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O agricultor inventor

O agricultor e Engenheiro-Agrônomo José Sérgio da Silva Witt reside em Alegrete e planta em Manoel Viana, RS. Formou-se em agronomia em 1977 pela Universidade Federal de Santa Maria e iniciou sua vida profissional trabalhando com reflorestamento no Paraná durante a década de 1980. Um pouco mais tarde atuou também no segmento de remates na Região Sul do Brasil.

Atualmente, Witt se autodefine como um agricultor apaixonado pelo estudo da tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários, e foi o interesse pelo tema que o levou a criar um mecanismo auxiliar para aplicação de defensivos com o objetivo de melhorar os resultados em sua lavoura em Manoel Viana."Na safra 2006-2007 tive grande perda por ferrugem asiática e isso me deixou de certa forma envergonhado, porque mesmo sendo Engenheiro-Agrônomo não consegui proteger adequadamente minha lavoura de soja. Lembro que na época procurei informação com a Emater e com a Cooperativa da minha região, com o objetivo melhorar a aplicação de fungicidas, mas as idéias divergiam e não consegui um bom resultado".

Witt iniciou então a busca por informações sobre TA lendo, participando de eventos e visitando feiras, pois sentia necessidade de conhecer mais sobre o assunto. Paralelo aos estudos teóricos o agricultor observava a lavoura e pensava em alternativas. "Em 2009 plantei uma variedade de soja que cresceu muito, as plantas chegaram a 1,3 metros de altura. Notei que no rastro do trator que tracionava o pulverizador, entre as duas rodas, as plantas de soja ficaram praticamente deitadas. Quando essa lavoura entrou na fase de maturação, percebi alteração de tonalidade e demora na quedas das folhas nas faixas que foram deitadas. Isso chamou a atenção inclusive dos funcionários que confirmaram a diferença visual na lavoura. A passagem do trator durante a pulverização inclinou as plantas e favoreceu a penetração e a deposição de gotas do fungicida no terço inferior. Um dia, durante o trabalho de pulverização, pendurei na barra do pulverizador uma corrente que estava no trator e notei que ela, por não ter muito peso, inclinava levemente as plantas durante a passagem melhorando a penetração das gotas da pulverização. Daí surgiu a idéia da cortina de correntes", conta.

Witt expôs a idéia para pessoas ligadas a área em um dos eventos sobre tecnologia de aplicação que participou, foi orientado a patentear o mecanismo e após procurar Walter Boller, professor e pesquisador da Universidade de Passo Fundo, que teria condições da fazer experimentos e validar o uso das correntes.

Após os registros de patente José Witt procurou o Prof. Boller que começou a pesquisar os resultados do uso do mecanismo durante a aplicação de fungicidas. "Hoje sabemos que o sistema é eficiente, mas minha dificuldade é operacionalizar o desenvolvimento e a industrialização do produto para colocá-lo no mercado. Por isso estamos à procura de uma empresa que tenha interesse na parceria para produzir esse mecanismo" explica Witt.

Para iniciar os testes foi produzido um lote piloto e alguns produtores já estão validando seu uso em situação de lavoura (Ver quadro). "Ainda existem ajustes para serem feitos, mas de forma geral a cortina de correntes funciona muito bem. Trata-se de um kit para acoplar na barra do pulverizador". Witt destaca que um dos entraves para colocar o protótipo em produção é a diversidade de modelos de pulverizadores, pois cada marca tem características próprias que precisam ser consideradas na industrialização. "A cortina de correntes é um equipamento barato e tem como grande vantagem não necessitar mexer na regulagem da aplicação (tipo de ponta, tamanho de gota, pressão etc) é um acessório que tem ação mecânica sobre a planta com o objetivo de auxiliar na melhoria da deposição de gotas, pois age sobre o alvo. Pode ser usado em qualquer cultura que apresente efeito guarda-chuva durante a pulverização. Na Região do Cerrado eu credito que o mecanismo será extremamente útil para a cultura do algodão, que necessita de várias aplicações de fungicidas e apresenta efeito guarda-chuva. Em aplicações atrasadas espera-se um melhor efeito do equipamento, pois as gotas chegarão mais facilmente no alvo"

De acordo com Witt, os resultados de controle de doenças têm sido muito promissores, principalmente no terço inferior das plantas, local onde normalmente o sistema tradicional tem dificuldades de atingir. "O mecanismo apresenta resultados positivos com ganhos de produção entre 10 e 15%, tanto em soja como em cereais de inverno. Claro que os resultados dependem do ano, pois em algumas safras as doenças não se expressam tão fortemente e conseqüentemente o ganho não é tão grande. Mas, em anos com maior incidência de ferrugem da soja, por exemplo, os resultados são realmente expressivos", reforça.

Para cada cultura é necessária uma pequena adaptação no equipamento, mas de forma geral o funcionamento é padrão. "O princípio de funcionamento é a abertura de uma "cunha" entre as plantas, é como passar um pente na parte de cima, abrindo espaço por onde as gotas têm maior chance de penetrar no dossel. É um mecanismo promissor para algumas situações de uso de inseticidas e doenças como o mofo-branco em soja também".

Segundo o inventor, não há perda de área foliar durante a aplicação com o uso do equipamento, pois a cortina de correntes movimenta levemente a planta e quando encontra resistência cede não causando danos físicos a cultura. "O peso é suficiente para movimentar as folhas com leveza, mas é importante que o pulverizador trabalhe na velocidade adequada. Os testes foram feitos com velocidade de 6 a 8 km/hora".

A Faculdade de Agronomia da Universidade de Passo Fundo, através de trabalhos do professor Walter Boller, está avaliando o equipamento há três anos (ver artigo com resultados nessa edição, página 38) e em condições de lavoura são oito produtores testando o sistema de cortina de correntes criado por José Sérgio Witt. "Ainda temos muito "chão" para andar, muita coisa para aperfeiçoar e ajustar, mas o equipamento já mostrou que tem potencial, que é eficiente. Agora falta a sintonia fina no funcionamento, tornando-o mais prático e facilitado. Com a comprovação dos bons resultados da cortina de correntes estou em busca de parceiros para trabalhar com escala e colocar o produto no mercado", finaliza.


Agricultores estão testando e aprovando o mecanismo

O agricultor e engenheiro-agrônomo Rafael Cabeda, do município de Água Santa, RS, testou a cortina de correntes e aprovou o mecanismo . "Utilizamos a tecnologia de Cortinas de Correntes, idealizada pelo Eng. Agr. José Sérgio Witt, na safra 2010-2011, na cultura da soja na Fazenda Terra Abençoada. Aplicamos o fungicida Sphere Max + Aureo (0,15 + 0,45 L/ha) na cultivar Apollo, em quatro aplicações. Sendo que a primeira aplicação ocorreu na fase vegetativa (V9), a segunda foi feita no inicio de florescimento (R1) e depois a cada 15 dias repetimos a terceira e quarta aplicação".

De acordo com Cabeda, para as aplicações foi utilizado um pulverizador Jacto de 800 L, com 14 metros de barras, com bicos duplo leque 110:02. A cortina de correntes foi instalada para a terceira e quarta aplicação do fungicida, na faixa central da barra (7 m). As duas extremidades da barra ficaram sem o mecanismo (7 m restantes).

"Avaliamos o percentual de severidade para oídio e ferrugem logo após as quatro aplicações. Verificamos que a faixa central (cortina de correntes) apresentou um melhor controle das doenças, e um residual mais prolongado. Isso comprova que as correntes promoveram a maior penetração do fungicidas no terço mediano e baixeiro da planta de soja", explica Cabeda.

Segundo ele o que mais chamou atenção, foi o aspecto visual da lavoura, pois na faixa de aplicação sem o uso da cortina de correntes, as plantas perderam as folhas em torno de sete dias antes das plantas da faixa onde foi feita a aplicação com o uso do mecanismo. "Esse efeito no percentual de desfolha foi evidente e com certeza é o principal beneficio dessa nova tecnologia, pois a planta sadia tem o período de enchimento de grãos mais prolongado resultando em um maior peso no grão. Aprovamos essa nova ferramenta de aplicação para a cultura da soja e pretendemos utilizar na próxima safra em toda a área", finaliza Rafael Cabeda.

Publicado na Revista Plantio Direto, edição 123, maio/junho de 2011.

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