômico, mantendo o rendimento da cultura sem oferecer riscos ao meio ambiente, promovendo no campo uma relação de convivência com estes patógenos (REIS et al., 2012). A eliminação de nematoides em áreas infestadas é praticamente impossível e, além disso, existem as particularidades de cada gênero, sendo que é fundamental conhecer a ocorrência, biologia, sobrevivência, hospedeiros e manejo de cada um deles visando melhorar a relação de convivência entre patógeno e hospedeiro.
Portanto, são muitos os desafios para se produzir soja, por isso, o produtor precisa desenvolver sua própria maneira de trabalhar no campo, mas sempre com base em pesquisas científicas aplicadas para a realidade da sua região. Nesse sentido, os laboratórios de fitopatologia e Nematologia da UPF preocupam-se em desenvolver pesquisas que permitam ao agricultor, manejar de forma adequada os problemas fitossanitários, obtendo maior potencial produtivo na cultura da soja, visando assim ter sucesso na sua atividade.

Referências 

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REIS, E.M.; CASA, R.T.; DEUNER, C.C.; GHISSI, V.C. Manejo integrado das doenças. In: REIS, E.M.; CASA, R.T. (Org.). Doenças da soja. ed.:, 2012, p. 405-434. 
SANTANA, H. et al. Variabilidade genética em populações de campo do nematóide de cisto da soja provenientes dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Tropical Plant Pathology, v. 34, n. 4, p. 261-264, 2009.
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Artigo publicado na edição 154, dezembro de 2016.

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